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Desde que surgiram nos Estados Unidos, no final da década de 80, as universidades corporativas se tornaram uma verdadeira febre. Subitamente, todas as grandes empresas americanas queriam ter a sua própria academia para forjar talentos a baixo custo e compensar, assim, a falta de profissionais qualificados no mercado. O Brasil, é claro, entrou nessa onda com algum atraso - mas pelo menos entrou. Até 2000, as universidades corporativas eram privilégio de pouco mais de uma dezena de multinacionais instaladas por aqui. Hoje, estão presentes em mais de 500 empresas de diferentes portes e ramos de atividades do país. E o que é melhor: algumas delas estão na linha de frente da educação corporativa, com inovações capazes de rivalizar com o que existe de melhor nos Estados Unidos e na Europa - e que vão além das demandas do setor de RH.

Um exemplo é a Chemtech, especializada em soluções de automação e engenharia para grandes indústrias. Lá, a educação é mais do que uma maneira de qualificar a força de trabalho - é, também, um meio de atrair, selecionar e contratar novos funcionários. Todos que almejam trabalhar na empresa são convidados a participar gratuitamente de um curso ministrado pela Universidade Corporativa Chemtech (UCC). O curso foi desenvolvido pela própria companhia, mas trabalha competências que são essenciais para qualquer profissional que pretenda se destacar no mercado.

Os alunos que apresentam as melhores médias de desempenho nas aulas são contratados. Já os que sobram ficam em uma lista de reserva, uma espécie de back-up de competências da Chemtech, como define Denise Lopes Cardoso, gerente-geral da empresa, cuja sede fica no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, eles têm total liberdade para procurar emprego em outras empresas.

Então, o curso acaba sendo útil para todos, inclusive para quem não é contratado, explica.
Referência na busca de novas funções para sua universidade corporativa, a Natura adota um programa diferenciado de formação de líderes. Mas o que nós fazemos é mais do que um treinamento. É um processo transformador, resume Marcelo Madarász, gerente de liderança da Natura. Uma das diferenças é o fato de que a Natura não se restringe à grade curricular trazida de MBAs ou dos cursos in company disponíveis no mercado. O programa foi montado pela própria empresa em parceria com a Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, e é dividido em três eixos de abordagem. Cada um deles promove uma etapa desse processo transformador que habilita os participantes a ocupar cargos estratégicos de liderança dentro da Natura. Na prática, é uma universidade corporativa customizada, que desenvolve líderes já alinhados com os valores da empresa. Não por acaso, o programa adotado em 2007 já contou com a presença de personalidades como o filósofo e economista Jean Bartoli e o ativista José Junior, líder do grupo AfroReggae. O objetivo é sempre trazer um olhar plural e holístico, alinhado com o jeito de ser da Natura, diz Madarász.

O limite é o mercado

O fato é que as universidades corporativas estão deixando de ser meros departamentos de qualificação dentro das empresas. Hoje, elas são vistas como unidades de negócios independentes - com planejamento, receitas próprias e autonomia para se relacionar não só com o público interno. É o que vem ocorrendo, por exemplo, na universidade do Hospital Mãe de Deus (HMD), de Porto Alegre. Criada em 2004 para dar suporte técnico às estratégias de crescimento do hospital, a Universidade Corporativa Mãe de Deus acabou se tornando um dos centros de especialização em saúde mais procurados do Rio Grande do Sul. A ideia inicial era atender a demandas internas de qualificação, principalmente naquelas áreas em que os profissionais carecem de especialização em saúde, como a Administração, recorda Alceu Alves da Silva, diretor executivo do HMD. Mas nós percebemos que a procura por esses cursos é muito grande e, por isso, decidimos oferecê-los também ao público externo. Isso possibilitou à nossa universidade crescer rapidamente, conta ele.

Hoje, o HMD registra marcas invejáveis na área de educação corporativa. Cada funcionário do hospital recebe até quatro horas de treinamento por mês, em média. É um sucesso histórico no nosso setor, afirma Kátia Barreiro Magni, gerente de recursos humanos do HMD. Em média, diz ela, os hospitais brasileiros dão cerca de 2,8 horas de treinamento por mês a cada empregado. Isso se considerarmos os melhores hospitais do país. Além disso, o HMD ganha prestígio ao se posicionar como uma instituição capaz de formar bons profissionais para o mercado da saúde, graças a alianças mantidas com universidades convencionais - sete, no total - e entidades médicas.

