
O escritor disse que o prêmio "é um reconhecimento à literatura da América Latina e da Espanha", revelando esperar que seus livros "tenham para os leitores uma importância comparável ao papel que Cervantes e Flaubert tiveram em minha vida". A Academia disse que concedeu o prêmio a Vargas Llosa por sua "cartografia das estruturas do poder e mordazes imagens da resistência, da rebelião e derrota do indivíduo". Llosa gostou da justificativa. A questão da soberania individual diante dos furacões históricos tem sido uma preocupação do autor, que, em "A Verdade das Mentiras", faz a defesa intransigente da fortaleza interior do doutor Jivago de Boris Pasternak (1890-1960), um dos autores analisados no livro e que, como ele, ganhou o Nobel em 1958.
Vargas Llosa, que escreveu mais de 30 romances, peças de teatro e ensaios, nasceu em Arequipa, num vale da cordilheira dos Andes. Ele teve de migrar com a mãe divorciada para Cochabamba, Bolívia, onde concluiu seus estudos básicos. Só na volta ao Peru, em 1946, aos 10 anos, conheceu o pai, antes de ingressar num colégio militar. Ecos de sua adolescência surgem em "Tia Julia" e o "Escrevinhador". Desde que foi publicado, em 1977, esse permanece como um dos seus livros mais populares ao lado de "Pantaleão e as Visitadoras", surgido em 1973.
Vargas Llosa tem o dom de transformar crônicas sobre a realidade peruana em fábulas morais, recorrendo a personagens que migram de um livro para o outro sem muita cerimônia, como o cabo Lituma, que saiu do romance "A Casa Verde" para se tornar o protagonista de "Lituma nos Andes". Neste, o escritor critica os guerrilheiros do Sendero Luminoso. Seu mais recente livro é "Sabres e Utopias" (Objetiva), em que critica o esquerdismo de colegas escritores e faz uma análise da política e da literatura latino-americana contemporânea. As informações são do Jornal da Tarde.