A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

Leia Mais

Projeto Leitura

O Projeto Leitura, tem como objetivo vencer um dos maiores desafios encontrados pelos professores e amantes da literatura: Criar o hábito da leitura.

Leia Mais

Projeto LEF

Projeto LEF Confira artigos, trabalhos, Vídeos, Fotos, projetos na seção do Letramento no Ensino Fundamental.

Leia Mais

Por Sacha Calmon

Reprodução: Correio Braziliense, Caderno Opinião, 17 de abril de 2022 

 

É realmente espantosa a expansão do cristianismo no mundo ocidental, 100 anos depois da morte de Galileu, primeiro no Oriente próximo e na Grécia, obra de Paulo, que não conheceu Jesus, o carinhoso rabi da Galileia, que falava como língua de nascimento o aramaico. Tiago, irmão de Jesus, o queria dentro do judaísmo e tentou matar Paulo, por seu "universalismo". É que o judaísmo é excludente. Vale para judeus tão somente e convertidos. O monoteísmo judaico é um processo de emancipação de um deus tribal.

Javé era um Deus menor do panteão de El, o Deus de todos os Elohins (deuses menores da Cananeia), alçado à condição de único Deus verdadeiro, inteiramente devotado ao povo judeu, por força de um impressionante movimento político-religioso, por alguns denominado "Javé sozinho", por volta de 750 a 650 a.C., ao tempo dos reis Ezequias e, principalmente, Josias.

Durante sua infância, Javé era um Deus familial e atencioso, mas ainda não tinha nome próprio. Era o Deus de Abraão, de Isac e de Jacó. Depois desaparece na suposta fase egípcia de "seu povo", reaparecendo em sua juventude como o Senhor dos Exércitos, general na guerra e legislador na paz, a prometer mundos e fundos a "seu povo", escolhido por ele entre todos os existentes no mundo, num gesto tendencioso para um Deus. É clara a discriminação contra o resto da humanidade.

Na maturidade, após a queda dos reinos de Israel (ao norte) e Judá (ao sul), transforma-se em um Deus oculto e misterioso, dividindo-se em três na velhice, segundo o cristianismo, num incrível desdobramento de sua tumultuada personalidade. Os judeus, após a diáspora decretada por Roma se espalharam, chegando à Pérsia e à Europa.

São absurdas e numerosas contradições do Velho Testamento, e a gritante incompatibilidade entre o Javé da Torá e o Jesus de Nazaré do Sermão da Montanha. Tudo começou há vinte e sete séculos com um projeto de poder. E para compreender a total diferenciação entre o judaísmo e o cristianismo, vamos avançar até o momento em que Javé torna-se "o pai" de Jesus, segundo a tradição cristã (Trindade).

O Deuteronômio, que absolutamente não é um dos livros do Velho Testamento, senão a reinvenção dele, até então era uma tradição oral e não escrita. Além disso, veremos que durante sua infância Javé era um Deus familial. Na maturidade, após a queda dos reinos de Israel (ao norte) e Judá (ao sul), vira oculto e misterioso, dividindo-se em três na velhice, segundo o cristianismo.

Jesus nasceu judeu — em região periférica da Judeia (a Galileia ficava para lá da terra dos samaritanos) — e falou aos judeus, inserido no caldo de cultura desse povo. De repente, para espanto de sua gente de Nazaré, onde era conhecido como o filho do carpinteiro José e irmão de Tiago e outros tantos, torna-se um pregador visionário e apocalíptico, que se lança contra o judaísmo estabelecido, conformista e legalista. Certamente conhecia as escrituras em hebraico, traduzidas por ocasião dos ofícios religiosos nas sinagogas da Galileia, e nada de grego ou latim.

Sobre a sua vida até os dias de pregador pouco se sabe, ou o que se soube foi suprimido, por não convir ser conhecido. Há uma curiosidade, sobre a sua vida conjugal, numa época em que os judeus casavam-se muito cedo, por várias razões, incluindo as recomendações da lei (a Torá). Falava a língua da região de Aram-Damasco ou siríaco antigo, disseminado na Palestina de então.

Anunciava a chegada iminente do Pai, jamais pronunciou o nome "Javé" e conclamava os "grandes" e "poderosos" a se endireitarem, pois, se não o fizessem, não entrariam no reino dos céus. Era mais fácil uma corda passar pelo buraco de uma agulha do que um rico de bens materiais entrar no paraíso (as péssimas e frequentes traduções dos textos bíblicos confundiam "corda" com "camelo").

Detestava as diferenças de classe social e a empáfia dos fariseus e saduceus do seu tempo. Por isso era ebionista, ou seja, era a favor dos pobres e desprotegidos, além de propugnar o abandono da riqueza, que devia ser partilhada entre todos (comunismo primitivo).

A parábola do jovem rico deixa isso bem claro, assim como o Sermão da Montanha. Pedia a todos que abandonassem pai e mãe, a família, os afazeres cotidianos e o seguissem, pois, esse mundo estava prestes a acabar e logo viria o Pai e o reino dos céus com suas bem-aventuranças. A parusia!

Foi contra a lapidação das pecadoras, rebelou-se contra o shabat (o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado), declarou-se contra o hábito mosaico que dava ao marido desgostoso o direito de repudiar a mulher (comumente virava pedinte ou prostituta). Foi acusado de perturbar a pax romana e os preceitos vetustos da Torá. Mas o mundo teima em existir, sem o apocalipse!

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/04/5001044-artigo-nosso-deus-semita.html

Categoria pai: Seção - Blog

Pesquisar

PDF Banco de dados doutorado

Em 1 de julho de 2022, chegamos a 443 downloads deste livro. 

:: Baixar PDF

A Odisseia Homero

Em 1 de julho de 2022, chegamos a  6.793 downloads deste livro. 

:: Baixar PDF

:: Baixar o e-book para ler em seu Macintosh ou iPad

Uma palavra depois da outra


Crônicas para divulgação científica

Em 1 de julho de 2022, chegamos a 11.957 downloads deste livro.

:: Baixar PDF

:: Baixar o e-book para ler em seu Macintosh ou iPad

Novos Livros

 





Perfil

Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

Leia Mais

Publicações

Do Campo para a cidade

Acesse: