A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

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Por Jaime Pinsky: Historiador, professor titular da Unicamp, livre docente da USP, autor e coautor de 30 livros.

Sim, bom número de pessoas satisfaz sua sede de leitura combatendo inimigos reais ou imaginários nas redes sociais. Dados confiáveis garantem que nunca se leu, nem se escreveu tanto quanto hoje, por conta delas. Escudados pela distância e, frequentemente, pelo anonimato, muita gente sofre, nesse processo de escrita, uma mutação regressiva, abandonando sua condição humana e se transformando em algum primata sanguinário ainda não identificado pelos paleontólogos. A escrita afoita e a leitura “por cima” em nada acrescenta em termos de cultura, seja ela artística ou política. A superficialidade ganha espaço, o conteúdo desaparece.

Humildemente, continuo achando que, antes de escrever, convém ler. Afinal, ainda não há — se é que algum dia vai haver — veículo mais adequado para a transmissão cultural do que o livro. Frases feitas, palavras retumbantes, piadinhas de gosto duvidoso, conceitos vazios, esse tipo de linguagem que entope as redes sociais não nos levam a lugar algum. Embora reconheça que há gente de bom nível nelas, sempre é alguém que preza e pratica regularmente o hábito de ler. Assim, tomo a liberdade de sugerir a leitura de algumas obras que li recentemente e podem ajudar a formar uma base bem estruturada de conhecimentos.

Daqui a pouco mais de um mês, teremos a comemoração dos 200 anos da independência do Brasil. Sim, 7 de setembro. O evento deve merecer nossa atenção, não para berrar frases feitas e pseudopatrióticas, mas para aproveitar e conhecer um pouco melhor o que de fato aconteceu nessa data. Reconheço nunca ter tido, no ensino fundamental, nenhum professor que se preocupasse em apresentar uma visão crítica do ato encabeçado por D. Pedro, no Ipiranga. Hoje, sabemos que ele subiu a Serra do Mar em lombo de mula, não de um cavalo garboso, mas isso é pouco. Fica parecendo que todos os moradores deste país se entusiasmaram com o gesto do príncipe, que ele libertou toda a nação, que havia consenso nacional a respeito da necessidade do grito às margens do Ipiranga.

Acaba de sair um livro importante, Várias faces da Independência do Brasil, para o qual os organizadores, Bruno Leal e José Inaldo Chaves, tiveram a excelente ideia de reunir um pequeno grupo de historiadores sérios, que mostram, com diferentes olhares, como as coisas aconteceram em diversos lugares e grupos sociais. Indígenas, escravos e libertos saem das sombras e se tornam personagens históricos. Como “o grito” repercutiu em diferentes regiões do Brasil? Como foi o antes e o depois do 7 de setembro? Enfim, um livro esclarecedor.

Outro livro interessante é de autor único. Mais que isso, é uma obra muito pessoal, que fala de comportamento dos brasileiros, de economia, da estrutura social e até da criação de passarinhos em gaiolas. A obra é erudita, mas não ostenta a cultura do autor, apenas utiliza as informações quando quer se apoiar nas ideias de alguém, ou destruí-las sem piedade. Não, não é um livro para todos, mas para quem gosta de desafios intelectuais; um livro para quem tem prazer em ler brigando, duelando com o autor, tentando submetê-lo.

Aviso, desde já, que, por conta do enorme repertório do seu autor, Mércio Gomes, corremos o risco de nos convertermos a algumas de suas teses… O livro se chama O Brasil inevitável, ética, mestiçagem e borogodó. O autor é antropólogo, tem forte ligação com o pensamento de Darcy Ribeiro, foi professor em importantes universidades e dirigiu a Fundação Nacional do Índio (Funai). Há obras em que o autor recorta, modestamente, um pequeno tema, no espaço e no tempo, e tenta esgotá-lo. Esta não é uma delas. Mércio se arrisca em todas as águas, rasas e fundas, amigáveis e perigosas. Então, vale a pena ler? Vale, sim, pois a criatividade, a originalidade de análise, o profundo conhecimento dos problemas do país que o autor demonstra são surpreendentes e estimulam qualquer leitor inteligente.

Com questões de saúde entrando na ordem do dia, apareceram muitos livros importantes nessa área. Talvez o melhor deles seja História da saúde humana, de Jean-David Zeitoun. Leitura aborrecida? Não, pelo contrário, obra fascinante. O autor é um médico francês que realizou pesquisa acurada e percorre, no livro, cuidadosa trajetória desde a pré-história até os dias de hoje. Ele mostra como as sociedades lidaram com a saúde de seus membros ao longo do tempo e do espaço. É uma história social que vai agradar a muita gente, mas eu tomaria a liberdade de indicar, particularmente, aos médicos e ao pessoal da área.

