A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

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O Projeto Leitura, tem como objetivo vencer um dos maiores desafios encontrados pelos professores e amantes da literatura: Criar o hábito da leitura.

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Stella Maris Bortoni-Ricardo ( Professora, UnB)

 

 

Tomo emprestado a Mário de Andrade parte do título deste texto. É que no Brasil usamos  esse  verbo, quase sempre, como verbo intransitivo. Mas o verbo é transitivo, tem objeto direto e indireto.

Quem rouba, rouba alguma coisa de ( ou a ) alguém.

É comum ouvirmos. Todos nós roubamos, ou pelo menos, todos os políticos roubam, não são apenas os de meu partido.

É forçoso admitir que nossa herança colonial é bem menos rígida que a dos puritanos do Mayflower, mas daí a saltar para a conclusão acima é uma falácia.   

Os brasileiros  deploram os roubos na Petrobras, por exemplo.  Quem roubou nossa principal empresa, não apenas  a fragilizou e atrasou os seus projetos,  inclusive o pré-sal. Quem a roubou, roubou também  o futuro mais promissor neste país,  roubou  de nossas crianças o direito a uma alimentação mais saudável e a uma escola de melhor qualidade . Roubou de nossos jovens o acesso  a uma formação técnica mais atualizada , e aos nossos idosos o direito a uma velhice assistida. Roubou dos viajantes a segurança de seu ir e vir pelas estradas , das famílias a tranquilidade de noites iluminadas,   de um teto seguro  e de um sono tranquilo longe das balas perdidas.  Dos cientistas roubou os insumos para seu trabalho,  dos atletas o tempo remunerado, dos doentes o conforto do tratamento.

Quem roubou a Petrobras acrescentou décadas ao processo de emergência do país. Roubou nossa autoestima,  nossa crença de que o que virá  há de ser melhor. Nossos esforços  para distribuir bem  a renda , nossa paz no futuro e nossa glória no passado.  A pátria amada, idolatrada, salve, salve,  chora.

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Com quase quatro anos, minha filha começa a compreender um elemento fundamental da existência: o tempo. Meu filho, de dois, não tem a menor ideia de que haja um antes e um depois. Sua vida é um agora contínuo, uma tela diante da qual passam mamadeira, berço, carrinho, pudim, avó, banho, Lego, minhoca.

Outro dia me meti numa encrenca porque resolvi falar que "amanhã" seria aniversário dele e ele iria ganhar presente. Ele abriu um sorriso, pediu o presente. Eu disse "amanhã". Ele pediu de novo, educadamente, mas já sem o sorriso. Repeti, educadamente (e sorrindo muitíssimo), que o presente seria dado "amanhã". Foi aquela choradeira. Claro. É como chegar pra um adulto e dizer "O senhor ganhou na Loto". "Cadê o dinheiro?". "Szjnau-sshchfundstrrrrrulmp!". "Onde?!". "Szjnausshchfundstrrrrrulmp!"

A minha filha, por sua vez, usa "amanhã" com bastante desenvoltura: pra nomear qualquer dia que não seja hoje, no passado ou no futuro. "Amanhã, quando eu nasci e era bebê". "Amanhã quando for Natal de novo". "Amanhã, quando eu tiver a minha filha, ela vai chamar Isabela Belink". (É sério, não me pergunte por quê).

Semana passada, diante de uma foto minha com a idade dela, ela finalmente entendeu que eu já fui criança. Passou uns segundos ressabiada, olhando a foto, olhando pra mim, então algo se iluminou: "Mas papai, quando você era do meu tamanho você morava em outra casa, né?". "Morava". "E essa casa era muito longe daqui, né?". Eu disse que era perto. Ela ficou aflita. "Não, papai! Quando você era pequeno você morava numa casa muito, muito, muito, muito, muito, muito longe daqui!". A distância física, compreendi, era a maneira que ela tinha de elaborar a distância temporal.

Julio Cortázar, um dos meus escritores favoritos, se impressionava bastante com o tempo. Em entrevistas, mencionava sempre certa viagem no metrô de Paris. Nos dois minutos entre uma estação e outra ele havia se lembrado de uma história que, dentro da sua cabeça, tinha se desenrolado por pelo menos 15 minutos. Como 15 minutos cabiam em dois? Algo parecido acontece com os sonhos, que duram só os poucos segundos do REM ("Rapid Eyes Movement"), mas parecem se descortinar na nossa consciência como longas-metragens. (Alguns pesadelos são mais intermináveis que filmes mudos experimentais do Uzbequistão).

Deve ser ignorância minha, mas não acho o tempo misterioso, só acho cruel. Ele passa, a gente envelhece e depois adeus pudim, presentes de aniversário, metrô de Paris. Minha filha, com quase quatro anos, também começa a entender que essa história do tempo passar não tem como acabar bem. Numa livraria, um dia depois de descobrir que eu havia sido criança, ela viu duas velhinhas, bem velhinhas, pagando as compras. Abraçou as minhas pernas e perguntou: "Papai, eu também vou ficar velhinha?". Eu sussurrei: "Vai, mas fala baixo". "Papai, eu não quero ficar velhinha!". "Shhhh, fala baixo!". "Não, papai, eu não quero ficar velhinha!". Abandonei a fila com ela gritando: "Não quero! Não quero ficar velhinha!"

