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O professor pesquisador (Stella Maris Bortoni-Ricardo, FE / UnB[1])

O professor que acrescenta aos seus muitos misteres a tarefa de pesquisar seu próprio trabalho pedagógico ou o de seus colegas está no caminho de um aperfeiçoamento profissional.

No começo dos anos 80 dois aspectos na didática de sala de aula ganharam relevância, especialmente em países industrializados: a interação professor-aluno e a qualidade do processo de aprendizagem. Essas duas tendências motivaram os professores a criar o hábito de investigar o seu próprio trabalho, visando a identificar a melhor forma de apresentar um assunto ou tópico em sala de aula e a acompanhar o processo de aprendizagem dos alunos. Eles começaram por investigar suas turmas e a trocar experiências com os colegas, o que lhes permitiu identificarem achados equivalentes ou contraditórios. À medida que aprofundavam essa experiência começaram a desenvolver pesquisa experimental e a escrever monografias e estudos de caso, em que descreviam seus procedimentos. Surgia assim a ênfase na figura do professor pesquisador, cujos trabalhos têm trazido contribuições para um melhor entendimento do processo de ensino-aprendizagem.

O professor pesquisador não se vê apenas como um usuário de conhecimento produzido por outros pesquisadores, mas se propõe também a produzir conhecimentos sobre seus problemas profissionais de forma a melhorar sua prática. O que distingue um professor pesquisador dos demais professores é o seu compromisso de refletir sobre suas atividades buscando reforçar e desenvolver aspectos positivos e superar deficiências. Para isso ele está aberto a novas idéias e estratégias.

Uma forma de conduzir essa pesquisa é escrever um diário no qual é possível fazer anotações entre uma atividade e outra sem que isso tome muito tempo. A produção de um diário de pesquisa varia muito de pessoa para pessoa, mas a literatura especializada traz sugestões para o conteúdo de diários dessa natureza. Os textos mais comuns que são incorporados aos diários são descritivos de experiências que o professor deseja registrar antes que se esqueça de detalhes importantes. Sequências descritivas nos diários contêm narrativas de atividades, descrições de eventos, reproduções de diálogos, informações sobre gestos, entoação e expressões faciais. Esses detalhes podem ser muito importantes. Falas do próprio professor ou dos alunos devem ser reproduzidas o mais fielmente possível.

Além das sequências descritivas constam também dos diários as sequências interpretativas, que contêm avaliações e reflexões preliminares, ou seja, elementos que vão permitir ao autor desenvolver uma teoria sobre a ação que está interpretando.

Uma grande vantagem do trabalho do professor pesquisador é que ele resulta em uma “teoria prática”, ou seja, em conhecimento que pode influenciar as suas ações práticas, permitindo uma operacionalização da relação ação-reflexão-ação.

                                        



[1] Este texto apóia-se no livro de minha autoria “O Professor Pesquisador – Introdução à pesquisa qualitativa”, Parábola Editorial, 2008.

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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