Zeitoun, ao contrário de outros autores, como Harari, não acredita que estamos em um espiral ascendente de longevidade. Lembra que condições climáticas negativas (e a própria poluição das grandes cidades), assim como a circulação de vírus em cidades mais populosas, com população cada vez mais aglomerada são fatores que podem frustrar o sonho de vivermos cada vez mais e melhor. Boa leitura a todos.

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Há dois tipos de pessoa que vão lhe dizer que você não pode fazer a diferença neste mundo: as que têm medo de tentar e as que têm medo de que você se dê bem – Ray Goforth, executivo

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Por Sacha Calmon

Reprodução: Correio Braziliense, Caderno Opinião, 17 de abril de 2022 

 

É realmente espantosa a expansão do cristianismo no mundo ocidental, 100 anos depois da morte de Galileu, primeiro no Oriente próximo e na Grécia, obra de Paulo, que não conheceu Jesus, o carinhoso rabi da Galileia, que falava como língua de nascimento o aramaico. Tiago, irmão de Jesus, o queria dentro do judaísmo e tentou matar Paulo, por seu "universalismo". É que o judaísmo é excludente. Vale para judeus tão somente e convertidos. O monoteísmo judaico é um processo de emancipação de um deus tribal.

Javé era um Deus menor do panteão de El, o Deus de todos os Elohins (deuses menores da Cananeia), alçado à condição de único Deus verdadeiro, inteiramente devotado ao povo judeu, por força de um impressionante movimento político-religioso, por alguns denominado "Javé sozinho", por volta de 750 a 650 a.C., ao tempo dos reis Ezequias e, principalmente, Josias.

Durante sua infância, Javé era um Deus familial e atencioso, mas ainda não tinha nome próprio. Era o Deus de Abraão, de Isac e de Jacó. Depois desaparece na suposta fase egípcia de "seu povo", reaparecendo em sua juventude como o Senhor dos Exércitos, general na guerra e legislador na paz, a prometer mundos e fundos a "seu povo", escolhido por ele entre todos os existentes no mundo, num gesto tendencioso para um Deus. É clara a discriminação contra o resto da humanidade.

Na maturidade, após a queda dos reinos de Israel (ao norte) e Judá (ao sul), transforma-se em um Deus oculto e misterioso, dividindo-se em três na velhice, segundo o cristianismo, num incrível desdobramento de sua tumultuada personalidade. Os judeus, após a diáspora decretada por Roma se espalharam, chegando à Pérsia e à Europa.

São absurdas e numerosas contradições do Velho Testamento, e a gritante incompatibilidade entre o Javé da Torá e o Jesus de Nazaré do Sermão da Montanha. Tudo começou há vinte e sete séculos com um projeto de poder. E para compreender a total diferenciação entre o judaísmo e o cristianismo, vamos avançar até o momento em que Javé torna-se "o pai" de Jesus, segundo a tradição cristã (Trindade).

O Deuteronômio, que absolutamente não é um dos livros do Velho Testamento, senão a reinvenção dele, até então era uma tradição oral e não escrita. Além disso, veremos que durante sua infância Javé era um Deus familial. Na maturidade, após a queda dos reinos de Israel (ao norte) e Judá (ao sul), vira oculto e misterioso, dividindo-se em três na velhice, segundo o cristianismo.

Jesus nasceu judeu — em região periférica da Judeia (a Galileia ficava para lá da terra dos samaritanos) — e falou aos judeus, inserido no caldo de cultura desse povo. De repente, para espanto de sua gente de Nazaré, onde era conhecido como o filho do carpinteiro José e irmão de Tiago e outros tantos, torna-se um pregador visionário e apocalíptico, que se lança contra o judaísmo estabelecido, conformista e legalista. Certamente conhecia as escrituras em hebraico, traduzidas por ocasião dos ofícios religiosos nas sinagogas da Galileia, e nada de grego ou latim.

Sobre a sua vida até os dias de pregador pouco se sabe, ou o que se soube foi suprimido, por não convir ser conhecido. Há uma curiosidade, sobre a sua vida conjugal, numa época em que os judeus casavam-se muito cedo, por várias razões, incluindo as recomendações da lei (a Torá). Falava a língua da região de Aram-Damasco ou siríaco antigo, disseminado na Palestina de então.

