A individualidade de Kahlo, sua energia e modernidade fizeram dela um ícone inigualável. Mas será que ela continuará a influenciar gerações futuras?
· pinto autorretratos porque fico sozinha com muita frequência, porque sou a pessoa que conheço melhor", disse a artista mexicana Frida Kahlo. O status cultuado e icônico de Frida se deve muito aos seus autorretratos, nos quais ela capturou e interpretou sua própria e distinta identidade visual.
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o próprio modelo da artista boêmia: única, rebelde e contraditória"
Foto: BBC News Brasil
O tema levanta uma questão em uma nova exposição: a imagem pessoal e única de Kahlo era tão central para seu mito e persona como parte de sua obra? E o que o seu estilo pessoal e seus objetos dizem sobre sua vida e sua arte?
Durante 50 anos, até 2004, roupas e outros itens pessoais de Frida ficaram trancados na Casa Azul, residência e estúdio em Coyoacán, perto da Cidade do México, onde a artista morava com seu marido muralista Diego Rivera. Após a morte de Frida, Rivera trancou 6 mil fotos, 300 itens pessoais e roupas, e 12 mil documentos no banheiro da casa. Quando eles finalmente foram revelados, historiadores levaram 4 anos para organizá-los e catalogá-los e, agora, pela primeira vez, esses artefatos deixaram a Casa Azul para serem expostos no Museu Victoria e Albert, em Londres.

O status icônico de Frida Kahlo se deve muito aos seus autorretratos (Crédito: Nickolas Muray/Victoria and Albert Museum)
Foto: BBC News Brasil
Na exibição Frida Kahlo: Fazendo-se, os vestidos e outros itens pessoais são expostos ao lado de suas pinturas, mostrando a conexão íntima entre os dois. Ela é apresentada como um tipo de artista performática, cuja identidade era uma extensão de sua arte. Os vestidos coloridos e adornos com flores estão lá, junto de suas próteses pintadas a mão e seus corpetes que ajudavam a apoiar e mascarar suas defiências físicas.
Muito mais foi compreendido sobre o acidente de Frida após a descoberta dos seus objetos. Itens como seus remédios e auxílios ortopédicos iluminam sua história, além dos corpetes e correias que usava para apoiar sua coluna - incluindo alguns corpetes que ela pintou com símbolos religiosos e comunistas, além de imagens que fazem referências aos bebês que perdeu.
Estilo adaptado ao corpo
A co-curadora da exibição, Circe Henestrosa, disse à BBC que a construção da identidade de Frida "em torno de suas políticas, sua etnia e deficiência" é a tese central da mostra.
"A exposição busca dar um contexto pessoal, cultural e político à história de Kahlo. Ela sobreu um acidente terrível e quase fatal aos 18 anos de idade, o que a prendeu à cama e a deixou imobilizada. Muito mais foi entendido sobre o acidente após a descoberta dos objetos na Casa Azul e a mostra ilumina essa história através de seus remédios e auxílios ortopédicos."

Muitos dos objetos - como seus corpetes e próteses - revelam novos detalhes sobre o acidente quase fatal de Frida quando ela tinha 18 anos (Crédito: Victoria and Albert Museum)
Foto: BBC News Brasil
Com a descoberta dos objetos pessoais da artista, novos insights são revelados sobre como o estilo pessoal era em parte guiado por suas deficiências. "Roupas se tornaram parte de sua armadura, para desviar, omitir e distrair de seus ferimentos", diz Henestrosa.
"Frida passou por múltiplas operações tanto no México quanto nos Estados Unidos, e teve que usar corpetes ortopédicos feitos de couro e plástico. Seus corpetes eram necessários por razões médicas, mas ela também os decorou elaboradamente. Os vestidos do tradicional estilo indígena que ela adotou permitiram que ela combinasse esses itens sob longas saias e blusas com cortes geométricos."