Jornal do Brasil
“Como melhorar o nível acadêmico dos milhares de professores hoje em sala de aula? Como atrair os melhores jovens egressos dos cursos de bacharelado e licenciatura para a atividade docente?”
Wanderley de Souza é professor titular da UFRJ, diretor de Programas do Inmetro e membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina. Artigo publicado no “Jornal do Brasil”:
Por qualquer ângulo que se analise a questão da qualidade da educação no Brasil, só vamos encontrar indicadores positivos quando se trata da pós-graduação.
O sucesso atingido na formação de mestres e doutores em número crescente explica a produção crescente de conhecimento acadêmico, que nos coloca, atualmente, entre os 13 países principais na produção de artigos publicados em revistas de elevado prestígio internacional.
No que se refere ao ensino de graduação, temos sérios problemas estruturais, com um declínio preocupante de atividades práticas durante o curso. No entanto, um forte programa de iniciação científica supre parte das deficiências e tem levado à formação de graduados de excelente nível em quase todas as áreas do conhecimento.
É no campo do ensino básico que os indicadores apontam para uma situação crítica. Em relação a aspectos qualitativos, os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) mostram que ocupamos a 48ª posição em leitura e a 52ª em ciências, entre os 56 países avaliados.
Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) indicam que o desempenho dos alunos, em 2007, em provas de português e de matemática foi inferior ao obtido em 1995. No que se refere a aspectos quantitativos, chama a atenção o fato de que apenas 37% dos alunos que ingressam no ensino fundamental chegam ao final do ensino médio. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNDA) mostram que 20% dos jovens entre 18 e 29 anos que vivem na zona urbana não completam o ensino fundamental.
Apenas estes dados já são suficientes para deixar claro o que percebemos nas conversas cotidianas ou nas visitas às escolas públicas. Reverter este quadro constitui o maior desafio para a educação brasileira. Certamente, tal reversão é possível, mas exigirá uma atuação continuada em vários setores, o que inclui infraestrutura física, infraestrutura laboratorial, melhoria salarial dos profissionais envolvidos com educação e, o que me parece mais importante neste momento, estímulos para que os nossos melhores jovens vejam na atividade docente uma possibilidade de realização profissional, como já o foi no passado.
A decisão recente de colocar a Capes, que é uma Fundação vinculada ao MEC e que já se mostrou competente para tratar da pós-graduação brasileira, na linha de frente de um processo de apoio ao ensino básico traz uma nova esperança. Por sua experiência e tradição a Capes pode desempenhar papel relevante, sobretudo no processo de formação de professores mais motivados e melhor capacitados.
Como melhorar o nível acadêmico dos milhares de professores hoje em sala de aula? Como atrair os melhores jovens egressos dos cursos de bacharelado e licenciatura para a atividade docente?
A saída que me parece mais viável, ainda que seu efeito só poderá se tornar perceptível lentamente, é um forte incentivo governamental que dê oportunidade a que uma parcela significativa dos professores atuais, e um contingente crescente dos novos professores, façam cursos de atualização bem planejados e organizados e que levem a uma especialização.
Os professores que se engajarem em um programa como este devem ser estimulados a ingressar em um regime de tempo integral na escola, recebendo inicialmente uma bolsa. Esta deveria ser, posteriormente, substituída por gratificação significativa que assim elevaria o salário do professor a níveis compatíveis com sua importância na sociedade.
Alguns dos professores já em exercício e jovens recém-licenciados deveriam ser estimulados a obter uma formação mais elevada, através de programas de Mestrado Profissional em Atividades de Ensino. Nesse caso, o valor da bolsa deveria ser superior ao praticado atualmente para o mestrado acadêmico (R$ 1.200 por mês) e próximo ou igual ao de doutorado (R$ 1.800 por mês).
Desta forma, um sinal claro de incentivo estaria sendo dado pelo governo. Aqui, a união dos governos federal, estaduais e municipais é fundamental para que o programa atinja o maior número possível de professores.
Por que enfatizar o mestrado profissional? Vejo nesta modalidade de curso de pós-graduação, introduzido recentemente para atender demandas do setor produtivo, uma grande oportunidade para formarmos professores com uma nova mentalidade.
Neste curso é fundamental que durante o processo de formação do professor ele adquira um sólido embasamento nas mais diferentes áreas, tendo como referência o currículo do ensino ao qual vai se dedicar, aliado a uma excelente formação no uso dos métodos mais avançados de ensino prático e bases pedagógicas modernas. O professor melhor qualificado e bem remunerado terá muito mais condições de motivar a nossa juventude.
A frase é muito interessante, mas fatos sobre o pensamento pré-linguístico de surdos e autistas parecem falsear a idéia de que só com a linguagem há pensamento. O processo primário (p.ex. nos sonhos) também se dá sem linguagem.
Wittgenstein ainda não sabia desses fatos, já conhecidos pelas ciências da cognição e adjacências.
