Artigos

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Maria Cecilia Mollica (UFRJCNPq)

Fernando Loureiro (PR-5UFRJ)

 

In Português Brasileiro II: contato lingüístico, heterogeneidade e história. (UFFFAPERJ, 2008).

 

Objetivos

 

Este artigo tem como objetivo oferecer ao professor de língua, em especial, ao alfabetizador, subsídios sociolingüísticos à primeira etapa de aprendizagem do código escrito. Muito tem sido dito a respeito do tema, mas há pouca reflexão sobre o conhecimento de que o docente alfabetizador precisa para iniciar os alunos no processo de apropriação de leitura e escrita, respeitando-lhes o perfil sociolingüístico. Em muitos autores, encontramos a importância de qualificar adequadamente os professores para o trabalho com a linguagem.

Um ponto importante é sempre ressaltado: o falante nativo, aluno, já traz um conhecimento prévio de sua língua, a competência gramatical e a competência comunicativa. Dentre seu arsenal de conhecimentos, inclui-se a variedade que lhe é própria, seja rural, urbana ou rurbana, nos termos de Bortoni-Ricardo (2005). Essa questão é fundamental na medida em que o alfabetizador em formação tem que saber que os alfabetizandos possuem uma linguagem oral, seja prestigiada ou não prestigiada, que deve ser respeitada.

Assim, nossa meta é a de refletir sobre as contribuições da Sociolingüística no processo de formação de professores alfabetizadores em Educação de Jovens e Adultos (EJA), considerando a experiência de 4 anos, desenvolvida nos cursos de formação inicial e continuada do Programa de Alfabetização da UFRJ para Jovens e Adultos em Espaços Populares.

 

Variação inerente: o princípio da heterogeneidade

 

Além de oferecer aportes ao alfabetizador que lida com o conceito de analfabeto funcional, tal como discutido em Scliar-Cabral (2006), há que se introduzir conceitos da realidade das línguas naturais. O princípio da mudança lingüística não pode deixar de ser conhecido com as devidas adaptações para o professor em vias de qualificação. Essa questão é importante na medida em que o alfabetizador tem que saber que os educandos possuem uma linguagem oral plena de cancelamentos de segmentos sonoros e morfossintáticos, muitos dos quais são recuperados com dificuldade pelo aprendiz de escrita, dado que não processos de mudança avançada na língua.

A Teoria da Variação assume como pressuposto central a noção de variabilidade inerente ao sistema lingüístico (em essência heterogêneo), não aleatória, mas sistemática, podendo ser descrita e explicada. Por variação, entende-se a coexistência de duas ou mais formas para dizer a mesma coisa, ou seja, com o mesmo significado, e que se manifestam como características de indivíduos, regiões e estratos sociais. Como  afirmam Mollica & Braga (2003:11):

 

“Cabe à Sociolingüística investigar o grau de estabilidade ou de mutabilidade da variação, diagnosticar as variáveis que têm efeito positivo ou negativo sobre a emergência dos usos lingüísticos alternativos e prever seu comportamento regular e sistemático. Assim, compreende-se que a variação e a mudança são contextualizadas, constituindo o conjunto de parâmetros um complexo estruturado de origens e níveis diversos. Os condicionamentos que concorrem para o emprego de formas variantes são em grande número, agem simultaneamente emergem de dentro ou de fora dos sistemas lingüísticos.”

 

            Neste sentido, o conceito de “comunidade de fala”, um grupo social que compartilha uma visão comum sobre as normas de uso de uma língua, isto é, um conjunto de usos lingüísticos e uma forma de avaliação sobre essas variantes, assumiu importante lugar nas análises sociolingüísticas. Este conceito permitiu explicações mais amplas sobre a existência de marcas estilísticas e identidades sociais no discurso, como afirma Labov (1972:203):

 

“The existence of variation and heterogeneous structures in the speech communities investigated is certainly well-estabilished in fact. It is the existence of any other type of speech community that may be placed in doubt. There is a kind of folk-myth deeply embedded among linguists that before they themselves arrived on the scene there existed a homogeneous, single-style group who really “spoke the language” Each investigator feels that his own community has been corrupted from this normal model in some way - by contact with other languages, by the effects of education and pressure of the standard language, or by taboos and admixture of specialized dialects or jargons. But we have come to the realization in recent years that is the normal situation - that heterogeneity is not only common, it is the natural result of basic linguistic factors.”

 

As relações entre os conceitos de variação e mudança (“toda mudança resulta de variação, mas nem toda variação resulta em mudança”), se tornam então fundamentais para se trabalhar com determinados grupos sociais, ou comunidades de fala, como adultos em processo de alfabetização.

