
O Projeto Leitura, tem como objetivo vencer um dos maiores desafios encontrados pelos professores e amantes da literatura: Criar o hábito da leitura.

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ENTREVISTA COM A PROFª Drª STELLA MARIS BORTONI-RICARDO
Profª Drª Stella Maris Bortoni-Ricardo
RPL – Seu empenho para a implementação e adoção da Sociolinguística Educacional já é amplamente conhecido no Brasil. Que motivações a levaram a essa proposta?
Todo sociolinguista, por definição, considera a questão escolar ao estudar os processos de variação e mudança de uma língua. No meu caso, optei por pôr a questão escolar em primeiro lugar.
RPL- O que sua experiência tem revelado sobre a viabilidade da adoção de uma pedagogia da variação nas escolas brasileiras?
O estudo de variação avançou muito no Brasil e agora faz parte das exigências do PNLD. No entanto, para ser efetivo em uma pedagogia linguística no ensino básico, é preciso que os professores aprendam a aperacionalizar esses conhecimentos em seu trabalho pedagógico. Às vezes, setores institucionais que não estão familiarizados com a história e a programação da Sociolinguística mostram-se avessos à incorporação desses conhecimentos nos cursos de formação inicial e continuada de professores, mas pode-se superar isso com mais divulgação.
RPL – Que benefícios traria a associação da dimensão sociolinguística às práticas de oralidade na escola?
A principal contribuição seria a de se conhecer melhor a competência linguística oral dos educandos para que essa sirva de base à aquisição e ao desenvolvimento de sua competência escrita.
RPL – Se a educação linguística é necessária na escola, seria ela uma tarefa apenas do professor da disciplina Língua Portuguesa? Por quê?
O professor de português é o mais habilitado a 'desenhar' um currículo que contemple a educação linguística, mas todos os professores têm de se engajar na árdua tarefa de ensinar nossos estudantes a falar e e a escrever em português, para além dos registros/ gêneros coloquiais
RPL - Qual é a sua interpretação sobre o comportamento da sociedade brasileira em geral e de nosso sistema de ensino em relação ao preconceito linguístico?
Nossa sociedade historicamente valoriza muito os conhecimentos gramaticais canônicos. É necessário que se publique e se divulgue muito material de divulgação científica acessível para que a sociedade em geral reconheça as vantagens de levar em consideração a variação e a mudança na língua, no processo de escolarização.
RPL - Políticas educacionais que incluam a questão do respeito às variações dialetais são necessárias e possíveis no Brasil?
Já existem algumas políticas como a do PNLD. Agora a Capes está trabalhando na criação de mestrados profissionalizantes de Língua Portuguesa como já existem em Matemática. São iniciativas que vão colaborando para o aperfeiçoamento da pedagogia linguística ( ensino de Língua Portuguesa ) nas escolas brasileiras.
RPL - Seu livro editado em 2011, Do campo para a cidade: estudo sociolinguístico de migração e redes sociais, traz contribuições importantes para a compreensão das mudanças linguísticas no português do Brasil. Em que medida um professor se beneficiaria com sua leitura?
O livro mostra como se processa o ajustamento dos brasileiros provenientes de área rural à cultura urbana, inclusive aos modos de falar urbanos. São informações úteis para os professores que trabalham com essa população. Observe-se também que já há gramáticas escolares, como a de Ataliba de Castilho e de Marcos Bagno, entre outras, que trazem informações sobre variação linguística e a forma de se lidar com ela no processo de escolarização.
RPL – Sabemos que, proximamente, os professores brasileiros serão brindados com seu livro Da fala para a escrita, os doze trabalhos de Hércules. Esse seu trabalho inclui a dimensão da Sociolinguística Educacional? O que pode nos adiantar sobre ele?
Nesse livro refletimos sobre doze problemas que dificultam a transição da oralidade à escrita, nas escolas brasileiras. Estamos trabalhando nele com muitas expectativas de que efetivamente seja um bom apoio às escolas e aos professores. Sairá pela Parábola Editorial ainda em 2012, assim espero. Há outro livro que também contribuirá, que é "Leitura e Mediação Pedagógica". Esse já está no prelo também pela Parábola. Além desses ,continuamos a trabalhar em outros livros, inclusive um de apoio para EJA, primeiro segmento.
Brasília 18 de março de 2012