Não tirava os olhos do celular na esperança de vê-lo iluminar-se, caso não ouvisse o toque.  É que de véspera tinha conhecido um rapaz muito simpático no estacionamento do shopping.  Ele lhe elogiou o cabelo, disse que ela era  bonita. Há quanto tempo não ouvia um cumprimento assim. Começaram a conversar e ela lhe passou o número do celular.  Ficaram de se encontrar. Ia ligar. Mas,  e esse celular que não toca.  Pra matar o tempo, pegou o jornal  e, de repente, lá estava a foto dele. O rapaz do shopping.  Tinha sido preso por enganar muitas mulheres e roubar delas altas quantias que lhes pedia  emprestado, alegando cirurgias e outros problemas de família.  Suspirou fundo. Era o mesmo sujeito.  Sentiu-se aliviada, mas que ele era bonitão, isso era.

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