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Plano prevê formação de 330 mil professores nos próximos cinco anos

  Professores que atuam sem a qualificação necessária terão a chance de obter formação em instituições de todo o País. O primeiro Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica, lançado na última quinta-feira (28) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, prevê a formação de 330 mil professores nos próximos cinco anos. As medidas para a valorização do professor incluem, ainda, o pagamento de financiamento de estudos com trabalho na rede pública, ajuda extra aos estados que não conseguirem pagar o piso de R$ 950 para os professores e uma prova nacional para o magistério.

  Depois de assinar as medidas que favorecem os professores, o presidente Lula afirmou que o governo tem se esforçado e feito pactos com governadores e prefeitos para melhorar a qualidade da educação no País.  “Poderemos ter a escola brasileira recuperada, digna e comparada a qualquer escola de bom nível no mundo”, afirmou. O aumento nos recursos destinados à educação no Brasil, que chegaram a R$ 41 bilhões em 2009, foi lembrado pelo ministro. As medidas, segundo Haddad, não beneficiam apenas os professores. “Toda a formação do professor rebate diretamente no dia-a-dia da escola pública”, disse o ministro.

Medidas de valorização do professor

Qualificação - Os cursos para a formação de professores serão oferecidos por 90 instituições públicas de ensino superior a partir do segundo semestre deste ano. A iniciativa vai beneficiar professores que ainda não têm formação superior; professores formados que lecionam em área diferente daquela em que se formaram e bacharéis sem licenciatura, que não poderiam exercer o magistério. A responsabilidade será da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que vai receber mais R$ 1 bilhão por ano para a formação de professores.

Fies - Uma alteração na lei que regulamenta o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) vai permitir financiamento de até 100% da mensalidade dos cursos de licenciatura, com pagamento por meio de serviço como professor de escola pública, depois da conclusão do curso. Cada mês de exercício profissional representará abatimento de 1% da dívida consolidada, o que significa que será possível quitar o financiamento em pouco mais de oito anos. A medida também vai valer para quem obteve o financiamento antes do lançamento do plano.

Piso - Os estados que comprovarem não ter condições de pagar o valor integral do piso salarial dos professores, de R$ 950, podem receber verba complementar da União. O piso é destinado aos professores da educação básica para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

Prova Nacional - Ainda em 2009, o MEC vai lançar a matriz de uma prova nacional para professores, que terá a primeira edição em 2010. A prova vai permitir a formação de um banco de professores, que poderá ser utilizado por estados e municípios para a contratação. O MEC também poderá definir nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para o ingresso em cursos de graduação para formação de professores. A exigência de que 70% da carga horária dos cursos de pedagogia seja dedicada à formação de professores também faz parte das medidas.

Carreira - Até o final do ano, governo federal, os estados, o Distrito Federal e os municípios devem elaborar planos de carreira para os professores e os profissionais da educação básica de suas redes. O plano deve contemplar itens como a formação inicial e continuada, o número de alunos por sala, o sistema de avaliação e a progressão funcional.


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Ontem, durante uma defesa de tese de doutorado, um colega foi eloquente ao nos contar  sobre os muitos textos literários que sua mãe lhe apresentou. Discutíamos a escola arcaica e a moderna e, por consequência, a sociedade de outrora e a de hoje.   A intervenção do colega foi a propósito das práticas letradas que vicejavam nas famílias  há algumas décadas.

 Isso me fez lembrar dos  poemas, curtos e longos, que memorizei com o auxílio de minha mãe. Às vezes recitávamos, às vezes cantávamos juntas. Quando íamos de visita aos avós  ou aos bisavós, eu era instada a subir  em uma cadeira e recitar um poema. Quanto mais longo, mais festejada eu era, e confesso que essas experiências infantis fizeram bem à minha autoestima.   Se um desses textos cruza a minha memória, quase sempre trazido pela  lembrança de um sabor, um aroma, uma foto, um livro, uma toada, que vou encontrando  pela vida,   sinto uma  nostalgia que não é triste, é uma saudade feliz.

 Uma das minhas canções favoritas era a história do Zé Gazela, o maió dos cantadô. Não sei se é do folclore mineiro, ou se tem autor. Preciso buscar essa informação.  “Ocê tá venu essa casinha, simplesinha,toda feita de sapé? Sabe quem mora dentro dela é  Zé Gazela, o maió dos cantadô. Quando Zé Gazela viu Siá Rita, tão bonita, pôs a mão no coração. Ela pegou num disse nada, deu risada. Pono os oinho no chão. E se casaru,  mas um dia, que agonia, quando em casa ele chegô. Zé Gazela viu Siá Rita, muito aflita. Tava lá Mané Sinhô. Tem duas cruz entrelaçada, bem na estrada, escrevero por detrais, numa casa de caboclo um é pouco, dois é bão, três  é demais.”