 

Análise de processos variáveis: a pesquisa em sociolingüística

 

A partir de aportes fundamentais da Lingüística, em geral, e da Sociolingüística, em particular, o alfabetizador em formação inicial vai adquirindo progressivamente o instrumental teórico necessário para um maior entendimento dos problemas comumente encontrados em classes de alfabetização de crianças e adultos, como os que envolvem processos variáveis em itens lexicais. Sobre o papel da posição na concordância nominal no Português, afirmam Naro & Scherre (2007:37):

 

“Scherre (1988) em sua tese de doutorado, retoma a análise da concordância nominal e demonstra que uma análise da concordância nominal que leve em conta apenas a variável posição linear encobre regularidades lingüísticas importantes e propõe uma análise alternativa que considera uma nova variável, advinda do cruzamento entre as variáveis: (1) posição linear; (2) classe nuclear e não-nuclear e (3) relação entre classe nuclear e não-nuclear.” (Naro & Scherre, 2007:37)

 

Em Mollica (2003), é apresentada uma pesquisa sobre concordância nominal com base nos parâmetros utilizados em Scherre (1988), observando o peso de variáveis como ‘marcas precedentes’ e ‘posição dos elementos no SN’. Refletindo a influência de uma variável relacionada ao processo de alfabetização (‘comsem instrução’ pedagógica para realização do exercício), os alfabetizandos tendem a marcar mais os elementos em segunda e terceira posição quando recebem instrução pedagógica, isto porque nas escolas se trabalha normalmente com SN’s do tipo “As meninas bonitas” (Art + Nom + Adj). Como observa Mollica (2003:74):

 

“Essa parece ser a configuração mais usada pelos falantes, em geral, e pelos aprendizes de escrita, pois é a encontrada nas cartilhas de alfabetização. Sendo assim, a instrução dirigida para marcar elementos à esquerda e à direita do segundo elemento do sintagma, geralmente nuclear, é indicada como estratégia de superação de problemas relacionados à marcação de plural na escrita dentro dos sintagmas nominais.”

 

Como observa Mollica (2003), durante o processo de alfabetização, é importante observar em quais itens ou contextos os fenômenos variáveis se apresentam mais claramente, assim como é necessária uma análise do perfil sociolingüístico dos alfabetizandos. A análise de dados de pesquisas de Sociolingüística Variacionista, publicados em teses e dissertações, assim como em revistas e anais de congressos, deveria portanto ser mais acessível ao alfabetizador através do professor formador.

 

Preconceito lingüístico e o princípio do respeito às variedades lingüísticas

 

Tomar consciência de que os sistemas lingüísticos naturais mudam significa que as línguas apresentam variação inerente e que existe o princípio da heterogeneidade. É importante observar que Weinreich, Labov & Herzog (1968), no estudo clássico “Empirical fundations for a theory of language change”, destacaram como pressuposto teórico central da Sociolingüística o caráter ordenado e social da variação e da mudança de uma língua numa comunidade de fala:

 

“Linguistic and social factors are closely interrelated in the development of language change. Explanations which are confined to one or the other aspect, no matter how well constructed, will fail to account for the rich body of regularities that can be observed in empirical studies of language behavior.”

 

Conseqüentemente, uma questão importante se apresenta para o alfabetizador: a compreensão de que as variáveis que caracterizam a influência da fala no processo de alfabetização estão relacionadas ao efeito de fatores lingüísticos e não lingüísticos, a exemplo do grau de formalidade do discurso, que atua de forma significativa quando o indivíduo estabelece parâmetros para falar e escrever “certo” e “errado”. Como observa Mollica, (2000:15), sobre o entendimento do continuum falaescrita:

 

“As marcas lingüísticas sujeitas à variação dependem da ação das variáveis estruturais, sociais e outras que tais, empregadas com maior ou menor probabilidade: uma taxa alta de um dado conjunto de marcas configura então um padrão lingüístico. Admite-se que exista pelo menos uma variedade (norma ou padrão) popular e uma variedade (norma ou padrão) standard. Entende-se por padrão culto um certo conjunto de marcas lingüísticas em acordo ou desacordo com os cânones da tradição gramatical: a variedade não-standard é própria da modalidade oral, utilizada em contexto informal, de discurso espontâneo, não planejado. Ela se diferencia da denominada variedade culta ou norma culta, que se compõe de empregos típicos de discurso planejado, utilizada predominantemente na escrita e comprometida com a tradição literária.”

 

Com base nesta fundamentação teórica, os alfabetizadores encontram referencial para compreender que fenômenos morfossintáticos no Português, como variação na concordância nominal, apresentam uma forte influência de fatores sociais. Tal fato torna necessária a elaboração de exercícios específicos com as marcas relacionadas às variantes padrão e popular, com o objetivo de se lidar com preconceitos lingüísticos relacionados a variedades características de cada um dos estratos sociais, tanto na fala quanto na escrita.

 

Propostas pedagógicas dentro e fora do texto

 

Entendemos que os tópicos em Lingüística aqui discutidos são de grande relevância para a formação do alfabetizador quanto à formulação de atividades pedagógicas em EJA pois fornecem instrumentos para se trabalhar com as informações obtidas nas aulas iniciais a serem realizadas com os alfabetizandos de sua classe. Neste sentido, afirma Mollica (2007:67):

 

“O arcabouço teórico-metodológico da Teoria da Variação, cujos pilares encontram-se no texto emblemático de Weinreich, Labov & Herzog (1968), apresenta-se como contribuição pontual ao ensino, já que subsidia teoricamente trabalhos sobre fatos lingüísticos variáveis, sua causa e seus contextos mais prováveis de uso. Tornou-se importante analisar o uso no seio das comunidades de fala, correlacionando os empregos variáveis da língua a aspectos lingüísticos e sociais, antes julgados como aleatórios, verificando-se a existência da heterogeneidade sistemática.”

