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A seguir a homenagem da Prof. Marília Facó Soares (UFRJ /Museu Nacional) à colega Charlotte Emmerich, que faleceu no últmo final de semana.


Tributo a Charlotte Emmerich, Professora Livre Docente e Titular do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.  

Nascida na cidade de Viçosa, Minas Gerais, Brasil, no dia 28 de junho de 1938, Charlotte Emmerich ingressou oficialmente nos quadros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 20 de abril de 1970.

Como membro do Setor de Linguística do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ, fez pesquisas de campo e realizou publicações sobre diferentes grupos e línguas indígenas (Aweti, Txikão (Ikpeng), ‘Botocudo’ (Krenak), Xokleng, Yawalapiti). Inaugurou novas possibilidades de pesquisas e deu demonstrações, provas inequívocas de que o linguista deve possuir responsabilidade social.  Tornou-se a primeira pessoa a coletar dados e a realizar estudos sobre as origens e o estágio inicial de pidginização da língua de contato do Alto Xingu, a estudar uma variedade de português falada por indígenas.  

Como cientista da linguagem com pensamento social, voltou-se para o estudo de aspectos da educação (escolar) indígena, para os usos linguísticos e cerimoniais de grupos indígenas no Xingu,  para os pomeranos e sua língua, no Espírito Santo, para os usos linguísticos e cerimoniais de grupos indígenas, para os subsídios sociolinguísticos a projetos de educação, inclusive no Rio de Janeiro. Empenhou-se em divulgar, publicar revisões críticas.

Em 1984, tornou-se Doutora em Linguística (UFRJ), com a tese  ‘A lingua de contato no Alto Xingu: ori­gem, forma e função’, que foi precedida, em 1973, da dissertação ‘A fonologia segmental da lingua Txikão (Karib)‘, por meio da qual alcançou o título de Mestre em Linguística (UFRJ) .

Tornou-se Professora Titular em 1988, em concurso do qual fez parte a defesa da tese ‘Da natureza da variação linguística no Português Xinguano’. Foi pesquisadora e professora de Línguas Indígenas e Situações de Contato Linguístico, tendo se tornado também membro do Projeto de Estudos do Uso da Línguagem (PEUL) da Faculdade de Letras, UFRJ.

Autora de trabalho pioneiro e seminal sobre a Língua de Contato no Alto Xingu, sua Origem Forma e Função (objeto de sua Tese de Doutorado), inaugurou no Brasil a Área de Sociolinguística Indígena. Contribuiu para o conhecimento da origem dos Pidgins com o estudo da formação e uso do Pidgin Xinguano pelo Sertanista Orlando Villas Boas.

Criou substancial Banco de Dados do Português de Contato aberto à Pesquisa de colegas e estudantes, resultando em numerosos trabalhos científicos. São ainda resultados dessas pesquisas publicações nacionais e internacionais.

Desenvolveu o Projeto de Pesquisa Estudo Sincrônico de Línguas Indígenas do Alto Xingu com apoio do CNPq e CEPG/UFRJ, para estudar línguas indígenas ainda pouco conhecidas e motivar alunos-bolsistas de linguística à pesquisa da rica diversidade linguística e cultural dos povos indígenas brasileiros.

Tendo iniciado cientificamente uma vintena de estudantes, entre estagiários e bolsistas, abriu as portas da pesquisa de campo para vários pesquisadores, entre os quais aqueles que alcançaram projeção em suas respectivas áreas de conhecimento.

Lidou diretamente com grandes líderes indígenas e participou da luta dos povos indígenas por seu direito e desejo à educação bilíngue. Contribuiu, instalando um programa bilíngue inicial com a professora Suzana Grillo no Posto Leonardo do Alto Xingu.

Foi a primeira curadora dos acervos da Linguística, que dariam origem ao Centro de Documentação de Línguas Indígenas.

Foi Curadora do Acervo Curt Nimuendaju, publicando alguns inéditos. Traduziu do alemão sua obra clássica sobre os índios Apapocuva-Guarani. Participou da primeira publicação do Mapa Etno-Histórico de Curt Nimuendaju, feita pelo IBGE (1981).

Era amante das línguas (falava várias), das culturas, das artes, dos muitos universos indígenas.

Adorava plantas, flores e exposições. Amava o Setor de Linguística e o Museu Nacional.

Era linda, amável, generosa, humana. Entusiasmada com o futuro, deixou-nos cheia de esperança.

Marília Facó Soares

Em 18/10/2020

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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