Não sei se entendia bem o teor da história, mas gostava da melodia.

Hoje em dia _ argumentamos na banca de doutorado _ os pais, quando são letrados, têm pouco tempo para recitar poemas com os filhos. Quando não são letrados, e há cerca de 12% da população adulta neste país que não é alfabetizada, às vezes contam causos e cantam para os filhos  algumas canções, mas não é raro que  as gerações mais novas desvalorizem  aquelas lembranças como coisas de velho ou coisas da roça. A cultura globalizada que consumimos, onipresente, deixa muito pouco espaço para esses mergulhos no passado.

 A bem da verdade, tenho de dizer que meu filho, lá pelos nove ou dez anos, aprendeu de cor o “Navio Negreiro” de Castro  Alves. Mas, que pena! Eu não o ajudei, foi uma iniciativa dele, que  foi apresentado ao poema na escola. Perdi uma oportunidade ímpar de ter o meu  filho se lembrando de mim, todas as vezes que um aroma, uma toada, um sabor, um livro lhe trouxer à memória o poema antológico do poeta baiano.

Brasília, 22 de maio de 2009

 

Nota:Autores de Casa de Caboclo, Hekel Tavares e Luiz Peixoto acabaram inspirando, juntamente com Joubert de Carvalho, uma onda de canções sobre motivos sertanejos, que proliferou no final dos anos vinte. Como acontece muitas vezes a músicas de sucesso, houve à época do lançamento quem considerasse Casa de Caboclo plágio de um tema de Chiquinha Gonzaga, levando a discussão aos jornais. Daí a informação que figura em algumas de suas regravações: Canção baseada em motivos de Chiquinha Gonzaga.

Na semana passada, em meio aos noticiários do Estado de Minas que meu esposo estava lendo, fui chamada por meu filho de 4 anos que dizia: “Olha mamãe é o Cruzeiro, o time que o vovô torce”. Para motivá-lo em sua construção do letramento reafirmei que aquele realmente era o símbolo referente ao Cruzeiro e o felicitei por tê-lo reconhecido. Após o elogio, meu filho todo feliz disse: “Sabe mamãe, eu também torço para o Cruzeiro, quer ver?!”. Logo em seguida colocou a mãozinha na boca e emitiu o som da tosse. Em meio a risos fiquei admirada por sua construção de significados e comecei a refletir sobre  como mediar aquela situação.

Pedi a ele que recortasse o símbolo do jornal e que buscasse seu material de estudos, folhas, cola, pincel, etc. Após o recorte feito, escrevi para ele em uma folha branca a palavra TORCE e pedi para que ele identificasse as letras. Logo em seguida, em outra folha, escrevi a palavra TOSSE e pedi que fizesse o mesmo. Perguntei a diferença e ele me disse que uma tinha a letra S que correspondia a seu nome, Sávio, e a outra tinha a letra R de rato, de rosa e Rosária, o nome de sua avó. Perguntei então qual delas era a palavra TORCE e ele, após repeti-la, colocou o dedo na palavra correta. Disse a ele então que torcer significa vibrar pelo time e que então ele poderia colar o símbolo recortado naquela folha, e ele o fez. Ao ler a outra palavra, expliquei que quando tossimos é porque estamos resfriados ou doentes e que um gesto muito importante deveria ser feito nesta hora, o de colocar a mão na boca. Perguntei que desenho poderia fazer para ilustrar a palavra e ele me disse que seria o de uma boca, e assim  fez.

Após a identificação de cada uma das palavras ele me surpreendeu novamente dizendo: “Mamãe, TOSSE é surda e TORCE é sonora, não é mesmo?!”. Eu havia trabalhado com ele o som da letra S por ser a primeira letra do seu nome e porque ele apresenta uma pequena dificuldade em emitir tal som, deixando a língua solta entre os dentes. Naquele dia, como de costume, expliquei a ele que algumas letras são sonoras, ou seja, que vibram na garganta, e que outras são surdas, que não vibram, mas meu intuito era apenas  informá-lo, pois ele sempre foi uma criança muito curiosa e que nunca se continha com respostas curtas. Naquela fase dos porquês infinitos das crianças só conseguíamos esgotar suas perguntas quando nos valíamos de respostas complexas, que para a maioria das pessoas eram respostas para adulto. Não imaginava que ele realmente internalizasse o conceito, apenas brincamos com os sons e os diferenciamos entre surdos e sonoros, pois tais palavras também aumentariam seus recursos comunicativos.

