UnB é oitava melhor brasileira em ranking da Folha de S. Paulo Comparativo feito pela primeira vez analisou dados de 232 instituições. Avaliação leva em conta produção científica, qualidade do ensino, inovação e inserção de mercado
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- Da Secretaria de Comunicação da UnB
A UnB é a oitava melhor universidade brasileira, segundo ranking nacional elaborado pelo jornal Folha de S.Paulo. De 100 pontos possíveis, obteve 78,34. Se consideradas somente as universidades federais, a UnB ocupa a quinta posição. É superada apenas pelas federais de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e do Paraná. Em âmbito regional, é a primeira do Centro-Oeste. Para atribuir nota a cada universidade, o jornal considerou quatro indicadores: produção acadêmica, qualidade do ensino, avaliação do mercado e inovação. O melhor desempenho da UnB foi na qualidade de pesquisa, critério em que obteve 50,3 pontos, o equivalente a 91% da pontuação máxima definida para esta categoria: 55 dos 100 pontos previstos. A produção acadêmica foi avaliada a partir da análise de nove quesitos que levam em conta, principalmente, números de artigos científicos publicados e citações em artigos. Também são considerados proporção de citações e artigos por docentes, captação de recursos, percentuais de docentes com doutorado e de artigos com colaboração internacional, além de citações por artigos e publicações na base SciELO. "Fomos bem, e o resultado reafirma aquilo tenho insistido em observar: seja qual for o indicator analisado, o lugar da UnB tem sido caracterizado por uma constante e uma ascendente evolução. Estamos no topo do desenvolvimento das universidades brasileiras", acredita o reitor José Geraldo de Sousa Junior. A UnB também ficou bem colocada no quesito “inovação”, que mede o número de patentes produzidas pela instituição. Recebeu nota 4,37 em uma escala de até 5 pontos, o equivalente a 87,4%. No item avaliação do mercado, alcançou 13,97, o que representa 69,8% do total de 20 desse quesito. A avaliação do mercado foi feita a partir de entrevistas com 1.212 diretores, gerentes ou profissionais de recursos humanos. Todos deveriam ter contratado egressos de alguma das 20 áreas de ensino superior que mais formaram profissionais em 2010, segundo dados do Censo do Ensino Superior. Para cada um deles, foi pedido que apontasse as três instituições de ensino superior que formam profissionais para os quais dariam preferência em um processo de contratação. Esses gestores pertenciam a grandes empresas, escritórios de advocacia, hospitais privados e filantrópicos, clínicas médicas, agências de publicidade, empresas de engenharia, escolas particulares de ensino médio e fundamental, laboratórios farmacêuticos, empresas de comunicação e assessoria de imprensa e clínicas odontológicas. As entrevistas foram feitas durante oito meses. Isaac Roitman, decano de Pesquisa e Pós-graduação, acredita que a UnB respondeu bem aos indicadores utilizados pelo jornal, mas que é possível melhorar esses números fazendo com que os alunos incorporem desde cedo o pensamento científico. "É preciso ir além, fazer com que estudantes compreendam como se constrói o método científico, como ele é usado e como se desenvolve. Inclusive para que continuem exercendo esse pensamento quando forem profissionais”, afirma.
ENSINO – O ponto com a avaliação mais baixa foi o da qualidade de ensino. A nota nesse quesito foi 9,7, que correspondente a 48,5% da pontuação máxima de 20. Para chegar ao resultado, a Folha de S. Paulo entrevistou 597 pesquisadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foi pedido a cada um deles que apontasse as 10 melhores instituições brasileiras de ensino superior em sua área de atuação. Ou seja, essa medição é feita a partir da opinião desses especialistas.
O decano de Ensino de Graduação, José Américo Garcia, discorda da avaliação sobre a qualidade do ensino na UnB. "A metade dos nossos cursos de graduação tem nota máxima do MEC e 89% dos nossos professores possui doutorado. Esses dados mostram a nossa força", afirma.
De acordo com o diretor do DataUnB, José Ângelo Belloni, o tipo de metodologia escolhido pela Folha de S. Paulo é bastante usual. "Não tenho os detalhes da metodologia, mas consultar especialistas em um determinado assunto e pedir que eles elenquem algo que é do seu âmbito de conhecimento é bastante tradicional em pesquisas", disse. Vanessa Maria de Castro, professora do Faculdade UnB Gama, especialista em indicadores e chefe de gabinete da Reitoria, destaca, no entanto, que é preciso conhecer melhor os dados. “Faltou maior detalhamento do índice usado para se chegar ao ranking, principalmente dos indicadores escolhidos e do peso de cada um deles. Não está claro quais são as fontes dos dados”, analisa. “No caso específico deste ranking, vejo critérios apoiados em opiniões, como acontece, em parte como Guia do Estudante, mas, independentemente da avaliação classificatória, quando nós olhamos os fatores de ponderação, vamos ver que a diferença entre as instituições que estão no topo da classificação indica que não há hierarquia entre elas. Todas elas guardam o mesmo patamar”, completa o reitor José Geraldo. PERSPECTIVAS – O ranking não considera os dados governamentais. No Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC, a UnB possui nota 4, sendo que a maior é 5. Essa avaliação é feita desde 2004 e construída com base numa média ponderada das notas dos cursos de graduação e pós-graduação de cada instituição. A expectativa é que esse conceito melhore em 2013, quando serão consideradas as notas de cursos mais recentes. "Todas as avaliações que estamos fazendo desde 2010 vão contribuir para o aumento da nota da UnB”, afirmou Marcos Vinícius Coelho, técnico de avaliações do DEG.
Quanto à inovação, Ednalva Morais, diretora em exercício do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT), afirma que número de registros de patente na UnB deve aumentar bastante nos próximos meses. Segundo ela, o maior gargalo está na falta de especialistas no ramo, o que só foi resolvido recentemente, quando o CDT contratou consultores de áreas estratégicas como Engenharia, Biologia, Química e Medicina. “Precisávamos mudar a cultura dos nossos pesquisadores. Por isso, trouxemos esses especialistas em áreas que apresentavam grande número de patentes concedidas e de prospecção de mercado”, disse. “Tenho certeza que em breve melhoraremos nosso conceito em patentes. Vamos colher os frutos desse investimento e dessa mudança de estratégia”. PÚBLICAS – A Folha de S. Paulo avaliou um total de 232 instituições, entre as quais 191 universidades e 41 faculdades e centros universitários. As 12 primeiras universidades do ranking são públicas. No topo da lista estão a Universidade de São Paulo (USP), com 98,78 pontos, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com 91,76, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 91. As únicas instituições privadas entre as 20 primeiras do ranking são as Pontifícias Universidades Católicas do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com 70,85 e 70,15 pontos, respectivamente, ocupando a 13ª e 16ª posições. A USP lidera em três critérios: tem a melhor avaliação na qualidade da pesquisa, é a mais bem-vista pelo mercado e tem os melhor índices no ensino. A Universidade Estadual de Campinas foi a mais bem ranqueada em inovação, obtendo nota 5, a máxima no critério. Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. 03/09/2012