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E o amor sempre nessa toada:
briga perdoa perdoa briga.

Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.

Mas, se não fosse êle, também
que graça que a vida tinha?

Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito

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E o amor sempre nessa toada:
briga perdoa perdoa briga.

Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.

Mas, se não fosse êle, também
que graça que a vida tinha?

Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito

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O único escritor brasileiro, que eu saiba, que é filho de um escritor e uma escritora é Antônio Prata. Sempre tenho um livro dele à mão porque, se estiver lendo algo muito difícil ou muito triste, recorro a ele e o mal-estar passa. 

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Certas histórias de família são tão exemplares, mesmo que, nos detalhes, pareçam muito particulares, que vale a pena contá-las. Seguramente, muitos leitores saberão de casos semelhantes ocorridos entre seus ancestrais. Este é um episódio vivido pelos meus.

A vida da família Kahn nos anos 1920, em Alytus, Lituânia, foi melhorando à medida que os filhos iam crescendo. Como se dizia, para alimentar cada boca havia dois braços trabalhando. A família produzia leite e verduras na pequena gleba arrendada e toda a produção era vendida para ser utilizada por residentes das colônias de tuberculosos da cidade. Não que algumas doenças não acometessem este ou aquele, mas, em uma época em que parte substancial das crianças não chegava à adolescência, todos os filhos de dona Sara "vingaram" e vão aparecer em foto familiar, tirada em 1929 ou 1930, saudáveis e com ótima aparência.

A região era conhecida por ter surtos relevantes de tuberculose. Para se ter uma ideia, em levantamento feito na importante cidade de Kaunas, a uma hora de Alytus, entre alunos de 7 a 14 anos de idade, foi constatado que 80% deles eram portadores de tuberculose. Enquanto isso, dona Sara, viúva, responsável por nove filhos, conseguiu que todos sobrevivessem.

Há poucos relatos sobre o dia a dia da família nessa época, mas sabe-se que ela respeitava profundamente a cultura judaica, embora não se tratasse de gente muito religiosa. Vários filhos começaram a frequentar movimento juvenil sionista, particularmente o Hashomer Hatzair (Jovens Sentinelas) que pregava, junto com a vida em um kibutz em Israel, uma insubordinação aos dogmas religiosos, tanto os relativos à alimentação e à sexualidade, quanto aos ritos praticados na sinagoga.

Shlomó liderava o grupo dos filhos "esquerdistas". Fermina e Israel apoiavam suas ideias. Luiza, embora muito jovem, seguia o pensamento de Shlomó e frequentava o Hashomer. Enquanto o irmão, por temperamento, questionava publicamente as práticas conservadoras da comunidade, ela, dotada de muita inteligência social, procurava estender uma ponte entre as diferentes concepções. Mas, muitos anos depois, ela ainda se lembraria e cantaria para os filhos algumas marchas revolucionárias aprendidas nas reuniões do grupo sionista.

A família, numerosa, se bastava em muitos aspectos. Ela não demonstrava, publicamente, eventuais fissuras internas. Não se abria muito para fora, nem para a comunidade judaica, menos ainda para os lituanos cristãos. O desprezo com que os judeus eram tratados pelos não judeus, o incitamento antissemita nas igrejas e na escola não eram, de resto, fatores favoráveis a uma interação.

No final dos anos 1920, começaram a aparecer pequenos sinais assustadores. Mesmo vivendo agora com certo conforto, a família não deixou de observá-los: tentativas de boicote aos comerciantes judeus, "brincadeiras" cada vez mais pesadas com as crianças que frequentavam a escola estatal, vizinhos que passavam e "se esqueciam" de cumprimentar. Uma onda nacionalista varria então a Lituânia e os judeus, mesmo os que lá viviam havia seis ou sete séculos, passaram a ser considerados estrangeiros, tanto quanto os russos e os alemães. Avoluma-se a emigração para a América, para a África do Sul. A vida material não está ruim, mas, sabe-se lá o dia de amanhã...

Minha avó troca cartas com o irmão Jacob, que tinha emigrado para os Estados Unidos, quando esse país ainda recebia imigrantes judeus da Europa Oriental. Ele a aconselha a abandonar a Lituânia, mas não consegue os papéis para que a irmã entre na América. Vovó Sara troca ideias com a irmã e esta diz que também não conseguira um visto para os Estados Unidos, mas que decidira emigrar para o Brasil, que diziam ser um país com muito futuro.

Chane tem uma ideia: Que tal casar meu filho Shepsl (Simão, no Brasil) com uma prima, das muitas filhas que a irmã tem? Isso resolveria o problema de Shepsl, que já está em idade de casar. Assim ele viajaria com esposa. E poderia ajudar a família Kahn a tomar uma decisão: a noiva escolhida mandaria, do Brasil, informações de como é o país e a turma resolveria se valia a pena tirar, de uma vez, todo o mundo da Lituânia e ir para um lugar novo, sem tradição de antissemitismo.

Vovó Sara gosta da ideia da irmã. Resta definir qual das cinco filhas se casará com o primo. As duas pequenas ficariam fora da lista, mas ainda restavam três. Decidiu-se consultar as possíveis candidatas. Fermina ri muito com a ideia, ela quer alguém mais culto. Sobram Ester e Ana. Esta, por ser a mais velha, tem a preferência, e aceita o casamento de risco.

O rapaz aparece na casa dos Kahn. Quieto, muito sério. As meninas menores riem da irmã, que tenta fazer cara de séria, não é mais uma simples irmãzinha, é uma noiva. Os dois se casam. Ana, agora, pertence à família Kumpinski e parte para o Brasil.

Olhando para o acontecimento, quase um século depois, fico a pensar que esse casamento arranjado, estranho, sem amor, entre primos de primeiro grau, no final das contas salvou toda a família. Alguns indícios da tragédia que se abateria sobre todo o povo judeu havia sido captado pelas irmãs. Menos de um ano depois do enlace, minha avó, com os filhos, viria para o Brasil. A mudança de país fez com que a história dos Abelov (sobrenome de solteira da minha avó), dos Kumpinski e dos Kahn não acabasse em 1941, quando terminou, por conta dos nazistas, a história de seis séculos dos judeus de Alytus.


Jaime Pinsky: Historiador, professor titular da Unicamp, doutor e livre docente da USP, organizador e coautor de Novos Combates pela História (Editora Contexto)

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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