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Frei Betto: O mago da palavra

 

 

 

Rio - O coração de Bartolomeu Campos de Queirós (1944-2012), pleno de amor e arte, parou na madrugada de 16 de janeiro. Meu querido amigo Bartô transvivenciou. Entrou em ‘encantamento’, diria Guimarães Rosa.

Bartô tinha 67 anos e mais de 70 livros publicados. A ele dediquei meu mais recente romance, ‘Minas do ouro’. Em 2003, mereci dele a dedicatória do livro ‘Menino de Belém’. Era um mago da palavra. Sua prosa é poética, como o comprova seu último romance, ‘Vermelho amargo’, de forte conotação autobiográfica. Sua escrita é universal, encanta crianças e adultos. Como artesão da palavra, trabalhava cuidadosamente cada vocábulo, cada frase.

Tornou-se escritor por acaso. Estudava comunicação e expressão em Paris, quando lhe pediram enviar um texto a um concurso, que o premiou. Mas custou a se assumir como autor.

Nos últimos anos, pouco saía de casa. Desde que se viu obrigado a fazer hemodiálise três vezes por semana, caminhava a passos miúdos, os ombros curvados e, no rosto, a perplexidade diante dos mistérios da vida. Seu ponto de encontro era a Livraria Quixote. Foi ali que nos vimos pela última vez, na véspera do Ano-Novo.

Bartô contava que, quando criança, ficava intrigado com o mistério de como pouco mais de 20 letras podem registrar na escrita tudo que a cabeça pensa... Orgulhoso, disse que aprendera a escrever com o avô, marceneiro, que morava em Pitangui (MG).

Meu único consolo é a certeza de que Bartolomeu Campos de Queirós vive, agora, imortalizado em suas obras literárias. Reproduzo aqui o que escrevi a ele, em maio de 1998, após ler ‘Escritura’: “Sua escrita é canto, luz, vereda e afago. Cada frase lindamente esculpida! Proíba-se de tudo o mais para só escrever, porque é a sua única e irrecorrível sentença de vida.”

Frei Betto é escritor, autor de ‘A arte de semear estrelas’

Fonte: CB, 20/01/2012

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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