A Brasília que não lê

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A memória da gente é muito seletiva e imprevisível. Nesta noite insone, sem  quê nem por quê, um episódio de  muitos  anos atrás me ocupou a mente. Julguei até que tivesse cochilado um pouquinho e sonhado com isso. Mas não foi sonho não. É só lembrança.

Era o meu primeiro ano como professora da UnB _ de fato , auxiliar de ensino _ . Eu fazia mestrado nas terças e quintas e ministrava uma disciplina para calouros,  “Leitura e produção o de textos”, de manhã e de tarde, nos outros dias da semana.

Naquela época era comum que funcionários públicos, civis e militares, fossem transferidos para Brasília e se valessem do instituto da transferência obrigatória para seus familiares, que tinham assim ingresso automático, sem vestibular, no ensino superior.

Pois um dia,  entre uma aula e outra, eu estava estudando em minha sala quando chegou um casal a minha procura. O homem logo se apresentou: era coronel do exército. A mulher era minha aluna. Eu os recebi bem, mas percebi que ele estava bastante irritado:

_ Eu vim aqui pra saber por que a senhora (?)... você (?) deu uma nota tão ruim para minha esposa.  Ela é pessoa culta e não merece essa nota. E brandia o texto próximo ao meu rosto.

De início não me dei conta do que estava acontecendo.  Não era possível : Ele me ameaçava para eu alterar a nota da mulher !

Pedi para ver a redação. Havia alguns erros marcados e uma recomendação relativa a um deles.  Com voz muito cerimoniosa falei:

_ Olha, meu senhor. Sua esposa é muito educada e boa aluna, mas neste exercício cometeu pequenos erros e por isso atribuí a ela a menção MM, que é uma menção média. Não só a ela. Muitos outros alunos também receberam a menção MM. Ela me disse que ficou muito tempo sem estudar. Imagino que em breve já estará mais  familiarizada com a elaboração de redações. Se quiser, poderá vir conversar comigo para que  eu lhe explique por que cada uma dessas estruturas marcadas foi apenada como erro.

_ Imagino que  a senhora(?),... você(?) goste de trabalhar aqui.

_ Não só gosto como preciso. Sou viúva e sustento três filhos pequenos.

O diálogo continuou, assimétrico, meu interlocutor mantendo o mesmo tom ameaçador. A mulher parecia envergonhada. Permaneceu quieta. Felizmente, após algum tempo eles se foram, levando a redação com a nota MM.  Respirei aliviada.

Nos dias seguintes  fiquei ressabiada, temendo que fosse ser chamada à reitoria. Mas isso nunca aconteceu. Jamais relatei o episódio a ninguém. Faço-o agora, preservando devidamente os anonimatos.

Brasília 2 de março de 2016

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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