 

Labov (2007:2), ao expor as bases de um programa de Letramento fundamentado nos pressupostos da Sociolingüística, evidencia a importância da ligação entre pesquisa e prática pedagógica:

 

The content and pedagogical approach of Spotlight is the result of ten years of research on the decoding abilities of struggling readers in low income schools. The decoding problems that are the focus of Spotlight have emerged from the results of intervention programs with almost 1,000 children in the 2nd through 5th grades of inner city schools in Philadelphia, Atlanta and Southern California, equally divided among White, African American and Latino children. The identification of reading problems and the approach to reading improvement draw upon three types of research:

(1) Linguistic analysis of reading errors in a computer-controlled pre- and posttest of the reader’s knowledge of graphemicphonemic relations.

(2) Sociolinguistic studies of children’s home language, in and out of school

(3) Studies of the relative success of various methods of countering alienation

from reading and the school process.

 

Por fim, é importante observar que Scliar-Cabral (2006) ressalta a importância de se investir na formação contínua do alfabetizador. Assim, os subsídios sociolingüísticos para a formação dos alfabetizadores devem apresentar as noções fundamentais a serem aprofundadas na formação continuada, de modo que possam formar o referencial do alfabetizador para a construção de seu próprio material pedagógico. Ao longo de sua experiência, os alfabetizadores realizam, então, por si próprios, a transferência de parâmetros entre letramento escolar e social.

 

Referências bibliográficas

 

BORTONI-RICARDO, S. M. “O estatuto do erro na língua oral e na língua escrita.” In: GORSKY, E. C. & COELHO, I. Sociolingüística e ensino: contribuições para o professor de língua. Santa Catarina, Editora UFSC, 2006, pp. 268-76.

 

BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna: a sociolingüística em sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.

 

LABOV, W. Sociolingüistics patterns. Philadelphia: University of Pennsylvannia Press, 1972.

 

LABOV, W. Spotlight on Reading. Philadelphia: University of Pennsylvannia, 2007.

 

MOLLICA, M, C. Influência da fala na alfabetização. Rio de janeiro: Tempo Brasileiro, 2000.

 

MOLLICA, M, C. Da linguagem coloquial à escrita padrão. Rio de janeiro: 7Letras, 2003b.

 

MOLLICA, M. C. Fala, Letramento e Inclusão Social. São Paulo: Contexto, 2007.

 

MOLLICA, M. C.; BRAGA, M. L. Introdução à Sociolingüística: o tratamento da variação. São Paulo: Contexto, 2003.

 

MOLLICA, M. C. & LEAL, M. “Português e Matemática: parceria indispensável em política educacional.” IN: DA HORA, D. et alii (orgs). Lingüística: práticas pedagógicas. Editora Pallotti, Santa Maria, 2006, pp. 33-54.

 

NARO, A.; SCHERRE, M. Origens do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

 

SCLIAR-CABRAL, L. “Revendo a categoria no alfabeto funcional.” IN: GORSKY, E. C. & COELHO, I. Sociolingüística e ensino: contribuições para o professor de língua. Santa Catarina, Editora UFSC, 2006, pp. 57-68.

 

Weinreich, U., Labov, W.; Herzog, M. Empirical fundations for a theory of language change. Directions for Historical Linguistics: a Symposium. Austin: University of Texas Press, 1968.


Portal Universia

Alunos que participam de programas de inclusão digital têm maior facilidade no aprendizado. A constatação é feita por professores acostumados a lidar com alunos que não têm acesso à Internet. De acordo com eles, a rede, além de facilitar o acesso à informação, ainda estimula a pesquisa. Os professores concordam que a Internet é um meio rápido para encontrar qualquer tipo de informação, inclusive para trabalhos universitários. Há alunos, no entanto, que não têm acesso à rede de suas casas e por isso não dominam a tecnologia. Eles acabam dependentes de programas de inclusão digital promovidos por diferentes entidades. Alguns deles encontram sua oportunidade de acesso na universidade.

Com acesso a Internet, o aluno passa a escrever e compreender melhor os textos. Uma vez inserido no ambiente on-line, ele vai querer mostrar aos colegas que tem boa escrita e boa base de conhecimentos. O estudante evita o erro e isso é um benefício indireto que a Internet proporciona, afirma o diretor do Instituto Universidade Virtual da UFC (Universidade Federal do Ceará), Mauro Pequeno. Quem concorda e confirma a explicação de Pequeno é o professor de Tecnologia Aplicada à Educação da UnB (Universidade de Brasília), Gilberto Lacerda Santos. Segundo ele, o contato com a rede ajuda os estudantes no processo de aprendizado. Os estudantes ficam aptos a manejar as tecnologias e, de maneira geral, isso os estimula a ampliar seus conhecimentos, declara Santos.

