Só entrei na Palácio do Planalto uma vez. Era o ano de 1994 e o pricipal coral da UnB, composto por cerca de trezentas vozes, se preparava para representar o país em um festival nos Estados Unidos. O então Presidente, Itamar Franco, convidou o Reitor, que repassou o convite aos diretores, para que assistíssemos no Planalto a uma apresentação do coral antes da viagem.  Chegamos _um grupo de umas vinte pessoas_  e fomos conduzidos ao salão nobre. Esperamos poucos minutos e o Presidente da República adentrou, muito elegante, vestindo um terno impecável. Causou-me uma  excelente impressão.Cumprimentou-nos , sentou-se conosco e  assistimos ao concerto. Ao final, despediu-se e saiu por uma porta que conduzia ao interior do palácio. Hoje quando soube da morte de Itamar Franco me lembrei desse episódio singelo. A sua solicitude e cordialidade me marcaram. Poderia pensar nele como o presidente que restaurou a autoestima do país depois do impeachment de Fernando Collor, ou como o governante que criou as condições para a implantação do Plano Real, que haveria  de pôr cobro a décadas de inflação desenfreada. Seria bom também pensar em Itamar Franco como um político que jamais transigiu com a corrrupção e com o uso do estado em benefício próprio.  Mas vou ficar com a imagem daquele homem elegante e cordial, que abriu as portas de sua casa e nos tratou com uma legítima hospitalidade mineira

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