Lucia Q. (de volta)
In http:www.fea.usp.brnoticias.php?i=222
Pesquisa sobre preconceito e discriminação no ambiente escolar
A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou ontem, dia 17,
às 10h30, em entrevista coletiva na FEA-USP, os resultados da Pesquisa sobre
Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada para o Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A pesquisa envolveu a análise dos preconceitos de natureza étnico-racial,
socioeconômico, geracional, de gênero, territorial, de orientação sexual e o relacionado a pessoas com necessidades especiais. Foi também pesquisada a
discriminação de diferentes grupos sociais, representados por negros,
pobres, índios, ciganos, homossexuais, moradores de periferia, favelas e
áreas rurais, pessoas com necessidades especiais de natureza física e
mental, idosos e mulheres.
Segundo o professor José Afonso Mazzon, da FEA-USP, coordenador do trabalho,
a pesquisa de campo foi realizada em 501 escolas públicas de todo o pais,
nas quais foram entrevistadas de 18.500 pessoas (alunos, pais e mães,
diretores, professores e funcionários).
A repercussão da pesquisa foi enorme e diversos veículos compareceram,
abaixo a lista de alguns veículos:
1.. TV CULTURA
2.. Portal G1
3.. Rádio Cultura FM
4.. Agência Brasil
5.. CNT
6.. Rede TV
7.. Diário de São Paulo
8.. SBT
9.. Revista Página 22
10.. Revista Espaço Aberto
11.. Rede Record
12.. TV Gazeta
13.. Estadão
14.. JT
15.. Folha de S. Paulo
16.. Jornal da USP
17.. Rádio Jovem Pan
Abaixo alguns links com matérias sobre a pesquisa:
Metrô News 18 de junho de 2009
- Preconceito chega a 99,3% no ambiente escolar
- Bullying é uma forma de afirmação, diz psicóloga
http:www.metronews.com.br
Jornal O Estado de S. Paulo 18 de junho de 2009
Escola é dominada por preconceitos, revela pesquisa
http:www.estadao.com.brestadaodehoje20090618not_imp389064,0.php
Jornal da Cidade (Bauru) por Agência Brasil 18 de junho de 2009
Preconceito invade escolas públicas
http:www.jcnet.com.breditoriasdetalhe_geral.php?codigo=159146
Jornal Folha de S. Paulo 18 de junho de 2009
Preconceito piora desempenho de alunos, diz pesquisa (só para assinantes)
https:acesso.uol.com.brlogin.html?dest=CONTENT&url=http:www1.folha.uol.com.brfspcotidianff1806200920.htm&COD_PRODUTO=7
Portal Curso Certo
Não ao pensamento pequeno!!!
http:www.cursocerto.com.brindex.php?area=noticias&sub=ler&idNoticia=410
TV Canal 13 17 de junho de 2009
Na escola, alunos religiosos são os mais preconceituosos em relação aos gays
http:www.tvcanal13.com.brnoticiasna-escolaalunos-religiosos-sao-os-mais-preconceituosos-em-relacao-aos-gays-65479.asp
JC Online 17 de junho de 2009
Estudantes negros são as maiores vítimas de agressões nas escolas públicas,
diz pesquisa
http:jc.uol.com.brcanalcotidianonacionalnoticia20090617estudantes-negros-sao-as-maiores-vitimas-de-agressoes-nas-escolas-publicas-diz-pesquisa-190928.php
Portal G1 Globo.com 17 de junho de 2009
Na escola, alunos religiosos são os mais preconceituosos em relação aos gays
http:g1.globo.comNoticiasVestibular0,,MUL1198079-5604,00-NA+ESCOLA+ALUNOS+RELIGIOSOS+SAO+OS+MAIS+PRECONCEITUOSOS+EM+RELACAO+AOS+GAYS.html
Jornal o Globo (online) 17 de junho de 2009
Pesquisa inédita aponta que preconceito no ambiente escolar é maior com
relação a portadores de necessidades especiais
http:oglobo.globo.comeducacaomat20090617pesquisa-inedita-aponta-que-preconceito-no-ambiente-escolar-maior-com-relacao-portadores-de-necessidades-especiais-756383617.asp
Portal + Comunidade (por Agência Brasil)- 17 de junho de 2009
Pesquisa indica que há 99,3% de preconceito no ambiente escolar
http:www.maiscomunidade.comconteudo2008-05-19brasil10809PESQUISA-INDICA-QUE-HA-993-DE-PRECONCEITO-NO-AMBIENTE-ESCOLAR.pnhtml
Portal G1 Globo.com 17 de junho de 2009
Bullying na escola tem impacto no desempenho dos alunos
http:g1.globo.comNoticiasVestibular0,,MUL1198017-5604,00-BULLYING+NA+ESCOLA+TEM+IMPACTO+NO+DESEMPENHO+DOS+ALUNOS.html
Assessoria de Imprensa do Mec
Se o papel do Estado como órgão regulador não for reforçado, as discussões sobre avaliação e internacionalização perderão seu poder de ação concreta. Foi esse o pressuposto que o ministro da Educação, Fernando Haddad, usou para embasar o discurso proferido nesta quarta-feira, 8, na Conferência Mundial da Educação Superior da Unesco, na sede da entidade, em Paris.