Vai demorar um pouco pra ela entender que, em relação ao tempo, o melhor que pode acontecer é ficar velhinha. Enquanto isso, tento acalmá-la dizendo que ela, velhinha, mora numa casa muito, muito, muito, muito longe daqui: indo a pé, de carro ou de avião, vai levar mais de 80 anos pra chegar.

 

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Não obstante a agenda oficial quase inteiramente preenchida pelo conserto da economia, o governo Michel Temer (PMDB) conseguiu aprovar com relativa rapidez um plano meritório de reforma do ensino médio.

Recém-sancionado, o texto foi proposto em setembro na forma de medida provisória -instrumento inapropriado para um debate de tal complexidade. No Congresso, de todo modo, negociaram-se alterações relevantes, e o saldo final deve ser considerado positivo.

Em termos objetivos, o que se procura é tornar mais flexível a grade curricular. Educadores de diferentes orientações ideológicas concordam que a estrutura engessada de hoje está entre as principais causas das elevadas taxas de evasão escolar nessa fase do aprendizado.

Para que os estudantes tenham maior possibilidade de perseguir seus interesses, portanto, impõe-se reduzir o número de disciplinas obrigatórias ao longo dos três anos do ensino médio -13, atualmente.

Pela proposta original, apenas matemática, português e inglês seriam compulsórias. Metade da carga horária seria dedicada à Base Nacional Curricular Comum (BNCC), ainda em elaboração.

Quanto à outra metade, cada aluno optaria por uma de cinco áreas de concentração: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e ensino técnico.

O encaminhamento açodado da MP despertou reações, boa parte delas de cunho meramente corporativo, contra o fim da obrigatoriedade da educação física, da educação artística, da filosofia e da sociologia. A saída encontrada por deputados e senadores foi determinar que a BNCC inclua "estudos e práticas" das quatro disciplinas.

Persistem dúvidas relevantes em torno da implementação da reforma. A base curricular comum do ensino médio -cuja participação na carga horária foi ampliada a 60% pelo Congresso- não deverá estar definida antes de 2018, e a flexibilização da grade só ocorrerá dois anos depois.

Em relação à parcela do curso a ser escolhida pelos alunos, a lei sancionada não determina que as escolas ofereçam um leque mínimo de opções. Em boa parte delas, presume-se, haverá uma única área de formação disponível.

Não se sabe ao certo, por fim, como será financiado o aumento gradual da carga mínima, que deve passar de quatro para cinco horas diárias, até 2022, e para sete horas/dia (ensino integral) em prazo não determinado.

No atual cenário de carência geral de verbas, tal ambição parece pouco realista. Ainda assim, as novas diretrizes são passos importantes para enfrentar um gargalo renitente da educação brasileira.

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Analfabetismo – entrevista

 

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2016/02/analfabetismo-ainda-atinge-27-dos-brasileiros-e-desafios-sao-grandes.html

 

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Hoje quero conversar sobre uma boa experiência de leitura junto com meus alunos no programa em que sou voluntária – Papo de Professora. O artigo que lemos foi publicado na revista Super Interessante de fevereiro de 2017 com o título “Nova teoria revela como a Terra pariu a Lua”.

 

 

__ Muito interessante essa leitura, vocês não acham? Por que será que o autor, Bruno Vaiano, deu esse título ao texto “a Terra pariu a Lua”?

__ É porque a Lua nasceu da Terra?

__ Isso mesmo, afinal qual a principal informação que o autor está passando para nós? O que ele está chamando de “nova teoria”?

__ Silêncio.

A professora então sugere que cada um procure no texto por que o autor colocou a expressão “nova teoria” no título. Os alunos levam algum tempo para responder.

__ É porque tem duas teorias sobre o nascimento da lua?

__ E quais são as duas teorias?

__ Silêncio.

Vamos ler o primeiro período:

“Uma pancada só: foi assim que, segundo a hipótese mais aceita pelos astrônomos nasceu a lua. O satélite seria filho do nosso planeta com Theia, um corpo celeste do tamanho de Marte.”

__ Vocês sabem o que um astrônomo faz?

__ Estuda a Lua?

__ Vejam esta palavra as-trô-no-mo. Quais são as duas primeiras sílabas?

__ As-tro professora.

__ Os astrônomos estudam os astros. Agora, o que é um astro?

__ É um corpo celeste.

__ E quais são os corpos celestes que conhecemos?

__ A Terra, a Lua e o Sol.

__ A Terra é uma planeta, alguém sabe os nomes de outros planetas?

__ Mercúrio, Vênus, Terra, Marte.

__ E mais Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, mas como Plutão é bem menor que os outros, alguns astrônomos acham que ele não é um planeta. E o Sol é uma estrela, não é? Existem mais estrelas?

