Nota boa no Enem vai muito além do esforço pessoal
O esforço pessoal não é a única característica que conta pontos no Exame Nacional do ensino médio (Enem). Um estudo do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) revela que as condições socioeconômicas interferem diretamente no desempenho dos estudantes
Carla Nascimento
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O esforço pessoal não é a única característica que conta pontos no Exame Nacional do ensino médio (Enem). Um estudo do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) revela que as condições socioeconômicas interferem diretamente no desempenho dos estudantes.
Entre os itens avaliados, o que mais chama a atenção é a Escolaridade da mãe. A cada ano de estudo adicional da mãe, o aluno tem, em média, 7 pontos a mais na nota objetiva. A renda da família e o fato do estudante ser de Escola particular também influenciam positivamente nas notas.
A primeira surpresa foi a Escolaridade da mãe interferir mais no resultado do que o nível de renda da família. A hipótese por trás disso é que a mãe com boa Escolaridade dá valor à Educação. Então, ela estimula o filho, cobra e participa, afirma a diretora-presidente do instituto, Ana Paula Vitali Janes Vescovi.
Mas essa não foi o único dado inesperado. A pessoa que estuda e trabalha perde, em média, 1,5 pontos na nota objetiva do Enem. Já quem tem filhos perde 1,1 pontos. O fato do aluno trabalhar atrapalha mais do que ter filhos. Mas isso tem que ser olhado da seguinte forma: entre só trabalhar e só estudar, é melhor só estudar. Mas se o aluno precisa da renda para garantir a sobrevivência, ele deve trabalhar e estudar, opina.
Estudo
A diretora-presidente explica que a intenção inicial do estudo era traçar uma relação entre o desenvolvimento dos municípios que apresentaram bons desempenhos com a qualidade da Educação. No entanto, os números de cada localidade não foram suficientes para isso. A solução foi partir para análise das características dos indivíduos.
A metodologia utilizada permite ainda estender os resultados para os alunos do ensino médio que não participaram do Enem. A crítica que poderiam fazer é que nem todos os que fazem o Enem representam o universo de estudantes nessa faixa etária. Isso porque eles fazem o exame com um propósito, partir para uma bolsa de estudos ou fazer o vestibular. Portanto, aplicamos uma metodologia estatística para corrigir o que chamamos de viés de seleção. Ela mostra que praticamente todos os dados se confirmam, diz Ana Paula.
Além de boas Escolas, muitas horas de estudo
Daniela Alves Nemer, 19, faz parte do grupo de alunos que tiveram nota considerada boa ou excelente no Enem 2008. Ela acertou mais de 80% da prova objetiva e da redação. O bom desempenho no exame se repetiu no vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e ela conquistou uma vaga no curso mais disputado: Medicina. A seu favor, Daniela tem algumas das características constatadas como positivas pelo estudo do Instituto Jones dos Santos Neves.
Sempre estudou em Escolas particulares, vem de uma família pequena - com quatro pessoas - e é filha de uma médica com pós-graduação. Mas sua situação socioeconômica não merece todo o mérito. A jovem lembra que estudava durante o período da manhã e da tarde na Escola e continuava os estudos até altas horas da noite, em casa. No primeiro semestre chegava a estudar até as 2 horas da madrugada, todos os dias. Mas, depois, tive que diminuir o ritmo, porque estava muito cansada. Ainda assim, estudava cerca de cinco ou seis horas por dia em casa, lembra a jovem.
Comer rapidamente corta hormônios da saciedade, mostra estudo
Um estudo realizado na Grécia sugere que comer uma refeição rapidamente corta a liberação de hormônios que induzem a sensação de saciedade, o que frequentemente pode levar a comer além do necessário.
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A associação entre comer apressadamente e ingerir alimentos demais já era conhecida, mas esse estudo inédito traz uma explicação provável para essa relação ao mostrar que a velocidade com que uma pessoa come pode impactar na liberação dos hormônios do intestino que avisam ao cérebro que chegou a hora de parar de comer.
No estudo, os voluntários tomaram 300 ml de sorvete a diferentes velocidades.
Os cientistas retiraram amostras de sangue dos participantes antes e depois da refeição e descobriram que os que demoraram 30 minutos para tomar o sorvete inteiro tinham concentrações mais altas dos hormônios PYY e GLP-1 e tendiam a sentir-se mais satisfeitos do que os que acabaram antes. (Fonte: Folha Online)