Recentemente, por exemplo, o HMD criou um curso em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia. O objetivo é atender aqueles médicos que desejam se tornar cardiologistas, mas ainda não passaram nos exames seletivos para a residência nessa disciplina. É claro que o curso não corresponde à residência. Mas é algo que habilita o médico a buscar a formação em cardiologia, destaca Silva.

A universidade corporativa é um dos fatores que sustentam o crescimento do HMD. Graças a ela, o hospital consegue encurtar caminhos para atingir suas metas estratégicas. Por exemplo: atualmente, o Mãe de Deus está buscando uma certificação internacional na área de qualidade e segurança hospitalar. Para isso, temos de passar por uma nova etapa de qualificação dos nossos recursos humanos, explica Silva. Com a multiplicação de centros clínicos, capazes de realizar atendimentos e pequenos procedimentos cirúrgicos, os grandes hospitais tendem a se concentrar no atendimento de casos mais complexos, afirma ele. Daí a necessidade de se ter treinamentos e processos cada vez mais rígidos.

Muito além do RH

A universidade também baliza algumas práticas de gestão de pessoas do HMD. Prova disso é o programa Evoluir, que orienta as carreiras de cada funcionário dentro do hospital. Basicamente, o sistema indica quais são as competências necessárias para se ocupar cada um dos cargos existentes dentro do HMD. Assim, um enfermeiro sabe exatamente o que precisa fazer para ser promovido, por exemplo, a chefe do departamento de enfermagem - e a universidade corporativa permite que ele desenvolva as competências necessárias para isso. A gente diz quais são as vagas que temos em aberto e o perfil necessário para preenchê-las. Então, proporcionamos a qualificação necessária aos candidatos, explica Kátia.

Na prática, a universidade corporativa ultrapassa os limites do setor de RH e tem participação decisiva nos resultados do HMD. Entre 2006 e 2008, o número de clientes novos - isto é, pacientes que foram atendidos pela primeira vez no hospital - subiu de 70 mil para 90 mil. No ano passado, a meta de atendimentos foi batida com três meses de antecedência. É uma forma de avaliar se o investimento em educação está dando retorno, resume Silva.

 

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Folha de S.Paulo

“Que não haja dúvida: quem determina o que os jovens devem saber ao final da escolaridade básica são os programas das diferentes universidades, especialmente as públicas”

Arthur Fonseca Filho, educador, é presidente do Conselho Estadual da Educação de São Paulo, ex-membro do Conselho Nacional da Educação e ex-secretário municipal da Educação de Sorocaba (SP). Artigo publicado na “Folha de SP”:

Os jornais vêm noticiando, quase semanalmente, mudanças importantes em alguns dos principais exames de acesso ao ensino superior. As três universidades públicas paulistas anunciaram alterações em seus vestibulares, algumas bastante relevantes, como é o caso das propostas pela Fuvest, cuja segunda fase passará a cobrar domínio de todas as disciplinas (e não apenas das matérias relativas à área de interesse do candidato) e incluirá questões interdisciplinares.

Ao mesmo tempo, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi vitaminado e será a forma única de acesso para quase metade das universidades federais. Passará a ter entre 160 e 180 questões, contra 63 do modelo anterior, e vai requerer o domínio de uma matriz de conteúdos, o que não aconteceu nos dez anos de sua existência.

As mudanças propostas não vêm sofrendo críticas substanciais, a não ser pelo fato de terem sido anunciadas a  poucos meses da aplicação das provas, como noticiou esta Folha na reportagem A seis meses do vestibular, USP muda 2ª fase (235).

É mesmo incompreensível que essas propostas sejam simplesmente anunciadas, sem maiores discussões, alterando as regras no meio de um jogo que envolve o futuro de milhares de jovens, trazendo instabilidade e incertezas para os alunos e suas famílias, desconcertando o planejamento pedagógico das escolas. O que há de difícil em estabelecer carência mais longa para a vigência das mudanças?

Contudo, para quem conhece a precária articulação entre o ensino superior e o ensino básico brasileiro, essa despreocupação não causa nenhuma surpresa. Apenas reitera a lógica que fez com que os vestibulares deformassem totalmente o ensino médio nas últimas décadas.