Tão importante quanto os benefícios que a rede proporciona, é o próprio acesso a ela. Por isso, Pequeno destaca a importância de haver programas que insiram os jovens na cultura das mídias. Atualmente temos a maioria das salas de aula que utilizam a metodologia tradicional e poucas aulas com uso das mídias tecnológicas. Porém, a tendência é que em alguns anos a situação seja invertida: a maioria das aulas será feita com o uso desses equipamentos, arrisca o diretor.

Um sinal desta possível tendência se revela nas próprias atividades em sala de aula. Isso porque, os trabalhos e atividades solicitados pelos professores em sala fazem com que os alunos busquem informações na Internet. Encontrar dados on-line é mais rápido. Nas escolas e universidades públicas ainda há menos pesquisas pedidas que dependam da Internet por, em muitos casos, haver poucos computadores disponíveis para os alunos, aponta Pequeno. Essa carência estrutural é apontada por Santos quando ele diz acreditar ser importante que a universidade ofereça infra-estrutura e participe do processo. Os jovens conseguem vencer as barreiras da exclusão rapidamente se a universidade dispõe da infra-estrutura necessária, afirma.

E quem imagina que os alunos excluídos digitalmente são isolados dos outros estudantes na sala de aula, está enganado. De acordo com Santos, a solidariedade é comum e os alunos costumam ajudar uns aos outros. Os jovens que têm computador em casa geralmente ajudam os alunos que não sabem lidar bem com a tecnologia, garante. Segundo ele, apenas com a ajuda de colegas de sala que tenham contato com a Internet, é possível para o estudante entender o básico. Os programas acrescentam muito e auxiliam o aprendizado do estudante com o manejo apropriado do equipamento, diz Santos.

Credibilidade da informação

Mas antes de abusar do uso da Internet como fonte de informação, é preciso lembrar que nem tudo o que está no ambiente on-line merece credibilidade. Professores ressaltam que não se pode confiar em toda informação disponível na rede. Muitas das buscas realizadas podem tornar-se improdutivas por falta de qualidade do conteúdo. Buscar dados pela Internet é apenas uma ferramenta mais rápida para encontrar informações. Todos os programas de inclusão digital devem ensinar o jovem a fazer um bom uso da tecnologia que lhe é disponibilizada, afirma a professora do departamento de História da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Regina Helena Alves da Silva.

Na dúvida quanto à qualidade da informação, Regina diz que os estudantes podem encontrar os mesmos temas que estão na internet a disposição numa biblioteca. Dessa forma os estudantes podem ficar mais seguros quanto ao conteúdo que pretendem usar em seus trabalhos. As informações que existem publicadas na Internet vêm de dados facilmente encontrados em livros, nas bibliotecas das universidades, pontua a professora.

Outro aspecto que desperta dúvidas quanto eficiência da internet como fonte de informação é sua possível má utilização. Por causa da facilidade com que o conteúdo é oferecido muitos alunos copiam textos dos colegas ou de qualquer site da Internet, sem ligar para a procedência da informação. Os estudantes deveriam realizar pesquisas em sites confiáveis no assunto abordado. Jogar as palavras-chaves do que procuram em qualquer página de pesquisas pode trazer resultados que não têm credibilidade, alerta Regina. Além de correr riscos quanto à precisão dos dados, podem cometer o erro de plagiar trabalhos existentes.

Professores podem contribuir

Quando os professores oferecerem uma aula com maior conteúdo que envolva mídias tecnológicas, os alunos excluídos digitalmente correm o risco de ficar para trás. Se eles não têm o domínio da tecnologia, não conseguirão acompanhar as aulas, podem até se sentirem num mundo desconhecido, afirma Pequeno. Segundo ele, alguns professores deixam de abordar as novas tecnologias em sala por não a entenderem. Há muitos professores que também não dominam facilmente a tecnologia. Por isso, sua aula se dá de forma tradicional, sem aguçar a curiosidade dos alunos quanto ao manejo de computadores, um conhecimento necessário aos estudantes, por estarem presentes em praticamente todas as empresas, explica Pequeno.

De acordo com o diretor do Instituto Universidade Virtual, o primeiro passo é procurar programas destinados a incluir o professor digitalmente e treiná-los para utilizar os meios tecnológicos em sala de aula. Professores que já dão aulas podem procurar programas que os ensinem a usar a Internet e outras mídias tecnológicas de uma forma didática. Mas o ideal é que daqui em frente os professores já saiam da graduação com esse conhecimento. Para isso, as universidades devem rever a estrutura de suas licenciaturas, acrescenta Pequeno.

Santos concorda com a opinião de Pequeno e acredita que há meios corretos para que o docente estimule seus alunos a aprender a usar as mídias digitais disponíveis. O professor pode estimular alunos excluídos a conhecerem as tecnologias. Para isso, é preciso que sejam promovidas situações adequadas para o uso da tecnologia digital na educação, diz Santos.

