O Brasil, como uma grande aldeia, se posta todas as noites diante da televisão para saber das últimas fofocas, ou melhor, da divulgação de gravações mais recentes feitas com pessoas públicas.  O nome técnico do processo de gravar pessoas sem que elas saibam que estão sendo gravadas se denomina, em inglês, ‘candid recording’ . Nem os linguistas,  interessados em coletar dados para análises , têm permissão ética de fazer isso.  Conversas privadas são conversas privadas, bem distintas de falas públicas.  Aliás, não é de hoje que se comenta que nós brasileiros temos dificuldade em distinguir o público do privado.

O teor de uma conversa telefônica, ou face a face,  entre amigos, colegas ou conhecidos tem o caráter da privacidade.  São espontâneas, simétricas, sem esforço de monitoração quanto à  forma  e sem seletividade quanto ao conteúdo.  Torná-las públicas  é uma invasão .

Naturalmente que, no caso de políticos conhecidos, as pessoas ficam ávidas por conhecer a troca de mensagens particulares , que vão sendo, assim,  desveladas.

Independentemente de minhas posições políticas, alinhadas com alguns e opostas a outros, acho essa  exposição pública um abuso, que se transveste em exercício da democracia.

Alto lá, todos têm direito à preservação de sua vida, na esfera privada. Mesmo os políticos corruptos. Eles que prestem conta à autoridade judicial competente , façam seus depoimentos e sejam julgados, com direito à defesa e ao contraditório.  Se sua culpa for provada, que sejam presos. , ou lhe sejam impostas as penas previstas.  Não estou me posicionando contra o instituto da delação premiada, que  tem sido um expediente útil no combate à corrupção. Estou falando do desrespeito , do achincalhe, da total  falta de consideração ( ou até caridade) pelos outros. 

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