Ao comentar o episódio com a professora Stella Maris  , ela pediu que o relatasse, pois na ocasião estávamos discutindo como construímos andaimes com nossos alunos ou mesmo filhos. A déia da construção de andaimes surgiu através dos estudos de um psicólogo vigotskyano chamado Jerome Bruner. Para ele,  quando um indivíduo presta assistência a um aprendiz, o primeiro media o conhecimento, o que consequentemente amplia as competências  do aprendiz. Ao realizar essas atividades com o Sávio, pude dar a ele a chance de reconceptualizar sua idéia, fazendo com que ele identificasse que existem dois verbos diferentes para aquilo que ele imaginava ser a mesma coisa.

Ao chegar em casa, antes de começar a escrever sobre o assunto, perguntei a ele qual a diferença entre TORCER E TOSSIR e ele me disse: “Você já sabe que para tossir tem que colocar a mão na boca e que agente torce pro Cruzeiiiiiiiirooooooo, mas o que você não sabe é que, quando a gente faz assim ó (pegou um pedaço da camiseta e começou a torcer) a gente tá torcendo também, eu esqueci de te ensinar!”. E foi assim que, mais uma vez, meu ser mãe foi surpreendido por subestimar a capacidade das crianças. Um pequeno andaime construído já é agora sustentação para inúmeras outras informações recebidas e percebidas por ele. Que tenhamos sempre a sensibilidade de dar pistas e fazer com que a mediação esteja fundamentalmente em nossa prática cotidiana.

 

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A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo distribuiu a escolas um
livro com conteúdo sexual e palavrões, para ser usado como material de
apoio por alunos da terceira série do ensino fundamental (faixa etária
de nove anos).

A gestão José Serra (PSDB) afirmou ontem que houve falha na escolha,
pois o material é inadequado para alunos desta idade, e que já
determinou o recolhimento da obra.

O livro (Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol) é recheado
com expressões como chupa rola, cu e chupava ela todinha. São 11
histórias em quadrinhos, feitas por diferentes artistas, que abordam
temas relacionados a futebol -algumas usam também conotação sexual. A
editora Via Lettera afirma que a obra é voltada a adultos e
adolescentes.

A pasta distribuiu 1.216 exemplares, que seriam usados como material
de apoio para a alfabetização dos estudantes, dentro do programa Ler e
Escrever (uma das bandeiras do governo na educação).

Nesse programa, os estudantes podem usar o material na biblioteca, na
aula ou levar para casa. O livro começou a ser entregue na semana
passada.

É o segundo caso neste ano de problemas no material enviado às
escolas. A Folha revelou em março que alunos da sexta série receberam
livro em que o Paraguai aparecia duas vezes no mapa.

Os erros revelam um descuido do governo na preparação e escolha dos
materiais, afirmou a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp,
Angela Soligo.

Há um constante ataque do governo contra os professores e a formação
deles. Mas o governo coloca à disposição dos docentes ferramentas
frágeis de trabalho, disse Soligo.

Posição oficial

A reportagem solicitou entrevista com o secretário da Educação, Paulo
Renato Souza. A pasta, porém, só divulgou uma nota, que não esclarece
como é feita a escolha dos livros.

Sobre a responsabilidade pelo erro, disse apenas que abriu uma sindicância.

O governo afirma que este livro é apenas um dos 818 títulos
comprados e que os 1.216 exemplares da obra representam 0,067% do
1,79 milhão de livros colocados à disposição das crianças. Diz ainda
que faz um grande esforço para estimular o hábito da leitura.

O gerente de marketing da editora Via Lettera (responsável pelo
livro), Roberto Gobatto, afirmou que apenas atendeu ao pedido de
compra (no valor de cerca de R$ 35 mil) feito em novembro, na gestão
de Maria Helena Guimarães de Castro na pasta da Educação.

Não sabíamos para qual faixa etária seria destinada. Se soubéssemos,
avisaríamos a secretaria, disse Gobatto.

Na história mais criticada por professores que tiveram contato com a
obra, o cartunista Caco Galhardo faz uma caricatura de um programa de
mesa-redonda de futebol na TV.

