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Life Technologies/Divulgação
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Na história da humanidade, são muitos os capítulos dedicados às guerras contra micro-organismos patógenos. Desde que o Homo sapiens se fixou no campo e domesticou os animais, bactérias e vírus encontraram um novo hospedeiro que, despreparado imunologicamente, tornou-se presa fácil.
As bactérias já dominavam a Terra há bilhões de anos, sobrevivendo às mais inóspitas condições, enquanto que aquela nova espécie tinha acabado de concluir seu processo de evolução. Era uma luta desigual.
Fósseis pré-históricos não deixam dúvidas de que, quando não morriam em acidentes, os primeiros homens modernos eram vitimados por infecções. As marcas podem ser observadas em ossos e dentes consumidos por micro-organismos. A cosmopolita Roma derrotava impérios, mas não conseguiu enfrentar seres invisíveis. Com um fluxo enorme de estrangeiros e uma população confinada em habitações imundas, a cidade eterna foi um centro mundial de epidemias.
A espada do bravo Marco Aurélio, célebre filósofo e estadista destemido, não conseguiu atingir o micro-organismo que o matou, em 180 d.C. Não se sabe o nome da doença, mas, pela descrição do médico Claudio Galeno, tratava-se de uma infecção que devastou Roma por 15 anos.
Na Idade Média, aumentaram os aglomerados urbanos e, com eles, a suscetibilidade a doenças patógenas. Pessoas amontoadas em péssimas condições de higiene e nenhum saneamento eram um convite a vírus, fungos e bactérias. Nenhuma epidemia foi tão terrível quanto a peste negra, que surgiu em 1347 e tomou conta da Europa em pouco tempo.
Nada menos que um terço da população do continente morreu. Os que sobreviveram tinham de lidar com outra ameaça: a hanseníase, então chamada de lepra.
Não houve Renascimento, Iluminismo e Revolução Industrial que colocasse fim à batalha dos homens contra as pragas. A penicilina, descoberta por acaso pelo microbiologista Alexander Fleming, no início do século 20, mudou, contudo, o placar. A humanidade, enfim, parecia estar no controle. Ninguém mais morreria de infecções ou doenças como tuberculose, sífilis e pneumonia.
A sensação de vitória, porém, era falsa. Logo surgiram vírus letais como o HIV e o H1N1, para novamente desafiar a medicina. Em maio, uma velha conhecida, a E.coli, surpreendeu o mundo. Uma cepa raríssima matou 47 pessoas na Europa e pode não estar restrita ao Velho Continente. Na quinta-feira, a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) divulgou um comunicado afirmando que a origem do surto pode estar em sementes importadas do Egito.
Em entrevista ao Correio, o especialista em superbactérias Guilherme Mendes, da Life Technologies, empresa que sequenciou o genoma da E.coli, com a Universidade de Münster, na Alemanha, afirma que surtos semelhantes podem voltar a surpreender a humanidade.
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