ALINE REIS
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Redação Jornal da Comunidade
Fabio: Rodrigues Pozzebom/ABrHaddad diz que, se tendência for mantida, Brasil atingirá meta de universalizar o ensino dos quatro aos 17 anos
A análise integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad) 2009, que investigou 399.387 pessoas em 153.837 residênc ias por
todo o país acerca de temas como população, migração, educação,
trabalho, família, domicílios e rendimento, e usou setembro como mês de
referência.
“A educação brasileira ainda está longe da ideal, mas
nunca esteve tão bem”, afirma o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Segundo ele, os números da Pnad coincidem com as estimativas do MEC. “Se
a tendência for mantida, a meta de universalizar o ensino dos quatro
aos 17 anos até 2016 será alcançada”, diz.
No fim de 2009 foi aprovada a Emenda Constitucional 59, que
estabelece o fim gradual da desvinculação das Receitas da União (DRU)
para a educação e a ampliação do ensino obrigatório e gratuito a todas
as etapas da educação básica.
De acordo com o IBGE, em 2009 existiam no Brasil 14,1 milhões de
analfabetos, o que corresponde a 9,7% da população com mais de 15 anos. A
Pnad estimou a taxa de analfabetismo funcional – percentual de pessoas
de 15 anos ou mais com menos de quatro anos de estudo – em 20,3%. O
índice é 4,1 pontos percentuais menor que o de 2004 e 0,7 ponto
percentual menor que o de 2008.
O Nordeste foi onde o analfabetismo
mais caiu entre 2004 e 2009 – de 22,4% para 18,7% –, mas apresenta o
índice bem acima das demais regiões, quase o dobro da média nacional.
Nessa região merece destaque também a redução do analfabetismo
funcional, em 6,6 pontos percentuais de 2004 para 2009.
Mais de 50 anos
Entre
os analfabetos, 92,6% tinham 25 anos ou mais, o que representava 12% da
população nesta faixa etária. Entre as pessoas de 50 anos ou mais, a
taxa de analfabetismo era de 21%. A Pnad mostrou ainda que a taxa de
analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais era maior entre os homens
(9,8%) que entre as mulheres (9,6%).
No Distrito Federal a pesquisa apresentou a segunda menor taxa de
analfabetismo do Brasil – 3,4% – e ficou atrás somente do Amapá. Em
relação a 2008, ela diminuiu 0,9 ponto percentual. “Entender o
analfabetismo no Brasil significa perceber qual a parcela que a gente
precisa atender. Temos uma parcela de brasileiros que não frequentou a
escola na faixa de mais de 50 anos. Então teria de ver o que a
Secretaria de Educação vai fazer para trazer essas pessoas para a
escola. Nós temos a Educação de Jovens e Adultos e estamos preparando
uma estratégia para o final deste ano”, explica Edilson Rodrigues,
gerente de educação de jovens e adultos da Secretaria de Educação do DF.
O governo federal colocou em ação o programa Brasil Alfabetizado,
que consiste em trazer para a rede pública cidadãos a fim de iniciar o
processo de alfabetização. Dentro do programa, no DF, entre a população
de 3,4%, a estimativa da Secretaria de Educação é de atender 10 mil
pessoas.
Entre alunos que frequentavam escolas públicas, no Brasil,
54,7% estavam na esfera municipal, 42,9% na estadual e 2,4% na federal.
As escolas municipais atendiam a maioria dos estudantes do Norte (55,5%)
e Nordeste (67,3%). De acordo com a meta estabelecida pela Conferência
Mundial de Educação de Dacar, em 2000, os países comprometidos devem
melhorar a taxa de alfabetização em 50% até 2015. O Brasil deve alcançar
6,7% de taxa de analfabetismo.
“A meta é factível, mas vamos ter de fazer esforço adicional para
alcançá-la. Para isso é preciso continuar apostando no regime de
colaboração entre União, estados e municípios”, diz Haddad.
Critério do IBGE sofre restrições
O pressuposto utilizado pelo IBGE para definir a quantidade de analfabetos funcionais não é aceito por outros institutos de pesquisa e por estudiosos da área.
“O que eles chamam de analfabeto funcional não é isso
tecnicamente, mas esse é um critério deles. Acontece que as pesquisas
mais qualitativas e pormenorizadas mostram que às vezes o indivíduo tem
oito anos de escolaridade e é analfabeto funcional. O que o IBGE diz que
aumentou é o número de pessoas com mais de quatro anos de escolaridade,
e é uma boa notícia. Mas concluir que essas pessoas são funcionalmente
alfabetizadas é um salto enorme”, afirma Stella Bortoni, professora da
faculdade de letras da Universidade de Brasília que já realizou
pesquisas em alfabetismo e analfabetismo funcional.
indicador define o analfabeto funcional
De
acordo com a estudiosa, o Instituto Paulo Montenegro, organização sem
fins lucrativos vinculada ao Ibope, possui subsídios para definir e
qualificar um analfabeto funcional. O Indicador de Alfabetismo Funcional
(Inaf) é um indicador que mede os níveis de alfabetismo funcional da
população brasileira adulta.
O objetivo é oferecer à sociedade informações sobre as
habilidades e práticas de leitura, escrita e matemática dos brasileiros
entre 15 e 64 anos de idade, de modo a fomentar o debate público,
estimular iniciativas da sociedade civil e subsidiar a formulação de
políticas nas áreas de educação e cultura.
“Eles trabalham com uma
pesquisa dividida em quatro níveis de alfabetismo. O último nível é que
define o alfabetismo pleno, 25% de brasileiros adultos são plenamente
alfabetizados. Dentro dos critérios do IPM, para ser considerado
plenamente alfabetizado, a pessoa tem que cumprir algumas tarefas,
responder perguntas, completar enunciados e ler e entender alguns
textos. No Brasil temos 75% de analfabetos funcionais”, explica Stella
Botoni, PhD em linguística.
A professora da UnB conclui que é importante a preocupação do
governo com o analfabetismo funcional, já que existem muitos alunos da
sexta ou sétima séries que não se qualificam como funcionalmente
alfabetizadas.
Taxas na infância
Entre as crianças de seis a 14 anos, a taxa de escolarização (percentual dos que frequentavam escola) era de 97,6% em 2009, 1,5 ponto percentual a mais que em 2004. Mesmo nas classes com renda inferior a 1/4 do salário mínimo per capita, a frequência à escola era de 96,5% para essa faixa etária, o que aumentava à medida que as condições econômicas se elevavam, chegando, nas famílias cujo rendimento era de um ou mais salários mínimos, a 99%.
O percentual de crianças de seis a 14 anos na escola foi superior
a 96% em todas as regiões do Brasil. Para os adolescentes de 15 a 17
anos, a taxa de escolarização em 2009 era de 90,6%, frente a 84,5% em
2008 e 85,2% em 2004; já entre os jovens de 18 a 24 anos de idade, os
percentuais eram de 38,5% em 2009, 24,2% em 2008 e 30,3% em 2004. Entre
as crianças de 4 a 5 anos, 86,9% estavam na escola, percentual
igualmente superior aos de 2008 (76,2%) e de 2004 (74,8%).
Apesar do
aumento nas taxas de escolarização, a Pnad mostrou que, em 2009, os
brasileiros de 10 anos ou mais de idade tinham em média 7,2 anos de
estudo.