A professora de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) Deisy Ventura recomendou, durante a comissão geral que discute a nova gripe causada pelo vírus H1N1, que haja cooperação internacional para combater a gripe. Em sua avaliação, é importante que os países possam quebrar patentes de medicamentos para garantir o tratamento. Segundo ela, o acesso à vacina também precisa ser igualitário.
Para Deisy Ventura, é necessário que a Câmara continue tratando do tema mesmo após o fim da pandemia. Ela teme que, a partir de agora, o período entre uma pandemia e outra no mundo seja cada vez mais curto.
Já o vice-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), José Geraldo Lopes Ramos, afirmou que o Brasil deve se preparar cada vez mais para combater a gripe e dar atenção especial às mulheres grávidas. Além disso, em sua opinião, é preciso dar mais atenção à gripe sazonal, inclusive vacinando gestantes.
O secretário de Estado de Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, considera que existe alarmismo nas notícias sobre a Influenza A. O México [onde o surto teve início] parou e não adiantou nada. O alarmamismo cria um outro nível de estresse, que não deveria haver, disse.
Osmar Terra justificou ainda o número de casos e óbitos no Rio Grande do Sul, que registrou 50 mortes, em decorrência de o estado fazer fronteira com dois focos da pandemia - o Uruguai e a Argentina. O secretário destacou ainda o clima do sul do País como fator determinante para a incidência da doença.
A comissão geral ocorre no Plenário da Câmara.
Agência Câmara
Em um cantinho da Amazônia brasileira, próximo à divisa com a Colômbia, 19 línguas indígenas dividem espaço com o português. A região, conhecida como Cabeça do Cachorro, fica no noroeste do Amazonas e tem 23 povos diferentes.
São Gabriel da Cachoeira, a maior cidade da região, tem quatro línguas oficiais. É o único município quadrilíngue do Brasil. Entre os idiomas do lugar está o nhengatu. Baseado na língua dos tupinambás, foi inventado pelos jesuítas do século XVIII para evangelizar os índios. Os outros três idiomas são tukano, baniwa e o português – a língua usada para se comunicar com forasteiros.
Torre de babel - O índio baniwa Luís da Silva é um exemplo da “Torre de Babel” que se vive na região. Ele fala nove línguas: baniwa, tukano, wanano, kuebo, kuripaco, werekena, nhengatu, espanhol e português.
O índio tukano Laureano Maia, que aprendeu português com os padres, achou que podia esquecer o idioma de sua tribo. “Pôxa, e agora? Como que a gente vai ficar sem nada, sem cultura, sem mito, sem história?”.
Maia começou a recuperar a história de seu povo quando conheceu Judson, um adolescente de 16 anos cheio de perguntas. “Qual a minha etnia? Onde que eu pertenço? De onde que nós surgimos?” Para responder a todas essas dúvidas, eles conseguiram reaver o mito tukano da criação do mundo e, em um livro, salvaram ao mesmo tempo a língua e a cultura de seu povo.
Mito tukano - Segundo o mito tukano, no começo não existia água, não existiam árvores, não existia terra. Onde hoje é a Baía de Guanabara, Deus criou uma cobra-canoa. No ventre dela, nasceu a humanidade, com vários grupos étnicos. Eles foram subindo pela costa brasileira de sul para norte, percorrendo todo o litoral. Chegando perto da Ilha de Marajó, entraram no Rio Amazonas.
Navegaram rio acima até chegar no Rio Uaupés, na cachoeira de Ipanoré. O índio, o negro, o branco teriam surgido dessa cachoeira, e por isso ela seria tão grande. Cada buraco da cachoeira representa o surgimento de uma etnia.
O livro, todo escrito em tukano, foi impresso em uma gráfica de São Paulo. “Enquanto o índio estiver vivo, a cultura não vai acabar. Porque vai estar dentro de nós mesmos”, declara Judson. (Fonte: Globo Amazônia)
Hoje é dia de meu aniversário.
Ser pai
Ser pai
Ser pai
Ser pai
Ser pai
Ser pai
Ser pai
Ser pai 
E de todas as minhas modestas dimensões humanas,
a que mais me realiza é a de ser pai.
é acima de tudo, não esperar recompensas.
Mas ficar feliz caso e quando cheguem.
É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão.
É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância
(mas compreensão) com os próprios erros.
é aprender errando, a hora de falar e de calar.
É contentar-se em ser reserva, coadjuvante,
deixado para depois. Mas jamais falar no momento preciso.
É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte.
É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em
nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.
é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez. É esperar.
É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo.
Portanto, é agüentar a dor de ver os filhos passarem
pelos sofrimentos necessários,
buscando protegê-los sem que percebam,
para que consigam descobrir os próprios caminhos.
é saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir.
Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar.
É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que,
a alma, lhe corrói. Ser pai é ser bom sem ser fraco. É jamais transferir aos filhos
a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão.
é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar.
É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher,
ainda que não seja em vida.
Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão.
Mas ir às lágrimas quando chegam.
é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido
se faz na personalidade do filho,
sempre como influência, jamais como imposição.
É saber ser herói na infância, exemplo na juventude
e amizade na idade adulta do filho.
É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar,
ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.
é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja,
projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão
e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender;
de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte,
mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.