Que não haja dúvida: quem determina o que os jovens devem saber ao final da escolaridade básica são os programas das diferentes universidades, especialmente as públicas. Algumas ainda se preocupam em assumir referenciais adotados pelo sistema de educação básica, como os Parâmetros Nacionais Curriculares.

Outras, como a USP, nem sequer publicam um programa mínimo. Cada um de seus institutos decide qual corpo de conhecimentos deverá ser exigido dos alunos para que possam ser admitidos. Aí, o céu é o limite.

Agora, o mesmo se repete em âmbito federal. Ao tempo desse artigo, ainda não se sabia sequer o número exato de questões do novo exame, tampouco os gêneros das perguntas propostas - já que representam algo novo nos exames nacionais.

Embora bem-intencionada, a mudança segue o mesmo vício de origem dos vestibulares: quer reorientar a fórceps o trabalho pedagógico do ensino médio, agora para estimular as escolas a desenvolver determinado conjunto de habilidades e competências, pela via do exame de acesso.

Assim, por todo o país, os diferentes vestibulares buscam se diferenciar formalmente, criando um espaço próprio, num esforço pouco produtivo, já que simulações estatísticas sugerem que, no fundo, são praticamente os mesmos alunos bem preparados que obterão as vagas, quaisquer que sejam os instrumentos de seleção - evidentemente, claro, se não há interferência de medidas de inclusão.

Mas, em vez de estudar sua eficácia por meio de pesquisas, esses programas não conversam entre si, se superpõem e sacramentam um currículo superdimensionado a ser rigorosamente seguido.

Deveria ser exatamente o contrário. Desde 1996, o artigo 51 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) determina que as instituições de ensino superior levem em conta os efeitos de seus critérios de seleção sobre o ensino médio, procurando articular-se com órgãos que normatizam os sistemas de ensino básico.

O legislador estava consciente do prejuízo trazido pelos vestibulares concebidos unilateralmente por instituições de ensino superior. Ou seja, o vestibular está além da autonomia universitária, pois é um instrumento que impacta todo o sistema.

Por esse motivo, amparado na LDB, o Conselho Estadual da Educação de São Paulo vem buscando estabelecer entre as três universidades públicas paulistas, a Secretaria de Estado da Educação e a Secretaria de Estado do Ensino Superior um diálogo que leve a um novo modelo de exame, mais sensível às demandas do sistema de ensino básico como um todo.

É um primeiro degrau de um longo, mas necessário, caminho, que passa por uma concepção mais global e integrada dos objetivos de cada uma das etapas da educação brasileira - em benefício do objetivo maior de qualquer projeto de ensino: o desenvolvimento do ser humano que chamamos de aluno.

 

 

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Carta de uma recém formada em pedagogia


São Paulo, 29 de maio de 2009

Prezado Ministro da Educação

Sr. Fernando Haddad

Li nos jornais que o senhor quer melhorar os cursos de pedagogia. Vai exigir que os cursos tenham brinquedoteca e que exista computador para cada 30 alunos etc. Quer modificar o contato dos alunos com as escolas. Quer exigir mais dos cursos. Tudo isso é louvável, mas, acredite em mim, não vai mudar nada.

Fiz o curso de Pedagogia na Universidade de São Paulo. Formei-me faz pouco tempo. Julgo que tive uma boa formação, inclusive do ponto de vista prático, pois fiz bons estágios. Logo que acabei, arrumei uma escola para trabalhar. Era uma escola particular, relativamente boa. Todavia, não fui ao emprego nenhum dia. Pois o salário não compensava.

Trabalho em uma clínica de dentista, como secretária. Ganho 1.500 reais. Na escola, com mais de 50 alunos na classe, eu ganharia 760 reais, não mais que isso. Na clínica meu trabalho é simples, e ainda tenho tempo de ler e sair cedo para voltar para casa. Atendo telefone, faço agenda e, às vezes, compro material. Na escola, eu sairia tarde e teria de voltar para reuniões. Além disso, na escola, como me avisaram, eu teria de limpar as crianças no banheiro. Caso alguma se machucasse, eu seria a responsável. E pior: eu teria de conversar com os pais, ver o que estaria acontecendo em casa, caso a criança apresentasse qualquer problema.