Anunciava a chegada iminente do Pai, jamais pronunciou o nome "Javé" e conclamava os "grandes" e "poderosos" a se endireitarem, pois, se não o fizessem, não entrariam no reino dos céus. Era mais fácil uma corda passar pelo buraco de uma agulha do que um rico de bens materiais entrar no paraíso (as péssimas e frequentes traduções dos textos bíblicos confundiam "corda" com "camelo").

Detestava as diferenças de classe social e a empáfia dos fariseus e saduceus do seu tempo. Por isso era ebionista, ou seja, era a favor dos pobres e desprotegidos, além de propugnar o abandono da riqueza, que devia ser partilhada entre todos (comunismo primitivo).

A parábola do jovem rico deixa isso bem claro, assim como o Sermão da Montanha. Pedia a todos que abandonassem pai e mãe, a família, os afazeres cotidianos e o seguissem, pois, esse mundo estava prestes a acabar e logo viria o Pai e o reino dos céus com suas bem-aventuranças. A parusia!

Foi contra a lapidação das pecadoras, rebelou-se contra o shabat (o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado), declarou-se contra o hábito mosaico que dava ao marido desgostoso o direito de repudiar a mulher (comumente virava pedinte ou prostituta). Foi acusado de perturbar a pax romana e os preceitos vetustos da Torá. Mas o mundo teima em existir, sem o apocalipse!

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/04/5001044-artigo-nosso-deus-semita.html

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Editoria:
Autor(a): 61brasilia
Tipo: Matéria
Veiculação: 18/04/2022
Assunto: UnB
 
Linguistas analisam o sotaque de quem nasceu e foi criado na capital do país e, com o passar do tempo, desenvolveu um jeito próprio de falar, mas repleto de referências

 

Segundo estudos da linguista Carolina Queiroz, as duas primeiras gerações de brasilienses desenvolveram peculiaridades no sotaque até então neutralizado

 

Quando Brasília foi fundada, pessoas de todos os cantos do país atenderam ao chamado do presidente Juscelino Kubitschek e vieram de mala e cuia para cá. Trouxeram consigo identidades regionais e linguísticas - o que inclui o jeito de falar. Formações dialetais, de tão distintas, foram, com o passar do tempo, se neutralizando - e assim foi nascendo o sotaque brasiliense.

 

No documentário Fala Brasília , de 1966, o cineasta Nélson Pereira dos Santos aborda, em 12 minutos, a futura geração de habitantes da nova capital, formada por uma população com modos peculiares de falar, resultantes da mistura de diferentes modismos.

 

Peculiaridades

 

A pesquisadora e professora da pós-graduação do Departamento de Linguística da UnB Carolina Queiroz explica que todo grande contingente migratório causa isso. Autora de uma dissertação de mestrado e de uma tese de doutorado sobre o sotaque brasiliense, ela constatou que a primeira e a segunda gerações de nascidos na cidade deram prosseguimento a esse sotaque neutro, mas com algumas peculiaridades.

 

"Temos por aqui um sotaque semelhante ao de um apresentador de telejornal nacional, neutralizado, com elementos e influências de vários estados brasileiros", resume a pesquisadora. Minas Gerais é o estado com maior contingente de migrantes. E os estados nordestinos, juntos, fazem do Nordeste a maior região de forasteiros. Não é à toa a influência.

 

Os modos típicos de falar de Minas e dos estados do Nordeste predominam na composição da fala brasiliense

 

Por aqui, você já virou cê . Mas quem domina mesmo é o tu - com ligeira diferença da concordância dos usados nos estados do Sul ou do Nordeste. Os brasilienses também falam sibilando - como os mineiros de Belo Horizonte, com o s prolongado, mas, diferentemente deles, produzindo ditongos em uma das sílabas. Para exemplificar, os de lá falam "dezsss" e os daqui, "déizsss".

 

Stella Maris Bortoni é professora titular aposentada de Linguística da UnB e tem uma bagagem extensa de estudos sobre o tema. Para ela, o modo de falar dos jovens de Brasília não preserva marcas identificáveis de outros grupos, o que não quer dizer que seja neutralizado. "Aqui o sotaque é cada vez mais marcado pela curva melódica das palavras, mas não pelos traços típicos de falares regionais", observa.

 

E é em Brasília que a mesma pessoa tem no seu vocabulário o uso de expressões como uai e ôxe - que, respectivamente originárias de Minas e de estados do Nordeste, são expressões de espanto. Sem falar na abreviatura de cachoeira para "cachu" e de tomar banho por "banhar".

