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Uma velha sem concessões
NAYR TESSER - Professora

 

ZH 08/08/2012

 

 
Eu não preciso usar tatuagens para mostrar que sou jovem, ou provar que sou moderna e estou atualizada. Até porque não sou nem jovem, nem moderna, dependendo do sentido que a maioria dá à palavra moderna, pois, apesar de usado frequentemente como argumento para justificar “mas tudo mudou”, com raras exceções quem o usa sabe definir o que seja. Minhas tatuagens não aparecem na superfície da pele porque estão na alma e no coração e não há idade que as apague.
 
Eu não preciso ir a bailes de terceira idade para provar que vivo ou sei viver. Até porque continuo dançando sozinha ou acompanhada pelas netas. Ensaio para um musical que pretendo fazer e, se não o fizer, não importa, pois bom mesmo é a combinação.
 
Não preciso gostar de todas as invenções eletrônicas para provar que estou atualizada, em consonância com o progresso. Não preciso saber manipular um celular para mostrar que aprendi alguma coisa na vida e não estou ultrapassada. Não preciso saber lidar com o computador, ou utilizar todos os recursos deste instrumento para me comunicar com as pessoas ou com o mundo. Todo recurso que não tenha cheiros, toques, alegrias e contradições não é urna comunicação humana. Com a internet, transformo seres humanos em imagens virtuais, mas o que eu preciso é de gente com cabeça, tronco e membros, alma e coração!
 
Eu quero estar no lugar em que estou, uma mulher de 71 anos, sem mais nem menos, pois a velhice é a idade da essência, não da circunstância. Quero estar onde estou, porque não posso negar os anos vividos, as coisas conquistadas, as dificuldades para me reconhecer e aceitar as dores que tanto me ensinaram, as vivências maravilhosas no exercício da profissão e foi com ela que aprendi a ficar feliz com o crescimento alheio.
Eu sou uma velha e não é substituindo a palavra por eufemisrnos baratos que deixarei de sê-lo; os demais é que mudem suas concepções, pois, ao querer substituir as palavras por outras, revelam que a imagem é negativa. Pois então, o que deve mudar são as cabeças, pois, se estas não mudarem, não é substituindo os termos da equação que mudarão os resultados.
Eu sou uma velha e não é substituindo a palavra por eufemismos baratos que deixarei de sê-lo; os demais é que mudem suas concepções, pois, ao querer substituir as palavras por outras, revelam que a imagem é negativa. Pois então, o que deve mudar são as cabeças, pois, se estas não mudarem, não é substituindo os termos da equação que mudarão os resultados.
 
Aliás, quando meus alunos dizem gentilmente que não sou velha, deslocam-me para a categoria dos jovens e com isso não terão na velhice quem lhes sirva de modelo. E, depois, gosto da minha categoria, a categoria antiga, até porque ela goza das seguintes qualidades: 1. Tem uma escala de valores, isto é, tem ética; não confunde ética com moral; 2. Tem moral, respeita as regras no momento eleitas pela sociedade: 3. Sabe o significado das palavras gratidão e respeito; 4. Não expõe seu afeto em público e se deixa seduzir pelo amor; e 5. Tem brilho no olhar. Pra que mudar?
 
 
 

 

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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