__ Existem muitas.

__ Existem milhões, não sabemos quantas.

__ O autor do texto fala de um outro corpo celeste, qual é?

Os alunos voltam ao texto.

__ É essa Theia, professora?

__ Vamos ler aqui.

A professora então volta à teoria inicial do texto, a que o autor referiu como primeira hipótese, pois o tema do texto ainda não parecia bem compreendido.

“Ao se chocar com a Terra há 4,5 bilhões de anos, Theia literalmente arrancou um pedaço de nossa carne – que, ao entrar em órbita, se tornaria nosso único satélite natural.”

__ Então, segundo os astrônomos, como surgiu a Lua?

__ Ela surgiu porque a Theia arrancou um pedaço do nosso planeta.

__ Muito bem. Há quanto tempo isso teria ocorrido?

__ Silêncio.

__ Vamos procurar.

__ Ele está dizendo que são 4,5 bilhões de anos.

__ Então são 4 bilhões de anos e mais?

__ Silêncio.

__ Veja aqui, o que temos depois da vírgula?

__ O número 5.

__ Então podemos dizer que são 4 bilhões e 500?

__ 500 milhões, professora.

__ Vamos escrever esse número.

Os alunos começam a escrever o número e a professora confere os zeros. Depois de algumas tentativas, os alunos chegaram a 4.500.000.000.

__ Então vamos voltar àquela hipótese sobre o choque da Terra com Theia. O que aconteceu com o choque?

Os alunos voltam ao texto.

__ É que aí surgiu a Lua.

__ Muito bem, o autor está dizendo que a Lua foi resultado do choque e entrou em órbita. O que é entrar em órbita?

__ É que ela começou girar no espaço em volta da Terra.

__ É, na órbita da Terra.

A professora insiste na questão das teorias, que formam o núcleo o texto.

__ O autor diz: “Uma parte dessa história, porém, não faz sentido...”. O que não faz sentido?

Vamos voltar ao texto:

“... a composição química da Lua é muito parecida com a da Terra – quase idêntica. Mas simulações de computador calculam que, graças ao choque, a Lua deveria consistir de três partes de Theia para cada parte da Terra – o que não aconteceu na prática.”

__ Então existe uma outra teoria, qual é?

__ Silêncio.

__ Vamos reler?

A professora indica o trecho que vão reler juntos.

“Mas Raluca Rufu, pesquisadora do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, tem outra explicação para a origem da Lua em um artigo publicado na Nature.”

A professora ensinou a pronúncia de “Weizmann” e de “Nature”, explicando a eles que a revista Nature é uma revista de Ciências muito conceituada. Também mostrou a eles onde, no globo, fica Israel.

__ Então vamos ler qual é a hipótese que a cientista de Israel desenvolveu?

Fazem, então, uma leitura coletiva.

“No início, o Sistema Solar estava cheio de corpos residuais da formação planetária’, diz Rufu. ‘Portanto é muito mais provável que vários impactos comuns tenham formado a Lua, e não um único impacto especial’. Nesse caso, os resíduos liberados em órbita ao longo do tempo teriam formado um anel de poeira, dando à Terra um look saturnino.”

__ Vamos repetir então a hipótese dessa cientista? Segundo a sua hipótese, por que a Terra teria um look, isto é, uma aparência saturnina?

__ Silêncio.

__ Saturnino lembra o nome de um planeta. Qual é?

__ Saturno, professora.

__ Muito bem, por que a Terra teria uma aparência de Saturno?

__ Silêncio.

__ É porque na órbita de Saturno existem grandes anéis e, segundo a cientista, haveria em torno da Terra um anel de poeira. Vamos voltar ao texto. Como a poeira em torno da Terra teria formado a Lua?

“Logo, com uma mãozinha da gravidade, esse anéis se aglomeraram e formaram o nosso fiel satélite.”

__ Vamos ver se entendemos tudo? Existem duas hipóteses sobre o surgimento da Lua. A primeira, já vimos, seria o resultado de um choque da Terra com Theia. E a segunda?

__ A segunda é que não foi um choque só, foram muitos.

__ Muito bem, mas o que podemos concluir? De onde surgiu a Lua? Surgiu da Terra. Segundo uma hipótese, resultou de um único choque entre planetas. Segundo a outra hipótese, resultou de muitas pancadas.

A professora procurou nesse último turno sintetizar o artigo, fornecendo um parágrafo conclusivo. Em seguida, pediu que todos lessem o parágrafo final do artigo.

“Mas é isso. Tenha surgido de um pancadão, tenha surgido de várias batidas, sobre uma coisa não há dúvida: a Lua é filha da Terra.”

__ Antes de nós terminarmos, vamos à internet para aprender mais sobre esse corpo celeste chamado Theia?

Theia é o nome dado ao planeta que, de acordo com a teoria do Grande Impacto, ou Big Splash, colidiu com a Terra num impacto que deu origem à Lua. O nome Theia é de origem grega.

 

Brasília, Fevereiro de 2017.

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Uma palavra depois da outra


Crônicas para divulgação científica

Em 08 de Fevereiro de 2017, chegamos a 3926 downloads deste livro. 


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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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