Tenho um vizinho que sempre nos visita. Tem o peito estufado e amarelo e o dorso amarronzado . É um bem-te-vi. Gosta muito de água, mas também ninguém é de ferro, com um calor de verão na faixa de 30o C. Vem voando, pousa na escadinha da piscina e dali dá umas rasantes. Mas às vezes tem um comportamento contemplativo. Fica longos minutos sobre as pedras que revestem o chão. Bate com o bico na pedra, levanta e abaixa o rabo, que é bem curtinho e move uma das asas, mas sem abri-la . Depois volta ao seu banho de superfície. De repente, creio que se cansa de ficar parado, e sai voando de novo. Mas não nos abandona. Até há poucas semanas eu cumpria minha obrigação de anfitriã e punha ração para ele e seus pares no cocho, no fundo do quintal. Mas tive de interromper essa gentileza porque os ratos chegavam primeiro à comida. Resta ao nosso visitante agora ciscar na grama ou furar as goiabas recém amadurecidas. Mas já vêm mangas maduras por aí, neste quintal e no da casa que faz divisa conosco, a leste. Fico grata ao bem-te-vi pelas visitas. Gostaria de continuar servindo-lhe uns lanchinhos, mas não posso comprometer a sanidade deste terreno e dos que o cercam.