 

Uai, ôxe, cachu

 

Mas é em Brasília que a mesma pessoa tem no vocabulário o uso de expressões como uai e ôxe - que, respectivamente originárias de Minas e de estados do Nordeste, são expressões de espanto. Sem falar na abreviatura de cachoeira para "cachu" e de tomar banho por "banhar". E do bom e famoso "véi", que deixou de ser uma gíria e passou a ser uma palavra com múltiplas funções no dialeto do brasiliense.

 

"Muitos traços de variedades linguísticas localizadas nessa região do país podem ter origem histórica, [revelando] o modo como as terras do Centro-Oeste foram colonizadas, o perfil sociolinguístico das populações que vieram para cá e o tipo de contato que se estabeleceu ou que deixou de se estabelecer entre essas populações", reforçou o doutor em linguística Marcus Lunguinho durante o II Congresso Internacional de Estudos Linguísticos da UnB de 2016.

 Universal desde sua fundação, a capital federal acaba sendo uma espécie de escola onde todos os sotaques, enfim, se misturam, produzindo, ao longo do tempo, a marca própria a diferenciá-la dos demais estados.

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Reprodução: Correio Braziliense

Por Ailim Cabral

No aniversário de Brasília, dia 21, a Universidade de Brasília completa seis décadas de existência. Ao longo desse período, foram construídos muito conhecimento científico e peculiaridades como um dialeto próprio com gírias e jargões utilizados pelos estudantes

Completando 62 anos, Brasília é uma cidade única. E o caráter extraordinário da cidade traz de presente outras construções e instituições singulares. Uma delas, está prestes a se juntar à capital entre os sexagenários.

No próximo dia 21, a Universidade de Brasília, a famosa UnB, completa 60 anos. Nascida da união das ideias do antropólogo Darcy Ribeiro e do educador Anísio Teixeira, tomou forma física, como o restante da cidade, pelas mãos do arquiteto Oscar Niemeyer.

"Só uma universidade nova, inteiramente planificada, estruturada em bases mais flexíveis, poderá abrir perspectivas de pronta renovação do nosso ensino superior", diz o Plano Orientador, documento que norteia até hoje as estruturas e regras da instituição.

E nessas linhas, já se esconde o que é uma das gírias, ou jargões, mais conhecidos da UnB. O famoso Minhocão ou Instituto Central de Ciências (ICC). O prédio acadêmico mais usado da universidade tem cerca de 700 metros de comprimento e 70 de largura.

A forma comprida e levemente curvada do edifício criado por Niemeyer inspirou alguns dos primeiros ocupantes da universidade a criar a alcunha. O nome se consolidou, atravessou as paredes acadêmicas e hoje é conhecido até mesmo por brasilienses que nunca estudaram na UnB.

O termo é um dos poucos que o calouro de administração Jovenilson Miranda, 21 anos, conhecia antes de entrar na universidade. Um dos poucos lugares que não é conhecido só pela sigla, se tornou o ponto de referência para os novatos.

As siglas, inclusive, são parte importante do dialeto UnBense. Jovenilson ficou perdido quando lhe disseram para ir à BCE buscar um livro. É difícil encontrar um aluno que não chame a Biblioteca Central da UnB dessa maneira.

Siglas

Apesar de difundida e ser referência para os calouros, a palavra Minhocão já não faz parte do vocabulário dos estudantes atuais. "Todo mundo conhece, sabe o que é, mas no dia a dia o ICC ficou mais comum. Acho que por ser mais curto e pelas abreviações serem muito usadas", acredita Eduardo Oliveira Dias, 22.

No sétimo semestre de engenharia civil, Eduardo é o fundador da página UnB Sincera, que tem quase 50 mil seguidores no Instagram, entre eles o perfil oficial da própria universidade. Por lá, ele divide com colegas e professores os memes mais usados.

Antenado na cultura típica da UnB, Eduardo observa que o gosto pelas siglas não fica só nos prédios. O antigo e famoso PDS, o bar Pôr do Sol, na 408 Norte, virou sinônimo de rolê. "Usamos PDS para qualquer festa ou saída pós faculdade. Pode ser na casa de alguém ou em outros bares e restaurantes. HH, que seria o happy hour, também é um dos termos que mais falamos", conta.

Mestre em linguística e professora de graduação no campus da UnB em Planaltina e na pós-graduação no campus Darcy Ribeiro, Rosineide Magalhães de Sousa explica que o vocabulário de um grupo pode dar origem a variantes semântico-lexicais, ou seja, termos e palavras que são usados de uma forma própria, com um significado diferente do literal e do entendimento de pessoas de fora daquele círculo. Na UnB, ela destaca o uso de metáforas no "dialeto" dos estudantes.