Segundo Santos, as situações adequadas se dão quando o professor pode ilustrar o que fala com o uso da tecnologia. Se o professor faz tópicos de sua aula no computador e projeta para a sala, por exemplo, não será uma contribuição para o aluno. Mas se ele der uma aula que fale sobre outro continente e, com o uso da Internet, mostre um mapa para ilustrar cada detalhe explicado, é a maneira certa de despertar a curiosidade do aluno. Dessa forma, ele vai querer procurar o site usado pelo professor para se aprofundar no assunto, exemplifica Santos.

 

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O sem-teto Severino Manoel de Souza nos pegou a todos de surpresa quando em 2006 sua história chegou à mídia. O catador de papel havia inaugurado em setembro de 2005 uma biblioteca com livros encontrados no lixo em um prédio invadido no centro de São Paulo, na Avenida Prestes Maia. Os usuários eram os próprios moradores do prédio, cerca de 1.800 pessoas devidamente cadastradas em um computador doado a Severino. No acervo, entre os mais de 16 mil títulos, Machado de Assis, Érico Veríssimo, Jorge Amado, Gabriel García Márquez e tantos outros. O prédio foi desocupado e Severino ficou sem o seu acervo.

Com a perseverança que só os corajosos têm, o pernambucano nascido no sítio Olho DÁgua Seco montou em Itapecerica da Serra, em São Paulo, uma nova biblioteca que já conta com 4.500 títulos. Para ele, Machado de Assis é o preferido e, durante a entrevista à Revista da Cultura, comentou que neste ano são comemorados os 100 anos da morte do escritor e colocou até uma placa na sua biblioteca lembrando o público sobre a data. Severino diz que aprende muita coisa boa nos livros e gosta especialmente de romance e poesia. E ele é realmente um apaixonado por livros. Para mim, são como uma boa sobremesa. Hoje mesmo, depois do almoço, achei um livrozinho de Camões, sentei na beirada da cama e fiquei lendo.
A história de Severino contraria todas as estatísticas e também os nossos aparentes motivos para não pegarmos um livro para ler. Meus pais nunca leram pra mim ou ainda a professora só dava coisa chata são as principais respostas às perguntas sobre o fato de alguém não ter o hábito da leitura.

Culpas a parte, o que pode ser feito realmente para mudarmos o quadro apresentado nas pesquisas - veja o resultado da mais recente delas no box da página ao lado (*) - e começarmos enfim a desenvolver o gosto pelos livros? Não existe propriamente uma receita. Digo sempre que quem não lê não sabe o que está perdendo, afirma o bibliófilo José Mindlin. Inicialmente, é importante apresentar a leitura como fonte de prazer, e não como obrigação, ressalta. Tanto a família como a escola podem ser instrumentos fundamentais para despertar esse interesse. Colocaria a família em primeiro lugar, mas, na hipótese de esta não ter biblioteca ou interesse pelos livros, passaria essa responsabilidade à escola, onde a tarefa poderia ter condições de ser executada, complementa Mindlin.

Para Pedro Herz, presidente da Livraria Cultura, os pais são os principais responsáveis pelo incentivo à leitura. Antes de adquirir o hábito, os filhos querem imitar os pais. Um bom leitor se faz fundamentalmente em casa, mas toda colaboração através de exemplos é sempre muito útil.

Uma das sugestões de Mindlin para disseminar o gosto pela leitura é que existam muito mais bibliotecas públicas e escolares: Nos Estados Unidos, por exemplo, qualquer cidadezinha tem uma biblioteca circulante que, se não possuir o livro procurado, trata sempre de obtê-lo, diz o bibliófilo. Ter o livro não devia ser condição de leitura. O acesso a estes deve ser feito por bibliotecas públicas e escolares, independentemente dos esforços para estabelecer o contato mais pessoal de crianças e jovens com o livro, explica.
É preciso formar leitores

O Brasil tem hoje cerca de 650 municípios sem nenhuma biblioteca, mas há números que são promissores. Segundo José Castilho Marques Neto, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, o PNLL, articulado pelos ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC), que reúne um conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas, há aproximadamente 5 mil bibliotecas públicas, 10 mil comunitárias e quase 55 mil escolares. É um número já expressivo, embora saibamos das imensas deficiências de acervo, instalações etc., diz Castilho. Quanto às livrarias, falta um número ainda maior, conforme o levantamento da ANL, principalmente se pensarmos que o número das 2.600 livrarias existentes cobre cerca de 600 cidades do país, explica o secretário.

Revista da Cultura, ed. 11, jun. 2008.
(*) O texto integral, incluindo dados estatísticos, está disponível no sítio da revista:
www2.livrariacultura.com.brculturanewsrc11index2.asp?page=reportagem01

Fonte: CVL

Categoria pai: Seção - Notícias

Variationist Sociolinguistics[1]

 

Stella Maris Bortoni-Ricardo

 

T

he evolution of two basic premises in 20th-Century structural linguistics created the conditions for the emergence of variationist sociolinguistics as an interdisciplinary field. These premises are cultural relativism and orderly linguistic heterogeneity. Cultural relativism is an anthropological tradition inherited by linguistics, according to which no culture or language of a speech community is classified as inferior or underdeveloped irrespective of the level of Western technology that the speech community has achieved. Under the influence of the principle of cultural relativism, linguists posited the ‘functional equivalence and essential equality of all languages, and rejected mistaken evolutionary stereotypes’ (Hymes, 1974, p. 70). At a first stage the relativistic premise applied to comparisons across languages but when the orderly heterogeneity premise was postulated by variationist sociolinguists in the late 60’s, it evolved to comparisons across different varieties or styles of a same language. No variety within a language would be considered inherently superior to the others as concerns its structure even though functional distinctions among them would be acknowledged.