Como o senhor vê, não adiantou eu me formar na USP. Não adiantou eu fazer um bom curso, onde li muita coisa que em outras faculdades não é solicitado. E fiz trabalhos práticos que em outras faculdades não é pedido. Meu estágio foi real, enquanto que colegas minhas, em faculdades particulares, fizeram estágios falsos. Todavia, tanto eu quanto elas estamos na mesma: não pudemos seguir a vocação. Tivemos de optar por outro emprego.

Aqui, o governador de São Paulo também sabe falar mal dos cursos de Pedagogia. Ele fala sem razão. O senhor também não está contente com os cursos de Pedagogia. Mas o problema é que a educação das crianças não vai mal por causa do curso de Pedagogia, vai mal porque ninguém pode ser professor. Nem quem quer muito, como era meu caso, pode seguir a carreira.

Dizem que há o piso salarial. Ora, o piso não chega a 900 reais, não é? Não é possível pagar aluguel, comer, comprar livros e pagar transporte com esse piso. Um apartamento de apenas um quarto, relativamente perto da escola que eu iria trabalhar, era mais de 500 reais de aluguel, fora o condomínio. Nem mesmo eu, que sou sozinha, poderia ajudar lá na casa dos meus pais se ganhasse só o piso. A profissão de professor não poderia ser alguma coisa tão ruim, tão desvalorizada. Isso é o que importa.

As medidas que o senhor está anunciando, no fundo apenas aumentarão a mensalidade dos cursos de pedagogia das faculdades particulares. Eles repassarão para os alunos o que o MEC está impondo de gastos a mais. Mas não irá resolver o problema da melhoria do ensino. E ainda por cima irá fazer as pessoas gastarem mais para fazer o curso de Pedagogia. Isso vai só atrapalhar, vai só fazer com que menos gente queira fazer o curso.

Agradeço sua atenção

Deus o proteja

Mariana Ferraz de Oliveira.

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30 de maio de 2009

http:www.nivaldocordeiro.netoproblemadasescolaspublicas

O grande problema da rede pública de ensino, o maior de todos, é a
impossibilidade de ser administrada, em face do gigantismo, do viés
militante do professorado e do aparelhamento, pelas lideranças
sindicais, das greves para fins políticos.

A imprensa noticiou que o sindicato dos professores do Estado de São
Paulo marcou greve para próxima quarta feira, reivindicando elevado
percentual de aumento de salários e uma pauta política, pedindo a
retirada de dois projetos de lei de iniciativa do Executivo, que
modificam a forma de contratação de professores temporários. O pano de
fundo do movimento grevista, todavia, são as eleições do ano que vem.
O sindicato não está alinhado com o governo paulista e faz o jogo da
oposição.

Veja, caro leitor, são 215 mil professores. Como administrar uma massa
desse tamanho? Inviável. Todos os anos vemos as pautas de
reivindicações e as “conquistas” da classe, sempre em prejuízo dos
contribuintes e das necessidades pedagógicas dos alunos, em processo
cumulativo, que alarga ganhos e reduz a jornada de trabalho,
permitindo o absenteísmo remunerado. O Estado de São Paulo tem graves
deficiências de preparação dos alunos e digo sem medo de errar que
tais deficiências são provocadas por duas causas.

Em primeiro lugar, pelo descompromisso acadêmico do professorado, que
fez da profissão de professor público um enorme cabide, à espera de
completar o tempo de aposentadoria. O segundo ponto é o despreparo
evidente de boa parte dos integrantes do quadro. Desconfio que, se os
professores das cadeiras específicas se submetessem às provas das
respectivas disciplinas nos vestibulares, teríamos uma surpresa
vexaminosa. Ao lado de uma minoria excelente teríamos uma larga
maioria despreparada para o exercício do seu mister, que não deveria
ser professora.

E aqui está a questão central do burocrata tornado professor: não
existe janela de saída, nenhum turnover. A pessoa que está professora,
sem vocação e desmotivada, não sai e o patrão, o Estado, se recusa a
demitir, mesmo diante das graves deficiências de desempenho. A vítima,
além do contribuinte que paga, é o jovem estudante, prejudicado na sua
necessidade elementar de obter a formação adequada.

Além do mais, o processo de ensino está objetivando a formação de
militantes políticos e não de líderes empreendedores. A cada geração
se multiplica o espírito de funcionário público. Os métodos de ensino
e a perspectiva adotada pelo grosso dos burocratas professores visam a
perpetuação da formação de novos burocratas, numa espiral sem fim.