Haddad destacou a importância da gratuidade na oferta de ensino superior em países subdesenvolvidos. E falou também na importância de combater dois grandes obstáculos do setor: o corporativismo, que engessa a expansão e o desenvolvimento de instituições públicas de ensino superior, e a ação das “fábricas de diploma”, que prejudicam os alunos com cursos de baixíssima qualidade.
“Devemos sim tratar a educação como bem público. O acesso deve ser, tanto quanto possível, gratuito. É isso que dá consequência maior ao conceito de bem público. Muitos recursos públicos vêm sendo despendidos pelo mundo em armamentos e agora, na crise financeira mundial, trilhões de dólares foram dados a bancos para valorizar papéis sem valor. Temos que nos preocupar com outros papéis sem valor negociável: diplomas de instituições de ensino superior de má qualidade são tão maléficos quanto hipotecas falidas.”
Sobre a questão da internacionalização, regionalização, ou globalização da educação superior, o ministro brasileiro afirmou: “Esse processo ficaria extremamente comprometido se não tivéssemos criado um sistema robusto de educação superior, que deve partir do Estado, por delegação ou não. Os estados nacionais precisam estabelecer sistemas de avaliação nacionais. Sem eles, a globalização do ensino pode ser considerada uma ameaça às soberanias nacionais, porque é na universidade que se criam as idéias para desenvolver o país. Poderíamos aprofundar a cooperação internacional, sem o medo de mercantilizarmos o ensino superior em escala global. O propósito da cooperação solidária com outros países é muito bem visto dentro do grupo de países da América do Sul e do Caribe, que partilham interesses comuns, em um sistema em que todos contribuem e todos se beneficiam.”
Gratuidade – Para Haddad, a estratégia para aumentar a oferta e a equidade nas universidades deve contar com investimento público e políticas de oferta de bolsa e ampliação da rede pública. Ele enfatizou que, no caso brasileiro, de acordo com a Constituição Federal, isso implica gratuidade – nenhuma instituição pública pode cobrar pelos estudos.
No caso do setor privado, o ministro apresentou as bases do ProUni, programa no qual há um sistema de troca de impostos por bolsas de estudo. Para ilustrar, o ministro informou: “Apesar de ser uma iniciativa jovem, já atende a meio milhão de estudantes brasileiros.” Durante o discurso ele enfatizou a importância da criação e fortalecimento de sistemas de avaliação e, principalmente, de acreditação das instituições.
“Temos que combater as degree mills, que disseminam cursos de má qualidade, quando não são apenas fraude, clara e simples. Mas não nos parece suficiente avaliar e divulgar: a nossa experiência revelou que as forças de mercado não são suficientes para que se atinja um ponto ótico de equilíbrio. Mesmo com a divulgação, a ação predatória de instituições de ensino superior sem compromisso tem reflexos terríveis na qualidade do ensino oferecido.”
Para ilustrar como isso é possível, o ministro falou sobre as bases do Sinaes, Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior. “Estamos aprofundando o sistema de avaliação criado há 10 anos. Não avaliamos apenas as instituições, mas os cursos e programas de pós-graduação, a cada três anos. Todos são rigorosamente avaliados, usando critérios rígidos e especialistas que fazem visitas in loco. Os resultados são publicados mas, sem ações efetivas, para atingir equilíbrio, sem a ação incisiva do Estado, inclusive descredenciando cursos e instituições, a qualidade fica comprometida. Instituições que receberam penalidades passaram a levar bem mais a sério o marco regulatório e se adaptar aos quesitos de qualidade previstos nele.”
Responsabilidade social – O ministro enfatizou também a importância de aliar a oferta e o acesso à responsabilização social. “Alguns dos termos ajustados com instituições de ensino superior brasileiras passam pelo compromisso da educação superior pública, com a formação de professores da educação básica. O compromisso com a formação de professores, e o combate ao déficit e à escassez desses profissionais me parece um compromisso com os destinos da Educação sobre o todo.”
Haddad mencionou também ações ligadas ao Reuni, programa de expansão e reestruturação das universidades federais. Ele contou que no compromisso proposto às instituições federais de ensino superior para expansão foram colocados pontos como número mínimo de alunos por professor, obrigatoriedade de oferta de cursos noturnos e adoção de cotas sociais.
“Para nossa surpresa, 100% das instituições firmaram esse compromisso com a educação, um compromisso com o Estado, mais que com o governo”, disse o ministro.
Haddad apresentou ainda dois formatos possíveis para a educação superior, amplamente disseminados no Brasil, e que podem servir de exemplo para diversos países do mundo. “É necessário fazer repercutir também outras formas de organização da educação superior, como a oferta de cursos de curta duração, como os comunity colleges americanos, e a educação a distância, que passa por um momento de ampliação de oferta no Brasil.”