These new assumptions have motivated a group of linguists to describe the orderly differentiation in many languages. They developed empirical studies of language samples recorded in natural settings and started to correlate linguistic variation with social factors such as ethnicity, regional background, socioeconomic status, age brackets, gender, formality of the interaction and so on as well as with structural linguistic factors. The data so gathered received a quantitative treatment.This treatment was made possible with the introduction of the concept of variable rules, that are designed to meet a general principle of accountability, as Labov (1972, p. 94) explains: ‘Any variable form (a member of a set of alternative ways of “saying the same thing” should be reported with the proportion of cases in which the form did occur in the relevant environment, compared to the total number of cases in which it might have occurred.’ The quantitative treatment was mathematically refined by David Sankoff and associates (see Sankoff, 1988). For each area of variation in a given language it is necessary to identify the constraints that are determinants, in a statistical sense, of the relative proportions of each variant of the variable rule, i.e. of each possible realization of the variable rule. The constraints (also referred to as factors) can be defined as forces that operate simultaneously to make the application of the rule more or less probable (Naro, 1981). There is presently a computer program with several versions, known as VARBRUL, that operates this quantitative analysis with much refinement (Pintsuk, 1988).

EARLY DEVELOPMENTS

From its outset in the 1960’s, variationist sociolinguistics argued in favor of the essential equality of the varieties of any language and had to deal with correlations between a child’s dialect with her educational achievement. In fact, the reading achievement of children from nonmainstream families or from ethnic minorities was in the 1960’s - and still is - well below the national norms in several countries. An example of this is given by Stubbs (1980, p. 141) who reproduces the results of a reading survey carried out by Kellmer-Pringle et al., in 1966, in the United Kingdom. They grouped I 1,000 seven-year-olds into three categories: good, medium and poor readers, using as a parameter their performance on the Southgate word-recognition test. The percentage of poor readers in the upper classes was 7.1 per cent; in the middle class it was 18.9 per cent; in the lower classes, the percentage went up to 26.9 per cent.

Stubbs points out that the study may have a bias toward the overestimation of the reading abilities of upper class youths but nonetheless results like these were consistent with nationwide school achievement of minority children and many scholars tended to explain them with the hypothesis derived from Basil Bernstein’s theory of social codes. Children from the lower classes were speakers of what Bernstein (1971) called restricted code and were deprived at home of the linguistic skills necessary to successful learning. This fact, some influential educators argued, had a negative effect on their cognitive abilities. This explanation came to be known as the deficit model. The sociolinguists found this hypothesis not convincing at all and offered an alternative explanation that was known as the difference hypothesis. They argued firstly that 0 languages and dialects were systematic and showed an equivalent structural complexity, and secondly that the dialect speakers possessed the same capacity for conceptual learning as speakers of more prestigious varieties. As they discussed the differences between nonstandard varieties and the school language, they started to search for other explanations for the reading failure of economically deprived children. Nothing was intrinsically wrong with the children’s linguistic forms, they argued, but with society as a whole, and that included the teachers, who regarded these forms as a sign of stupidity. As Wolfson (1989) observes, the notion behind this attitude was that nonstandard speakers were attempting to speak English (the standard variety) but were too lazy or sloppy and ignorant to succeed. A seminal article written with the purpose of demonstrating the verbal and cognitive capacity of ghetto children was Labov’s (1969) The Logic of Nonstandard English (see the review on non-standard varieties by Corson in volume 1).

The variationist sociolinguists’efforts in regard to the AfTican American Vernacular (AAV) at this point followed two related trends: 1) to reject vehemently the deficit model and the remediation educational policy that it gave rise to; and 2) to explore the relationship of language to reading and new approaches to teaching reading. This is well documented in a collection of papers edited by Joan Baratz and Roger Shuy in 1969 in the Center for Applied Linguistics of Washington, D.C. (Baratz & Shuy, 1969). The general assumption shared by the authors in the volume was that reading problems originated from differences in the linguistic systems of AAV and Standard English as well as in the mismatch between the African-American children’s cultural orientation and the school’s expectations. Labov (1969) made a clear distinction between structural conflicts stemming from differences between linguistic structures, and functional conflicts, which are a cross cultural phenomenon. For him, ghetto children’s reading problems were rooted in a situation of reciprocal ignorance where teachers and students were ignorant of each other’s system. He strongly recommended that teachers learn to make a distinction between differences in pronunciation and grammar and mistakes in reading.