Enquanto o comentarista faz perguntas sobre sexo, jogadores e
treinadores respondem com clichês de programas esportivos, como o
atleta tem de se adaptar a qualquer posição.

Quem escolheu não leu o livro, diz cartunista

O cartunista Caco Galhardo, autor da história mais criticada do livro
por professores, disse que a obra não era destinada a alunos. Caco é
quadrinista da Folha. (FT)

FOLHA - A sua história era para crianças de nove anos?

CACO GALHARDO - Imagina. É uma HQ [história em quadrinhos] justamente
para não ir para escola. Há um movimento de se colocar quadrinhos nas
aulas, porque é uma linguagem acessível para a molecada. Fiz uma
adaptação do Dom Quixote que foi para várias escolas. Mas os caras têm
de ter critério para ver qual quadrinho colocar. Nessa eu tirei sarro
de uma mesa-redonda.

FOLHA - Sabe como foi parar nas escolas?

GALHARDO - O cara que escolheu não leu o livro.

Sindicância vai apurar quem escolheu obra

A Secretaria de Estado da Educação determinou ainda na semana passada
(dia 15) o recolhimento imediato da publicação Dez na área, um na
banheira e ninguém no gol. É importante esclarecer que o livro é
apenas um dos 818 títulos, comprados de 80 editoras, para apoiar o
programa Ler e Escrever, voltado a reforçar a alfabetização de
crianças.

Apenas 1.216 exemplares do título foram efetivamente distribuídos às
escolas, o que significa 0,067% do 1,79 milhão de livros colocados à
disposição das crianças como material de apoio nas salas de aula. O
governo faz grande esforço para estimular o hábito da leitura pelas
crianças, pois isso favorece muito o aprendizado.

O livro citado seria utilizado por alunos da terceira série, mas sua
escolha foi um erro, pois o material é inadequado para alunos dessa
idade. A falha foi apontada pelos coordenadores pedagógicos do
programa Ler e Escrever tão pronto receberam os primeiros exemplares
do livro na semana passada.

A Secretaria da Educação instaurou uma sindicância para apurar as
responsabilidades pelo processo de seleção dos livros, que tem prazo
de 30 dias para ser concluída.

Responsáveis por distribuição de livro com palavrões serão punidos, diz Serra

O governador José Serra (PSDB) afirmou nesta terça-feira (19) que vai
punir os responsáveis pela distribuição de livros de apoio com
palavrões. As obras continham expressões não apropriadas para alunos
da terceira série do ensino fundamental, na faixa etária de nove anos.

Abrimos sindicância e os responsáveis serão punidos, pois cometeram
algo muito grave, disse Serra em entrevista ao programa de televisão
SP TV.

O governador classificou o episódio como muito grave. É menos grave
ter um erro de impressão do que um livro que tenha problemas de
conteúdo como esses, disse Serra.

A fala do tucano é uma referência ao episódio da distribuição de
livros de geografia para alunos da 6ª série do ensino fundamental com
erros em mapas, ocorrido em março deste ano, na gestão Serra.

Os livros traziam um mapa com dois Paraguais e ainda erros de
digitação. Isso não é um erro que alguém possa ignorar. Ninguém acha
que tem dois Paraguais. Acho que houve algum problema de impressão,
mas acho que secretaria deveria revisar os materiais, afirmou o
governador na época.

De acordo com o governador, os 1.216 exemplares com problemas devem
ser recolhidos e, diz Serra, muitos deles nem chegaram ao contato das
crianças.

O livro contém 11 histórias em quadrinhos produzidas por diversos
cartunistas. Uma das mais criticadas por especialistas, de autoria de
Caco Galhardo, traz uma caricatura de um programa de mesa-redonda de
futebol na TV. Enquanto o comentarista faz perguntas sobre sexo,
jogadores e treinadores respondem com clichês de programas esportivos,
como o atleta tem de se adaptar a qualquer posição.


          Folha de S.Paulo, 19 maio 2009.

