A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

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Li no Correio Braziliense de hoje (3 de abril) uma matéria de capa, de Renata Mariz,  sobre  maus-tratos  infligidos aos idosos, pelas famílias e pela sociedade. Daqui a quarenta anos, a proporção de idosos na população brasileira será três vezes maior. Muito oportuna a reportagem.  Me chamaram especialmente a atenção algumas informações que repercuti no Twitter. Vejamos. Para cada 100 crianças até 14 anos, há 24 idosos no Brasil. Em 2050 para cada 100 crianças haverá 172 idosos. Isso significa que, em meados deste século,  a população em idade produtiva no Brasil  terá de  arcar com um ônus muitas vezes superior ao que  representa para nós hoje  sustentar as crianças e velhos.

Nossa distribuição demográfica ainda é muito boa, mas caminha para ser como a dos países  europeus ou o Japão, com um grande percentual de aposentados.

  Os especialistas chamam a distribuição populacional favorável de janela demográfica. Quando um país está vivenciando uma janela demográfica tem de aproveitá-la e realizar avanços que poderão ficar mais difíceis quando a janela se fechar.

Para nós brasileiros, uma tarefa urgente é a escolarização da população. O trabalho de escolarizar bem a população tem de ser realizado nesta janela demográfica atual, pois vai ficar mais oneroso à medida que haja menos brasileiros em idade produtiva para sustentar mais brasileiros idosos.

Consideremos também que  já começa a faltar mão de obra especializada que atenda ao crescimento do país na última década.   O Quinto Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional, divulgado em setembro de 2005, pelo Instituto Paulo Montenegro (www.ipm.org.br)  , mostrou que só 26% dos brasileiros na faixa de 15 a 64 anos de idade são plenamente alfabetizados. Desses, 53% são mulheres, 47% são homens e 70% , jovens de até 34 anos. O restante da população não pode ser considerado funcionalmente alfabetizado, ou seja, são indivíduos incapazes de executar com seguranças as múltiplas tarefas de leitura e escrita com que deparam no seu dia a dia.  O mais grave nesse cenário é que muitos analfabetos funcionais  cursaram o Ensino Fundamental e mesmo o Ensino Médio.

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetismo brasileira ficou praticamente estável na passagem de 2007 (10,1%) para 2008 (10%). Como no mesmo período a população cresceu, o total de brasileiros com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever aumentou em 113 mil pessoas e chegou a 14,2 milhões. A obrigação de alfabetizar toda essa população iletrada e de melhorar o desempenho das escolas para que não venham a engrossar o contingente de analfabetos é do poder público, nos âmbitos federal, estadual e municipal,  mas é também (e  principalmente ) da sociedade.  

Stella Maris Bortoni – Brasília, abril de 2011

 

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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