"O legal é que os nomes que surgem são associados ao campo afetivo e a práticas sociais, além do humor, que é muito presente nessa linguagem dos estudantes. E pelas interações, esses termos vão se espalhando", diz. A professora destaca as diferenças geracionais, de vivências e até mesmo dos nichos e diferenças que surgem com os novos câmpus pelo DF. Muitas das gírias dos estudantes da década de 1980 já não se aplicam à realidade atual. 

No sexto semestre de ciências contabéis, Jefferson Soares, 22, ri de termos antigos como "digestivo", cigarro de maconha fumado após o almoço, e "morte lenta", comida do RU. Apesar do cardápio ter mudado, ele afirma que muitas refeições ainda se encaixam no nome nada lisonjeiro. Fã das lendas da universidade, repetidas para os calouros todos os anos, destaca o uso sexagenário de Ceubinho, que segue firme e forte, e o mais novo: Udefinho.

Ceolinos

Egressos do curso de geologia, Diniz Tamantini Ribeiro, 61, e Celso Scalambrimi Costa, 60, estudaram na universidade na década de 1980 e eram ceolinos, com muito orgulho. O termo se referia aos alunos que viviam no antigo alojamento estudantil.

O paulista e o mineiro também compartilham a lembrança do "leitão com ovos". A princípio, parece ser um prato antigo do bandejão, mas a expressão tem um aspecto um pouco mais político do que parece. José Leitão de Abreu era chefe da Casa Civil no governo Figueiredo e foi até a universidade, acompanhado de outros militares. Os estudantes protestaram contra a visita e os expulsaram.

"Acertaram um ovo nele durante a manifestação, e no dia seguinte, uma faixa enorme anunciava o suposto novo prato do bandejão, leitão com ovos", ri, Diniz. O C.O. virou Céu, a Casa do Estudante Universitário. O bandejão, onde Celso e Diniz comiam, virou o R.U. e as catacumbas se transformaram no submundo, mas os laços criados pelos "georiátricos", como tantos na universidade, são eternos.

Glossário 

Muitos se perderam, outros são específicos de determinados cursos e poucos atravessam gerações e se consolidam. Confira alguns termos do vocabulário da UnB:

RU: Restaurante Universitário, o antigo Bandejão

Ceubinho: corredor entre as alas Norte e Central. A entrada faz referência ao Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), que fica na 707 Norte.

Udefinho: corredor entre as alas Sul e Central do ICC. A entrada da universidade é associada ao Centro Universitário UDF, na 603 Sul

Iesbinho: novo Módulo de Apoio e Serviços Comunitários (MASC) Honestino Guimarães, em frente ao Minhocão

Tetas de Madonna: apelido do Centro Comunitário, devido à cobertura em lona branca e formato pontudo

Corredor da morte: corredor no subsolo do Minhocão onde ficavam os centros acadêmicos invadidos, como de antropologia

Beco diagonal: Anfiteatro 14, onde alunos escreveram, a parede, palavras referentes ao personagem da literatura e do cinema Harry Potter

Suco de vermelho ou de amarelo: maneira como os alunos identificam a bebida servida no Restaurante Universitário, já que ela não tem sabor

C.U: disciplina comunicação e universidade, a Faculdade de Comunicação

T.P.M: disciplina teoria política moderna

Anal POL: disciplina de análise política

Transminhocão: ônibus fictício que passa no subsolo do ICC transporta os alunos de uma ala para a outra. A lenda é transmitida aos calouros, que repassam a tradição quando se tornam veteranos.

Centro de Orientação (C.O): A sigla do Centro Olímpico, pouco conhecida pelos calouros, é aproveitada para o trote. Os veteranos indicam a área mais distante como um centro de orientação para novos alunos, o que não existe.

Monte Olimpo: Faculdade de Direito, onde os alunos se acham deuses. Essa é antiga, mas ainda sobrevive.

Pica-pau: como os alunos da engenharia florestal são chamados

Frango atropelado: frango mal cortado servido com legumes

Disciplina optatória: vista em nossa matéria publicada em 1982, a expressão ainda é popular. O nome é resultado da mistura entre optativa e obrigatória. De uma lista de matérias opcionais, o aluno é obrigado a escolher algumas.

Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2022/04/5000658-transminhocao-ru-pica-pau-udefinho-conheca-o-jeito-unbense-de-falar.html

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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