A receita para esses problemas todos é uma só: a privatização das
escolas, a celetização do professorado. O enorme patrimônio de
edificações e apetrechos escolares poderia perfeitamente ser leiloado
e os bons professores aproveitados. Os maus deveriam ou ser demitidos
ou aposentados ex officio. Teríamos uma grande inovação pedagógica se
algo assim fosse tentado.

Aos alunos carentes, supostamente toda massa hoje matriculada na rede
pública, o Estado asseguraria matricula pagando a mensalidade. Depois
do período de transição seria possível até mesmo se pensar em um
processo em que o benefício da escola paga pelo poder público estaria
vinculado ao desempenho escolar, o que daria uma injeção de ânimo
instantânea no desejo de aprender do aluno. Ganhos na relação
ensinoaprendizado aconteceriam de forma imediata, restabelecendo-se a
autoridade do professor.

Eu sei que tocar nesse tema é polêmico e contraria o senso comum. Mas
sei também que a situação, como está, não pode ser mantida. Algo
precisa ser feito. Enquanto isso não vem, os sindicalistas, populistas
e politicamente teleguiados, fazem da questão essencial da educação
elemento de barganha espúria, em prejuízo de toda a sociedade.
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A pequena Natasha que, segundo seus médicos, já interage com outras crianças,  mas ainda não está falando

 

 

A menina de cinco anos encontrada latindo e pulando em um apartamento decrépito nesta segunda-feira, na Sibéria, brinca com outras crianças, mas não fala, e se comporta como um animal, relataram os psicólogos responsáveis por ela.

Abandonada por seu pai e seus avós, que viviam no mesmo apartamento em Chita, cresceu junto com os cães e gatos da família, e passou a reproduzir o comportamento dos animais.

Quando foi encontrada, pulou em cima dos policiais, como um cachorrinho, tentando se comunicar com a linguagem dos animais, contou a polícia local.

Levada para uma instituição, onde recebe ajuda médica e psiquiátrica, a criança, que praticamente nunca tinha saído do apartamento onde vivia, está descobrindo, aos poucos, a vida com os humanos. Porém, alguns de seus comportamentos continuam sendo os de um animal.

Ela não usa talheres para comer. Quando lhe damos uma colher, ela a ignora e come diretamente com a boca, relatou Nina Emelshugova, funcionária do estabelecimento, à rede de TV russa Rossia.

Na hora de brincar, ela imita o que vê. Ela tinha muito mais contato com animais do que com humanos, acrescentou outro colaborador da instituição, citado pela agência Interfax.

Este colaborador se recusou, porém, a considerar Natasha como uma menina-animal. Ela anda como uma criança normal, e suas atitudes semelhantes as de cães e gatos são freqüentes, mas não constantes. Ela mostra, por exemplo, como colocar uma panela no fogão e acender o gás, afirmou.

De acordo com os médicos que a examinaram, a menina não está muito atrasada em termos de desenvolvimento psíquico, mas tem a aparência física de uma criança de dois anos.

Outros exames médicos serão realizados, mas ela está bem. O único problema é que com cinco anos de idade, ela ainda não fala, declarou a diretora da instituição, Tatiana Missnik, à agência Ria Novosti.

Multa para o pai
Depois da descoberta da menina, o pai, de 27 anos, foi multado por negligência e a mãe, que vive em outro lugar com outro filho, recebeu uma advertência.

O apartamento onde morava a família parecia um lixão, com um monte de objetos diversos, detritos e louça suja em todos os cômodos, segundo imagens mostradas pela TV russa.

Para a menina, o caminho da socialização deverá ser longo.

Vamos torcer para que ela consiga ter uma vida normal, disse o diretor adjunto do Instituto psiquiátrico Serbski em Moscou, Evgueni Makushkin, ressaltando que o desenvolvimento psicológico destas crianças, muitas vezes traumatizadas, costuma ser complicado.

Todas as funções motoras e de linguagem se desenvolvem nesta idade. Natasha vai precisar de um rigoroso programa de acompanhamento, acrescentou.

O caso de Natasha não é isolado. Desde 2003, uma dezena de histórias semelhantes foram registradas na Rússia, com crianças, maltratadas ou abandonadas pelos pais, andando ou se comunicando como cães e gatos.

 

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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