Faleceu nesta madrugada o grande escritor mineiro, Bartolomeu Campos de Queirós. Abaixo recupero  uma  notícia que este site publicou em 10/12/2006.

 

Indez de Bartolomeu Campos de Queirós é um livro sobre como um menino amplia sua experiência de mundo, associando  às práticas sociais orais de sua cultura familiar práticas de letramento,   que vai adquirindo na família e, sobretudo, na escola. Embora seja obra de ficção,podemos compará-lo  ao clássico Ways with words  de Shirley Brice-Heath. 

 

 Indez   Bartolomeu Campos de Queirós



Bartolomeu
Campos de Queirós
Indez

Miguilim, 1994
96 pp.


Ao contar a infância do menino Antônio desde o seu nascimento numa fazenda do interior de Minas Gerais até a adolescência, quando sai de casa para estudar na cidade, o autor mantém-se fiel ao estilo poético marcado por imagens de grande beleza, já presente em suas outras publicações. Não se trata apenas de uma narrativa sobre um menino do campo, mas da recriação de um universo quase desaparecido em nosso país: o da infância marcada pelas brincadeiras tradicionais e pela cultura popular. O autor apresenta o ambiente rural mineiro, no qual o homem e a natureza andavam em sintonia, e um tempo marcado por rotinas ligadas ao trabalho de plantar e colher, por nascimentos, comemorações e mortes – enfim, um universo moldado por afetos e valores daquele grupo.

A infância brincava de boca de forno, chicotinho queimado, passar anel ou corria da cabra-cega. Nossos pais, nesta hora preguiçosa, liam o destino do tempo escrito no movimento das estrelas, na cor das nuvens, no tamanho da lua, na direção dos ventos. O mundo não estava dividido em dois, um para as pessoas grandes, outro para os miúdos. As emoções eram de todos.”

Neste belo texto, o menino Antônio pode ser visto como metáfora de uma infância que, aos poucos, desaparece, absorvida por uma realidade que deixa pouco espaço para as diferenças. Por isto mesmo, este livro tem uma importância que vai além da evidente qualidade e beleza literárias: ao recriar um universo cultural que se esvai, permite que nossas crianças não se esqueçam de sua própria história. Para o leitor fluente.

Seleção de Obras da Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil
Resenha de
Silvia Oberg

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