Nesta data [23 de novembro], comemora-se o dia internacional do livro. Para celebrá-la vamos tecer considerações sobre as dificuldades de compreensão leitora, que é um dos problemas mais graves na escola brasileira, conforme mostram as avaliações – internacionais, federais ou estaduais – de larga escala, conduzidas no Brasil. Nos últimos anos, juntamente com pesquisadores das áreas de Linguística e Educação na UnB, tenho conduzido pesquisas que se voltam para esse problema, investigando o trabalho pedagógico que visa ao desenvolvimento da compreensão leitora dos alunos, ou seja, propondo os fundamentos de uma pedagogia da leitura. A LDB (1996), art. 32, prevê o desenvolvimento da leitura, da escrita e do cálculo como meios básicos no desenvolvimento da capacidade de aprender. No entanto, nossa escola vem falhando na formação de leitores autônomos. Se o aluno não aprende a ler com produtividade, seu desenvolvimento intelectual fica comprometido. O foco das pesquisas conduzidas na UnB se volta para estratégias docentes de mediação antes, durante e depois da leitura que os alunos fazem. Examinamos também estratégias metacognitivas dos próprios leitores no esforço para compreender o texto que estão lendo. Partimos do seguinte desafio: o que podem os professores fazer para mediar a leitura de seus alunos, permitindo que esses atinjam um nível mais alto de compreensão? Paralelamente, nos perguntamos: na escola brasileira contemporânea que esforços sistemáticos são despendidos para que os alunos se tornem leitores autônomos? As pesquisas começam documentando e analisando rotinas interacionais entre os professores-pesquisadores e alunos leitores com diferentes graus de competência leitora. Dado que há uma grande heterogeneidade no acervo de conhecimento enciclopédico entre leitores noviços, optamos por fazer pesquisas longitudinais ao longo de no mínimo 18 meses, com alunos do ensino básico. Para cada sujeito colaborador produzimos um portfólio digital, contendo dados sociodemográficos, dados interacionais nos eventos de leitura e os comentários analíticos. As análises nos mostram, por exemplo, que diante de um texto muito opaco, a professora pode construir um texto parafrástico de maior legibilidade, principalmente se, em sua paráfrase, ela se valer de informações presentes no universo vivencial dos alunos. Outro recurso é o de antecipar problemas para a compreensão, seja em função de um item lexical erudito ou de emprego raro nas tarefas comunicativas dos educandos, seja em função da estrutura sintática do período. No Brasil, existe pesquisa avançada na área de leitura, mas muito pouco desse acervo chega à formação e à prática do professor de ensino básico. Nossa ênfase é na investigação do conhecimento enciclopédico de crianças que sejam provenientes de redes sociais de cultura predominantemente oral, vis-à-vis as exigências para a leitura com compreensão de textos que elas têm de ler de modo a acompanhar o currículo escolar. Os leitores, maduros ou iniciantes, associam as informações dos textos a suas próprias experiências e vocabulário, de modo a construir sentidos sobre o que estão lendo. Há dois tipos de problemas de leitura: de codificação, que envolve habilidades de nível baixo; e de incompreensão dos textos, que se relaciona a habilidades de alto nível. Até agora, os Projetos resultaram na publicação de dois livros: Leitura e Mediação Pedagógica, Parábola Editorial, 2012 e Formação do Professor como Agente Letrador, Editora Contexto, 2010, que são uma autoria conjunta dos pesquisadores envolvidos, mas a pesquisa vai continuar e em breve teremos mais publicações.