Criado em 1998 como forma de medir a qualidade do ensino no País, o Enem passou a servir como seleção para ingresso em universidades públicas e privadas a partir de 2009, quando foi reformulado. "O Enem não é uma coisa nova, então por que antes de se mudar o modelo não foi feito um planejamento, testado se daria certo?", questiona Ioschpe ao destacar que houve "uma pressa eleitoreira em fazer acontecer". O problema, segundo o especialista, é que o MEC não estava preparado para organizar uma prova do tamanho do Enem. "Agora o ministério está tentando aprender errando, mas isso não pode acontecer com uma seleção que envolve a vida de milhares de pessoas. Se fossem problemas pequenos, em uma questão ou outra, mas são coisas grandes que prejudicam a credibilidade", diz ao destacar que as maiores universidades do País, como USP Unicamp e UnB, ainda não adotam o Enem justamente por causa dos erros.

O especialista cita ainda o exemplo dos erros na correção das redações, percebidas após alguns candidatos entrarem na Justiça e terem a nota revista, para justificar a necessidade de aplicação de mais provas por ano. "Não é fácil em um País com carência de mão-de-obra, fazer a correção tão rápida para um número muito grande de alunos. O resultado disso é a contratação de pessoas que não têm a qualificação necessária. Se tivéssemos dez, 12 provas por ano, talvez fosse possível formar um grupo mais coeso de professores, com um preparo maior. A grande questão é que querem fazer a coisa de uma maneira que não têm capacitação para fazer. O resultado é que não vai dar certo nunca. É a mesma coisa que construir um aranha-céu com bambu e corda, uma hora cai", completa.

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