Erika Klingl


Às vésperas de completar 50 anos, o desenho do Plano Piloto de Brasília nunca esteve tão atual. As diretrizes fundamentais do projeto traçado pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa em 16 de março de 1957 formam o conceito dos atuais condomínios da elite e da classe média brasileira e do mundo, como os Alphavilles. “A idéia da concentração de ruas de serviço, de comércio, das vias de pedestres são usadas em projetos complexos da iniciativa privada que tiveram início na década de 1980 e hoje ainda surgem”, argumenta o professor Nestor Goulart Reis Filho, diretor do Laboratório de Estudos sobre Urbanização, Arquitetura e Preservação da Universidade de São Paulo (USP), na Universidade de Brasília.

Goulart falou ontem sobre o significado do projeto de Lucio Costa na abertura das comemorações do cinqüentenário da escolha da proposta assinada pelo urbanista no concurso promovido para definir o desenho da nova capital do país. “O que chama a atenção é que, ainda hoje, o modelo urbanístico moderno de Lucio Costa — criticado nos anos 1970 pelos movimentos pós-modernos — é usado como referência para a construção de condomínios de alto padrão”, afirma. Após a palestra houve um debate (veja trechos ao lado).

Diferenças

Foi a partir daquele dia 16 de março que Brasília começou a ser riscada no cerrado do Centro-Oeste brasileiro em forma de um avião, com seu corpo e asas. Depois vieram as alterações, os prédios, os monumentos, os donos do poder, o trânsito e a desigualdade social. “O que permaneceu é muito maior do que o que mudou nos 50 anos”, resume o arquiteto paulista para quem Brasília é considerada a maior cidade planejada do mundo.

Para o diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de Brasília (UnB), Andrey Schlee, não se pode perder de vista quando se discute o trabalho de Lucio Costa que a Brasília dele é o Plano Piloto. “O resto é o Brasil com suas diferenças e desafios”, observa. É exatamente por esse motivo que o Distrito Federal convive com problemas que atualmente afligem a população brasileira como um todo: violência, desemprego e engarrafamentos. “Quando Lucio Costa pensou em Brasília, o país era outro. A população não era tão urbana e nem com crescimento populacional tão acentuado”, completa o Jarbas Silva Marques, diretor de Patrimônio Histórico e Artístico do DF.

A conferência para lembrar os 50 anos da seleção do projeto de Lucio Costa é a segunda de uma série de atividades que a FAU pretende realizar nos próximos três anos. A primeira foi em setembro de 2006, em alusão ao lançamento do edital do concurso, realizado em 20 de setembro de 1956. A idéia é retomar e discutir as fases e momentos importantes dos anos da construção da capital inaugurada em 1960. “Em 2010, comemoram-se os 50 anos da inauguração oficial de Brasília. Mas muita coisa aconteceu antes disso”, comenta Organizador da conferência, Antônio Carlos Carpintero.

Segurança

Há o consenso, entre os especialistas da conferência comemorativa do cinqüentenário de escolha das diretrizes urbanísticas da nova capital do país de que o aumento da violência no Distrito Federal não tem relação direta com o plano de Lucio Costa. Seria resultado do crescimento da população do DF, concentrada de forma desorganizada em regiões administrativas e sem emprego.

UM DIA DE PALESTRAS

Acompanhe as etapas que dariam forma ao Plano Piloto de Brasília na próxima sexta-feira. As palestras ocorrerão na Sala Alberto Nepomuceno do Teatro Nacional Claudio Santoro.

9h – Abertura do cinqüentenário com participação do Secretário de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho, da arquiteta e filha de Lucio Costa, Maria Elisa Costa, da coordenadora de Cultura da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Jurema Machado e do Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Alfredo Gastal
9h30 – Exibição do documentário A Invenção de Brasília, do cineasta Renato Barbieri
10h40 – Mesa Redonda com Renato Barbieri, Jurema Machado, Maria Elisa Costa e com os arquitetos e professores da UnB Cláudio Queiroz e José Carlos Coutinho
14h – Palestra com Maria Elisa Costa
15h – Palestra sobre a Unidade da Vizinhança com Ernesto Silva
16h30 – Palestra sobre
os Antecedentes Conceituais do Plano de Lucio Costa com José
Carlos Coutinho
19h30 – Exibição do documentário O Risco, Lucio Costa e a utopia moderma, de Geraldo Motta Filho no Cine Brasília

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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