Several authors of the volume proposed the use of dialect readers whereby children would be taught to read first in their dialect and then transfer the reading skills to the standard variety. They believed that if the primers were written in the dialect, the child would be spared the double load of learning to read and also learning a new variety of English. As Shuy (1969, p. 117) put it ‘ the child would read adequately if the material and method were consistent with his linguistic behavior patterns.’ This dialect reading method was identified by Stewart (1969) as a native-to-foreign approach to literacy. There was a strong and a weak version of it. The former advocated the use of a special orthography which would reflect more closely the dialect pronunciation. The weak version accepted Fasold’s contention that alphabetic symbols represent phonological segments on a more abstract level and ‘therefore the main, conventional English orthography is as adequate for Black English speakers as it is for Standard English speakers’ (Fasold, 1969, p. 85). This is presently a well established point (see Stubbs, 1980).

Despite the initial academic enthusiasm, the dialect reader proposal did not prove to be a solution to the reading underachievement of socially marginalized children as the pioneer variationists expected it to be (see Toohey, 1986). Fasold (1990) points out that the idea of teaching children in a stigmatized variety was distressing to society at large, which traditionally holds the standard written variety in high regard. Indeed, such proposals raised much controversy in the U.S. and Europe. Cheshire et al. (1989, p. 7) for example refer to the pamphlet The Language Trap written by John Honey in 1983, which claimed that the doctrine of equality spoused by linguists and sociolinguists was contributing to the declining moral and educational standards in British schools.

There are however reports of good results of the use of spoken dialect in the classroom. Edwards (1989) argues that such use represents a move to a child-centered philosophy that builds on existing knowledge. Accordingly, Bull (1982) claims that Norwegian dialects have been acknowledged in Norwegian schools for over 100 years and this approach has proved successful. Nonetheless the prevailing position nowadays is stated by Fasold (1990, p. 279): ‘At the moment, it seems that language differences are not the greatest problem in teaching reading. Labov would agree, although he is convinced that black and white vernaculars are diverging.’ For Labov (1987, p. 10) ‘the primary cause of educational failure is not language differences but institutional racism.’ But he acknowledges that linguists have yet to make a significant contribution to better school curriculum. According to him (p.c.) the main issue to be investigated is whether or not the nonstandard features in the reading of a dialect speaking child preclude hisher understanding of the reading content. On this issue, Fasold (1990) argues that a teacher can be even more confident that the child understood what she is reading when she translates a standard form of the text into a dialect one, rather than simply decoding the standard forms.

MAJOR CONTRIBUTIONS AND FUTURE DIRECTIONS

We have seen that over the past 30 years the use of dialect in the classroom has been a very debatable issue. As Edwards (1989, p. 317) notes, ‘the co-existence of standard and dialect grammar is now widely recognized as giving rise to problems in educational systems.’ Wolfram & Christian (1989) deal specifically with these problems and emphasize that the notion of grammmatical correctness is always a subjective judgment. Every student should be taught the written standard, as well as the regional oral standard. But they recommend that teachers should take as parameter the social acceptability and not the linguistic acceptability of any particular form. In order to do this teachers must be aware of linguistic variation and information concerning dialect diversity must be part of the school curriculum (see the reviews by Corson in Volumes 1 and 6).

Thus, the current trend is not to choose between the standard and the dialect as a medium of instruction, but rather to consider both varieties as functional components of the teachers’ and the pupils’ repertoire. In a study that combined ethnographic observation and quantitative analysis in a rural school in Brazil, Bortoni-Ricardo (1996) identified four types of teacher-led events according to their interactional configurations, ‘marked by ways of speaking, ways of listening, ways of getting the floor and holding it, and ways of leading and following’ (Erickson & Schultz, 1977, p. 6).

The first type of event was made up of highly context dependent short utterances. The second one consisted of longer stretches of instructional conversation. They were both typical events of orality. The third type was the three-part exchange structure made up of teacher initiation (I), pupil response (R) and teacher evaluation (E) (see Sinclair & Coulthard, 1975). The fourth type of event can be classified as an event of secondary orality, as it consisted of readings or of expositions based on a written plan. The events were divided into utterances and a VARBRUL analysis was carried out. The dependent variable was the utterance and two variants were postulated: utterances produced in colloquial standard Portuguese and utterances produced in popularrural Portuguese. The analysis showed that literacy-related events were carried out mostly in the standard whereas orality-related events were performed in a non-standard variety of Brazilian Portuguese.The continuum of events from type 1 to type 4 runs parallel to a continuum of standardness. The results also showed that classrooms are multidimensional sociolinguistic domains where teachers intuitively monitor their speech according to a widespread system of beliefs regarding school literacy.

This evidence hinges on the debatable issue that basic linguistic traits are not transmitted across group boundaries simply by exposure to other dialects in the mass media or in schools (Labov & Harris, 1986). Of course it is not expected that schools will influence the students’vemacular. Rather the purpose of language teaching in schools is the development of monitored styles that are superimposed on the vernacular. And in fact there is much evidence that the school contributes to the enlargement of the pupils’ stylistic repertoire.