 

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“Um dicionário conceitual não é apenas uma justaposição de termos, mas um conjunto aglutinador de ideias que convocam outros conceitos e estimulam o aprofundamento dos significados”
Antonio David Cattani é professor titular de Sociologia da UFRGS e pesquisador do CNPq. Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”:
Dicionários temáticos especializados são importantes recursos para a pesquisa qualificada. Por serem obras de referência que identificam e conceituam temáticas complexas, eles são um convite à leitura mais aprofundada dos trabalhos relevantes, orientando a consulta às elaborações fundamentais.
Este texto busca oferecer subsídios à avaliação considerando dois aspectos relacionados aos dicionários conceituais: suporte e conteúdo.
Com a difusão dos meios eletrônicos e, em particular, do sistema de buscas Google e da Wikipedia, as pesquisas feitas pela Internet parecem permitir o acesso instantâneo e ilimitado ao conhecimento. Não obstante, permanecem os problemas relativos à confiabilidade das fontes, além das questões relativas à consistência dos conteúdos e à efemeridade de algumas páginas eletrônicas, sem falar de problemas mais graves tais como falsas qualificações, embustes e sabotagens.
Especialmente quando se trata de matéria científica, uma edição impressa com editor e autores credenciados assegura a integridade da informação.
Existem dimensões essenciais relacionadas à difusão e permanência dos textos impressos, à possibilidade de leitura independentemente do acesso eletrônico e ao fato de autores e leitores processarem criativamente o conteúdo.
Para os autores, o texto é resultado da mediação entre uma intenção, entre algo ainda inexistente, e os recursos da linguagem. O texto maturado, não-regido pela pressão do imediatismo, pode surpreender o próprio autor e fazer avançar a produção do conhecimento.
Situação semelhante acontece com o leitor, que elabora novos significados, lendo e relendo determinado texto que não tenha a fugacidade e transitoriedade próprias da web. A Internet disponibiliza um universo de informações mas, ao mesmo tempo, é uma espécie de fast food do saber.
Embora sem a mesma “instantaneidade” ou “imediatidade” dos conteúdos disponibilizados eletronicamente – as quais podem ser altamente enganosas para o pesquisador desavisado, o suporte papel continua exigindo mais rigor científico dos autores e assegurando relativa confiabilidade aos leitores.
Assim como as obras clássicas, os dicionários são coadjuvantes da construção de um saber mais consistente, reflexivo e inovador. Os dicionários temáticos podem ser tanto simples registros de nomes e acontecimentos, como guias didáticos e introdutórios a questões mais amplas.
Com propósitos e conteúdos mais avançados, há os dicionários teóricos e conceituais. Essas obras seguem o preceito nomem est numem (nomear é conhecer). Conceitos são representações mentais, construções lógicas formuladas a partir da observação (empirismo) ou do conhecimento de princípios a priori (racionalismo absoluto), ou ainda de categorias de entendimento como, por exemplo, o racionalismo crítico de Kant e o racionalismo dialético de Bachelard.
O ato de nomear um fenômeno, condição para conhecê-lo, pode se limitar a uma simples descrição da ordem formal da realidade. A tendência empirista-positivista toma o real como lógica, a forma como essência e, assim, procede à compreensão da realidade como um processo de contemplação de uma ordem pressuposta como estática e natural.
A construção dos conceitos pode valer-se de outra metodologia que reconhece a relação sujeito-objeto e a realidade como totalidade e unidade de movimentos contraditórios.
Neste caso, o conhecimento não depende de construções axiomáticas nem atende a necessidades taxinômicas, mas constitui um processo que, apreendendo o conjunto das conexões internas do fenômeno, contribui para o estudo dos conflitos e contradições. Pode-se, assim, determinar suas potencialidades, suas possibilidades, enfim, o seu devir.
Conceitos são teorias em síntese. Apresentá-los de maneira clara e precisa é o grande desafio dos dicionários conceituais especializados. Eles precisam fazer a conexão entre noções abstratas e a realidade concreta de processos pertinentes e relevantes; precisam ir além das descrições factuais e das percepções subjetivas, articulando conceitos afins e contrastando-os com outros antitéticos.
O desafio mais importante corresponde ao conteúdo autoral, já que os verbetes não são resumos simplificadores, mas elaborações complexas e originais, traduzindo os aportes de cada escritor para fazer avançar o conhecimento.
Em face da grande diversidade e riqueza das publicações, as Comissões de Avaliação Qualis terão uma valiosa e complexa missão. Seria importante que o caráter específico de alguns dicionários, especialmente nas Ciências Sociais, fosse levado em conta, tanto no que tange a certas obras como um todo, como no caso dos verbetes.
Os temas, embora apresentados separadamente, denotam princípios teóricos e explicações que adquirem sentido na inter-relação com os demais verbetes. Assim, um dicionário conceitual não é apenas uma justaposição de termos, mas um conjunto aglutinador de ideias que convocam outros conceitos e estimulam o aprofundamento dos significados.

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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