A variationist study of noun phrase agreement in interview style carried out with 4th graders and their parents in a school in Brasilia brings striking evidence of the role of schooling in imparting the linguistic resources that are necessary for the performance of monitored styles (Freitas, 1996). The frequencies of noun phrase agreement in the mothers’ speech were 0%; 26%; 32%; and 84%. In their children’s speech the frequencies were, respectively, 94.4%; 100%; 85.7%; and 100%. A similar pattern of differences in the speech of literate youths and that of their illiterate parents was described in a low-income community in Brazil (Bortoni-Ricardo, 1985), as well as in bilingual contexts.

The influence of school on language acquisition is well demonstrated in a survey using variationist methodology carried out among students enrolled in Ontario’s French-language schools, with the twofold purpose of 1) assisting in the evaluation of the students’proficiency in French and 2) providing data which could be used to develop materials for the teaching of French (Mougeon & Beniak, 1991). Percentage of francophones in the communities where the students came from, use of French at home and grade level were the independent variables in the study. The dependent variable was mastery of the reflexive pronouns in French. The results showed that the students that were predominant users of English at home did not reach the level of mastery of reflexive pronouns in French achieved by grade 2 students from French-speaking homes and led to the argument that it is unrealistic to expect that schooling in a minoritysecond language setting will on its own ensure full development of skills in that language. On the other hand, however, it is noteworthy that there was an increase from 35% to 75% in French proficiency of the students from non-French speaking homes throughout their schooling years. This is evidence of the success of the French program in the schools.

In a recent volume dedicated to the description of variation in the speech of Rio de Janeiro (Silva & Scherre (eds.), 1996) Silva and Paiva discuss the influence of the factor of education on language variation and give a detailed description of 22 variationist studies in Portuguese, in English, in French and in Spanish, in which the lower frequency of the stigmatized variant correlates with the higher levels of schooling.

Finally, there is a trend toward application of variationist findings to the development of teaching materials. Mollica and associates (1996) have been conducting school experimental research in which the experimental treatment is the training of pupils with exercises based on results of variationist studies. The observed outcomes of their work show that this type of teaching can be very effective. Three basic principles are followed in the designing of the exercises: 1) going from larger units to smaller ones (e.g. from discourse to the sentence; from word to phoneme etc.); 2) going from most frequent to least frequent forms; and 3) going from most probable to least probable occurrences.

Over the thirty years of its existence, variationist sociolinguistics has made many contributions to education and has offered quantitative tools that can be used in combination with other approaches in the effort to better the school performance of nonstandard speaking pupils. It has also been the target of much criticism and has certainly overcome the stage of naive belief that the study of variation by itself could solve all educational problems. The main problem, as Labov (1987) has claimed, is not language difference but institutional racism (see the reviews by Baugh in this volume and in Volume 1). However, information on language heterogeneity is a valuable instrument to help fight social inequalities and ethnic prejudices. In order to treat children equally their cultural and linguistic differences must be considered.

 

University of Brasília

Brazil.

 

REFERENCES

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Wolfram, W. & Christian, D.: 1989, Dialects and Education: Issues and Answers, Prentice Hall, Englewood Cliffs, NJ.

Wolfson, N.: 1989, Perspectives - Sociolinguistics and TESOL, Newbury House Publishers, New York.



O Brasil não avançou no ranking dos países que mais contribuem com a publicação e citação de textos científicos em revistas especializadas. O país manteve a 15ª posição na lista de quantidade de artigos produzidos entre os 40 países que fomentaram 98,2% de todo o conhecimento produzido no mundo em 2007. Em primeiro lugar, estão os Estados Unidos (30,95%), seguidos pela China (9,33%) e Alemanha (7,84%). A produção nacional representa 2,02% do total. Quando a questão é a qualidade dos artigos, a posição do Brasil vai para o 25º lugar. Ao todo, 19.428 artigos assinados por brasileiros no ano passado saíram em uma das 10 mil revistas especializadas que fazem parte do banco de dados do Institute for Scientific Information (ISI). A entidade, com sede nos Estados Unidos, compila informações acadêmicas de 178 nações.

Apesar de não figurar entre os primeiros do ranking, o país tem a melhor colocação entre os países da América Latina e está à frente de países como Suíça, Bélgica, Dinamarca e Suécia. “Saltamos pela primeira vez para mais de 2% da produção científica produzida no mundo”, destaca o ministro da Educação, Fernando Haddad. Em 2006, a participação de artigos assinados por brasileiros no mundo foi de 1,92%. “Nós utilizamos isso para detectar áreas que são importantes para o país e que têm uma produção que não está compatível com a demanda e a riqueza do país”, observa o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CapesMEC), Jorge Guilherme.

O Brasil aplica R$ 200 mil em pesquisa. Com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Ciência e Tecnologia o investimento deve chegar a R$ 1,5 milhão, até 2010. Especialista na área de cientometria (estudo do comportamento da ciência), o professor da Universidade de Brasília Marcelo Hermes-Lima diz que se fosse feito uma relação entre citações e artigos, o país “despencaria” no ranking. “Está todo mundo produzindo loucamente para garantir verba para pesquisa. Em vez de contar a história toda, vai contando em pedacinhos”, reclama.

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